A primeira coisa que Amélie viu ao abrir os olhos foi a imagem branca e embaçada do teto de seja lá onde for que estivesse, seus sentidos ainda estavam confusos e a ômega m*l conseguia sentir seu corpo, talvez por isso tenha demorado a perceber que sua mão estava sendo segurada com força por um certo beta que não saiu de seu lado em nenhum momento desde que a levaram até ali. Aos poucos enquanto acordava conseguiu ouvir um choro baixinho e aquilo lhe fez se sentir confusa por um momento. "Quem choraria por si se não ela mesma?"
-Meli! Você acordou-Nicolas praticamente gritou de alegria e abriu um largo sorriso ao ver o amigo abrir os olhos.
O Barros estava na portaria apenas exercendo seu trabalho quando ouviu um burburinho ecoar do interior do hotel e logo em seguida se espantou ao ver um completo desconhecido sair apressado do lugar carregando a Monteiro desacordada até um carro luxuoso que estava estacionado na frente do edifício. Nicolas demorou um pouco para entender o que de fato estava acontecendo, mas assim que percebeu que era Amélie ali sendo carregada inconsciente, o beta correu até a cena e praticamente exigiu uma explicação, enquanto tentava tomar o corpo da ômega dos braços do outro. Depois de ouvir a breve explicação de Eric que nada mais foi do que um simples: "Ela desmaiou, vou levá-la ao hospital ", em um tom completamente desesperado e aflito, Nicolas pode perceber que o homem estava apenas ajudando Amélie, que tinha acabado de desmaiar e ficava mais pálida a cada minuto, a desconfiança do Barros deu lugar a uma aflição inquietante, então mesmo que estivesse pondo em risco seu emprego, o beta insistiu em levar a ômega ao hospital com o desconhecido e assim foi feito.
Então lá estava Nicolas, segurando a mão de Amélie tentando lhe transmitir um pouco de conforto enquanto ele próprio não conseguia parar ds chorar se sentindo culpado por nao ter percebido o quanto a amiga precisava de ajuda logo cedo, o beta pouco se importava se agora estava desempregado ou não, só queria ficar ao lado da ômega até que ela ficasse bem, já a outra ainda parecia desnorteada em meio aquela situação, recuperando seus sentidos aos poucos e tentando entender o que estava acontecendo.
Depois de um tempo a visão de Amélie se normalizou e a lúpus logo pode perceber onde estava, um hospital, e notar aquilo a fez erguer o tronco rapidamente em uma tentativa falha de se levantar já que o Barros lhe segurou e além disso uma tontura terrível a atingiu fazendo seu corpo praticamente cair de volta na cama e sua cabeça doer como o inferno.
-Droga! O que eu estou fazendo aqui, Nic?! Eu deveria estar trabalhando, se eu perder aquele emprego estou morta-A ômega perguntou levando uma das mãos até a cabeça sentindo uma pequena dor ali, porém logo se lembrou de algo que a fez se esquecer temporariamente daquela dor para dar lugar ao sentimento de medo que conhecia tão bem-Por favor Nic, me diga que não ligaram para ele.
-Não se preocupe, ninguém ligou para o infeliz do seu marido-Nicolas falou não conseguindo esconder sua raiva que sentia.
O beta sabia o que tinha acontecido, não era difícil imaginar, desde que Amélie chegou para trabalhar naquela manhã ele pode ver que tinha algo errado, porém nunca imaginou que era tão sério, sua vontade era correr até aquele infeliz e fazê-lo pagar por causar tanto sofrimento à ômega, queria fazê-lo provar do próprio veneno. Era tão doloroso ver a Monteiro deitada naquela cama de hospital. Nicolas queria apenas proteger a ômega e levá-la junto consigo para qualquer lugar, contato que fosse longe o suficiente para aquele maldito nunca mais incomodar a Monteiro.
-Por favor Nic, eu sei o que está pensando, mas por favor, não faça isso, eu não quero que você se meta nisso, não quero que ele te machuque também, por favor, nem pense em estragar sua vida por minha causa, eu não valho tanto a pena assim-Amélie falou reconhecendo o olhar do amigo, sabia que o Barros queria fazer alguma coisa, porém não podia deixar, não queria que Jackson visse Nicolas como uma ameaça, nunca quis que seu amigo entrasse em toda aquela merda que era sua vida, queria apenas protegê-lo, pois o beta era a única pessoa que ainda conseguia fazê-la se sentir bem, ele conseguia manted sua sanidade em meio aquele caos e não queria perder aquilo.
-Isso é loucura Amélie!-Nicolas disse se levantando da cadeira na qual estava sentado ao lado da cama do ômega, o beta colocou as mãos na cintura e balançou a cabeça em negação tentando não ser muito duro com a Monteiro, pois sabia que ela não estava bem e não tinha culpa daquela situação-Você tem que denunciá-lo ou ele vai acabar te matando, por favor Meli, me deixe te ajudar, eu posso te tirar de lá, posso te proteger dele-O Barros falou voltando a se aproximar da mulher e segurando sua mão novamente-Por favor Meli, me escuta, pra mim você valhe muito a pena e não quero sentir isso que estou sentindo agora, essa impotência de te ver nesa situação e não poder fazer nada, por favor me deixe fazer alguma coisa, me deixe te tirar desse inferno, eu posso te salvar dele, espero que entenda que esse pedido é só uma forma de te fazer entender que não está sozinha, porque depois de hoje esse verme vai ser preso querendo você ou não, eu vou denunciá-lo assim que sair daqui.
-Não, você não pode-A ômega falou vendo o amigo lhe olhar com tristeza-Se eu não for para sua casa ele irá atrás de nós e inventará alguma coisa para te prejudicar, exatamente como ele fez da última vez.
-Da última vez? Do que está falando Meli?-O Barros perguntou confuso, vendo a menor engolir em seco e desviar os olhos de si.
-Eu…
Antes que Amélie pudesse terminar de falar a porta do quarto foi aberta chamando a atenção de ambos, por ela passou um homem usando um jaleco branco e outro com o uniforme da polícia local, o primeiro, mesmo que a ômega não o conhecesse, imaginava que fosse o médico que estava cuidando de si, já o segundo…, o segundo homem a Monteiro conhecia muito bem e quase desmaiou novamente quando seus olhos encontraram o rosto daquele alfa, seu espanto era perceptível tanto para os dois que tinham acabado de entrar no cômodo quanto para Nicolas que sentiu Amélie largar sua mão em ato brusco e apenas se encolher contra a cama abraçando o próprio corpo e abaixando o olhar. Ela estava com medo, medo do que estaria por vir, pois sabia que a essa altura Jackson já estava sendo informado de toda aquela situação e mais tarde saberia que estava segurando a mão de outro homem.
-Senhorita Monteiro, que bom que acordou, se sente melhor?-O médico beta perguntou, porém não obteve resposta.
Amélie tinha perdido qualquer força que ainda pudesse restar em seu corpo assim que viu a pessoa em pé ao lado da porta, aquele seria carrasco responsável por tonar seu inferno pessoal ainda mais doloroso e ela sabia disso.