Cansaço

783 Palavras
Já era madrugada e Eric sabia que precisava dormir pois, como sempre, teria um dia cheio no trabalho no dia seguinte, porém ele simplesmente não conseguia, então pela sala da grande mansão o som do piano de cauda ecoava em uma melodia calma e lenta, talvez para alguns aquelas notas não significassem nada, mas para o alfa aquilo era como um desabafo de alguém que já estava cansado. O Ramos sempre tocava quando a insônia resolvia lhe visitar, o lúpus deslizava seus dedos sobre as teclas do instrumento enquanto se deixava levar pela música, aquela era sua válvula de escape, sempre que se sentia pressionado ou angustiado o alfa simplesmente tocava uma de suas partituras e deixava que a música fizesse o resto por si só, deixava que a melodia carregasse consigo sua aflição e o acalmasse, mas nem mesmo aquilo parecia funcionar nesse momento. Seu lobo continuava agitado fazendo seu interior se remexer em uma agonia estranha enquanto sua mente insistia em lhe bombardear com as lembranças do passado que tanto lhe causavam pesadelos. Eric suspirou afastando seus dedos das teclas e fechando o piano com força enquanto se levantava do banco. -Desisto-Disse para si mesmo pegando a taça e a garrafa de vinho que estava sobre o instrumento. O alfa levou os mesmos até a cozinha colocando a garrafa na geladeira e a taça vazia na pia, em seguida voltou para sala indo em direção a grande escadaria que havia ali e logo subindo para seu quarto. O Ramos sabia que aquela casa era grande demais para ele, porém não se importava, gostava de todo aquele espaço, gostava do silêncio e da solidão que o cercavam, tudo aquilo permitia com que se sentisse estranhamente bem na maioria das vezes, mas em noites como aquelas toda a solidão que tanto adorava parecia mais um castigo. O cômodo escuro e silencioso deveria ser o lugar perfeito para descansar, mas nada parecia certo e aquilo estava começando a irritar Eric, talvez fosse o fato de sua mãe estar ligando para seu escritório quase todos os dias nas últimas semanas tentando entrar em contato consigo para um assunto que, segundo ela, era urgente tenha sido o que lhe roubou o sono. O Ramos estava odiando aquilo, depois que seu nome começou a aparecer na mídia por conta de seus negócios bem sucedidos e sua fortuna cada vez maior, a mulher que lhe abandonou resolveu que o amava e que queria ser sua mãe novamente e quando o alfa, por qualquer que fosse o motivo, atendia as ligações da ômega era sempre o mesmo pedido, “Você poderia mandar um pouco de dinheiro para sua amada mãe? Vamos lá, não seja um filho ingrato”. Então depois da quarta vez ele nunca mais atendeu aquelas ligações, com seu pai era basicamente a mesma coisa e aquilo era muito cansativo. O lúpus estava farto, farto de vê-los tentando voltar para sua vida quando tudo queria era esquecer seu passado, farto de ver que eles só se importam consigo quando tinha algo “valioso” a oferecer. As pessoas ao seu redor sempre queriam algo dele, exceto Bernardo, que só procurava o amigo em último caso, mais por orgulho do que por qualquer outra coisa e esse era um dos motivos pelos quais Eric confiava tanto no outro alfa. O Almeida era sincero e se preocupava de verdade consigo tendo mais consideração do que qualquer outra pessoa já teve por ele. O lúpus sabia que quando deitasse a cabeça no travesseiro e pensasse em dormir aqueles malditos pesadelos voltariam, com todos os gritos, xingamentos e todas aquelas sensações ruins que eles sempre traziam, o fazendo acordar no meio da noite com medo, triste e sozinho. O Ramos foi até a cômoda que ficava em um dos cantos do quarto e pegou um vidro de comprimidos logo despejando um em sua mão e o tomando em seguida, odiava tomar remédios para dormir, mas não via outra solução no momento, precisava dormir. O lúpus se deitou na cama espaçosa enquanto olhava para o teto do quarto esperando que o sono tomasse conta de si, porém ao invés disso sua mente resolveu resgatar a imagem da ômega desconhecida que tinha visto mais cedo no hotel, caso se esforçasse um pouco podia quase “sentir” o cheiro de damasco invadir suas narinas novamente, pensar naquela completa estranha fez com que seu lobo se acalmasse um pouco e aquilo deixou Eric com os olhos arregalados e se xingando mentalmente por estar pensando em uma mulher completamente desconhecida quando deveria estar descansando. Louco. Era isso, estava louco, com certeza todo o estresse dos últimos dias o estava fazendo perder a cabeça.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR