Frio

1692 Palavras
Quando Amélie entrou em sua casa a primeira coisa que viu foi uma garrafa de cerveja vazia jogada no chão perto da porta, ela respirou fundo e tirou os sapatos calçando suas pantufas que ficavam ao lado da porta, a Monteiro não precisou andar muito mais para ver como tudo aquilo estava uma bagunça, a sala cheirava m*l e haviam várias latas de bebidas espalhadas pelo chão, assim como seu marido que estava deitado no piso de cerâmica ao lado do sofá vestindo apenas uma cueca enquanto parecia dormir profundamente, o ambiente carregava o cheiro doce de alguma outra ômega enquanto as costas de seu marido tinha alguns arranhões, não era difícil imaginar o que aconteceu ali. A carteira de Jackson estava aberta em cima do sofá e logo Amélie pensou que quem quer que tivesse passado por ali levou todo o dinheiro do Marques consigo, todo o dinheiro que tinha dado para ele de manhã, a mesinha de centro estava suja de um pozinho branco que a ômega imaginava muito bem o que era, mais um dos vícios do marido e ao lado do homem desacordado, para completar a cena nojenta diante de seus olhos, tinha uma camisinha usada. A ômega sentia vontade de vomitar olhando aquela cena, ela sabia que teria que limpar aquela bagunça sozinha, mas estava tão cansada e enojada com tudo aquilo, Amélie só queria descansar um pouco. A Monteiro foi tomar um banho, não muito demorado pois também estava com fome, e assim que terminou de se vestir foi até a cozinha preparar um macarrão instantâneo para comer. Quando terminou de comer sua pequena refeição, a ômega logo começou com suas obrigações, primeiro catou todas as garrafas e latas de bebidas que estavam espalhadas pela sala, depois a camisinha e por fim limpou a mesinha de centro tentando fazer o mínimo de barulho possível para que o Marques não acordasse, mas não adiantou muito. A lúpus já tinha terminado e estava pegando o saco de lixo para colocar pra fora de casa quando o marido acordou. -p***a!-Jackson esbravejou enquanto se apoiava no sofá para levantar do chão frio-Será que nem dormir em paz eu posso nessa maldita casa? A Monteiro apenas suspirou fundo e revirou os olhos, ignorou as palavras do homem e abriu a porta indo colocar o lixo na calçada para que o caminhão pegasse no dia seguinte, quando voltou para residência o Marques estava sentado no sofá apoiando o rosto sobre as mãos enquanto os cotovelos estavam apoiados sobre os joelhos. -O que tem pra jantar?-O loiro perguntou e em seguida ligou a televisão. -Eu estou cansada Jackson-Amélie falou vendo o marido olhar com raiva para si. -Não perguntei se está cansada, perguntei o que tem pra jantar, me responda direito ômega!-O Marques falou a última parte usando sua voz de comando o que fez os ouvidos sensíveis da Monteiro doerem e seu corpo se encolher um pouco. -Ainda tem um pacote de macarrão instantâneo, você pode fazer se quiser, eu estou indo dormir-A ômega não sabia se era o cansaço ou se apenas estava farta de tudo aquilo, mas ela simplesmente resolveu falar daquela forma esquecendo que o marido se “ofende” fácil, principalmente quando diz respeito a si. A Monteiro começou a caminhar em direção às escadas para subir pro quarto, Amélie viu seu marido se levantar do sofá e vir em sua direção, porém resolveu ignorar aquilo e apenas apressou os passos, o que não adiantou de nada. Logo Jackson estava segurando seu braço com força a fazendo virar em sua direção, a ômega fechou os olhos e esperou pelo tapa, este que não veio já que o Marques apenas a arrastou para a cozinha a jogando com força contra a pequena mesa de jantar. -Faça logo minha comida enquanto estou com paciência, Amélie, você tem sorte que minha garota de hoje soube me satisfazer muito bem porque nem pra isso você me serviu de manhã, ômega inútil-O alfa sorriu e voltou para sala. A ômega ainda ficou parada alguns segundos ali apoiada no móvel de madeira enquanto se perguntava o que tinha feito para passar por aquilo e porque o marido simplesmente não a deixava em paz, ela queria chorar, sentia o nó se formando em sua garganta causando uma sensação incômoda, porém segurou suas lágrimas e foi até o armário pegar algumas panelas para começar a preparar o jantar do marido. Amélie tinha acabado de ligar o fogo de uma das bocas do fogão e colocado a panela com água na mesma para fazer o arroz quando sentiu seu cabelo ser puxado com força o que a fez cair para trás. -Sua p**a miserável, onde está meu dinheiro?!-O Marques gritou jogando sua carteira vazia contra o rosto da Monteiro que o olhou assustada. -E-Eu juro que não fui eu que peguei, quando cheguei ela já estava vazia-Falava desesperada enquanto se arrastava para longe do marido. -Você acha que eu sou burro?!-Jackson gritou puxando Amélie pelas pernas de volta para perto de si e em seguida segurando em seus braços com força a levantando do chão. -N-Não fui eu Jackson, deve ter sido a garota que estava com você-A ômega tentava convencer o marido, mas era em vão. A Monteiro sentia o cheiro de álcool ainda forte vindo do Marques e o branco de seus olhos ainda estava levemente avermelhado, ele estava fora de si e a lúpus já podia imaginar o que estava por vir. -Pra que você quer dinheiro?! Está pensando em fugir de mim Amélie?!-O homem parecia histérico enquanto sacudia o corpo pequeno e esguio da outra e gritava consigo-Você acha que pode me fazer de i****a?-O alfa falou e logo em seguida desferiu um soco contra o rosto da Monteiro que teria caído de volta no chão se ainda não tivesse um de seus braços sendo segurados com força pelo homem-Eu não vou te deixar ir embora ouviu bem? Você é minha! Agora devolva a merda do dinheiro, eu preciso dele. -Eu já disse que não peguei esse maldito dinheiro-Amélie gritou desesperada para que o outro a saltasse, porém sem efeifo. Jackson riu da insistência da esposa em negar o que em sua cabeça estava mais do que claro que era verdade. A ômega se sentia aflita, ela tentava se soltar do aperto forte que o outro infligia contra seu braço, mas nada parecia adiantar, ela era fraco demais, a Monteiro sentia medo e angústia enquanto ouvia cada palavra do marido, ela realmente nunca conseguiria ir embora? Mas por que? Por que não podia simplesmente ter esperanças? Por que tudo parecia afundar cada vez mais? -Por que você não me deixa ir?! Você nem sequer me ama! Eu só quero ir embora daqui, por favor, me deixa ir embora daqui-Amélie falava sem conseguir mais conter o choro que estava entalado em sua garganta por todos esses anos, suas palavras soavam como uma súplica desesperada de quem queria apenas se ver livre de tudo aquilo e de certo modo, ela não sabia se só queria ir embora daquele lugar ou se simplesmente queria partir. O Marques se irritou ainda mais com o as falas da mulher, ele odiava quando a ômega chorava, odiava vê-la fazer drama e mentir para si, mas de certa forma, Jackson não odiava Amélie, muito pelo contrário, então o simples pensamento de vê-la sair de sua vida o deixava possesso, a Monteiro era sua ômega, ela era sua companheira e seria assim até que o próprio Marques dissesse o contrário. O alfa empurrou a outra contra a bancada da pia a fazendo bater as costas com força ali e em seguida segurou o cabo da panela que estava no fogo despejando a água quente na lateral do corpo da esposa e logo depois usando o fundo da panela para bater com força contra a parte de trás da cabeça da mais baixa que caiu no chão se sentindo um pouco desorientada. A água não estava tão quente ao ponto de lhe causar queimaduras sérias, mas ainda incomodava assim como a dor que se espalhava pela cabeça da Monteiro que levou uma de suas mãos até o local onde o marido havia acertado. -P-Por favor, me deixa em paz, por favor eu imploro-A ômega falou começando a engatinhar pelo chão tentando se afastar do mais alto, mas logo sentiu o pé dele em suas costas a forçando contra o chão-Eu juro que não peguei o dinheiro, por favor-Ela falava enquanto tentava se levantar sentindo o marido lhe empurrar de volta todas as vezes que tentava. -Agora você sabe implorar sua ômega inútil?-Jackson falou acertando um chute contra a costela de Amélie a vendo gritar e se contorcer de dor no chão sorrindo com a cena-Sua p**a de merda-Mais outro chute e mais um grito de dor-Que isso sirva de lição pra você-E o último chute seguido do silêncio. A Monteiro sentia como se fosse parar de respirar a qualquer minuto, todo seu corpo doía feito um inferno, mas por sorte, o Marques tinha saído de perto de si. A ômega ficou alguns minutos ali chão abraçando o próprio corpo enquanto chorava silenciosamente, em algum momento ela ouviu a porta de sua casa abrir e fechar indicando que o marido tinha saído e ela rezava a todos os deuses que conhecia, que ele não voltasse nunca mais, porém Amélie sabia que era inútil, em sua cabeça qualquer entidade que fosse lhe abandonou quando a deixou casar com aquele homem. A ômega se arrastou até a mesa de jantar se apoiando nas cadeiras para conseguir levantar do chão, a lúpus fez um esforço para ficar de pé e foi até o fogão desligando o fogo que tinha ascendido antes de tudo começar. Ela se sentia fraca, impotente sobre a própria vida e acima de tudo, sentia que nada podia tirá-la daquilo. Naquela noite Amélie dormiu sozinha em sua cama depois de ter tomado um remédio para tentar aliviar sua dor e quando fechou os olhos ela fez o mesmo pedido que sempre fazia todas as noites antes de dormir. “Por favor, não me faça precisar abri-los amanhã, apenas acabe com tudo”.
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