capítulo 4

934 Palavras
CAPÍTULO 4 A atmosfera da Mansão Castiglione, embora envolta em luzes suaves e música lounge de alta qualidade, parecia sufocante para Raissa. Ela se manteve perto da área externa, observando os reflexos da água da piscina sob a lua de outono. Mesmo tentando ignorar a hostilidade do ambiente, ela sentia que estava caminhando em um campo minado. Ela não estava errada. No canto oposto do jardim, Victória sussurrava algo no ouvido de dois veteranos do time de futebol, apontando discretamente para Raissa com um sorriso c***l nos lábios. Bernardo observava tudo de longe, encostado em uma coluna de mármore, a expressão fria e impenetrável. Ele via a armadilha se armar e não pretendia fazer nada para impedir. Para ele, Raissa precisava aprender qual era o seu lugar. O primeiro ataque veio disfarçado de acidente. Um dos rapazes, visivelmente instruído por Victória, caminhou em direção a Raissa segurando uma taça cheia de ponche vermelho-escuro. Ao passar por ela, ele fingiu tropeçar deliberadamente, arremessando o líquido diretamente contra o peito do vestido azul-marinho de Raissa. O tecido precioso, costurado com tanto amor por Helena, absorveu a mancha escura instantaneamente. — Opa! Desculpa aí, garota. Não vi que tinha lixo no meio do caminho — disse o rapaz, rindo alto enquanto se afastava com os amigos. Risadas abafadas ecoaram pelo jardim. Victória deu um gole em seu champanhe, saboreando a humilhação pública da rival. Raissa congelou por um segundo. Ela olhou para a mancha em seu peito, sentindo a humilhação queimar suas faces, mas engoliu o choro que ameaçava subir por sua garganta. Ela não daria esse gosto a eles. Foi quando Bernardo se aproximou, caminhando lentamente, com as mãos nos bolsos da calça social. Ele parou a poucos centímetros dela, olhando para o vestido arruinado com um desprezo que parecia gelo puro. — Eu avisei que você não pertencia a este lugar — disse ele, a voz baixa, fria e completamente desprovida de qualquer emoção ou empatia. — Você é um borrão de tinta em uma tela limpa, Raissa. Esse vestido ridículo só prova que você está tentando se fantasiar de algo que nunca vai ser. Vá para casa. Você está passando vergonha. As palavras dele doeram mais do que o líquido gelado em sua pele. Bernardo a olhava com tanta crueldade que parecia impossível que, no fundo, ele estivesse travando uma batalha interna violenta para não puxá-la pela cintura e arrancá-la daquela festa para que ninguém mais a olhasse. Para Bernardo, a única forma de lidar com a atração absurda que sentia por ela era tentando destruí-la. Raissa ergueu os olhos azuis, agora marejados, mas ainda brilhando com uma força indomável. — Você é um monstro, Bernardo. Você tem tudo, mas por dentro é completamente vazio. Ela deu as costas, disposta a ir embora dali e nunca mais voltar. ### O Cavaleiro Inesperado Antes que Raissa pudesse dar três passos em direção à saída, uma voz masculina, firme e calorosa, cortou o silêncio tenso que havia se formado no jardim. — Ei, espera. Um rapaz deu um passo à frente, saindo do meio da multidão de estudantes. Era **Gabriel Fontes**. > Gabriel era o herdeiro de uma das famílias mais tradicionais e ricas do país, rival direta dos Castiglione nos negócios. Ele era o oposto de Bernardo: tinha cabelos castanhos claros ligeiramente bagunçados, olhos verdes expressivos e um sorriso genuinamente simpático. Ele não estudava no Saint-Valéry, mas frequentava os mesmos círculos sociais. > Gabriel tirou seu próprio blazer de alta-costura cinza-claro e, com extrema delicadeza, o colocou sobre os ombros de Raissa, cobrindo a mancha vermelha em seu vestido. — Um acidente lamentável — disse Gabriel, olhando de relance para o rapaz que havia jogado a bebida e, depois, diretamente nos olhos de Bernardo. — Mas acho que esse blazer combina muito mais com você do que com qualquer outra pessoa aqui. Eu sou o Gabriel. Vem, deixa eu te acompanhar até um táxi. Você não precisa ficar perto de pessoas tão... infantis. Raissa olhou para Gabriel, surpresa com a gentileza genuína dele. Ela assentiu, agradecida, aceitando o apoio do braço dele enquanto caminhavam em direção à saída da propriedade. ### A Fúria Silenciosa de Bernardo Bernardo assistiu à cena sem mover um único músculo do rosto, mas, por dentro, um vulcão entrou em erupção. Suas mãos se fecharam em punhos tão apertados dentro dos bolsos que as articulações de seus dedos ficaram brancas. Seus olhos cinzentos escureceram até parecerem carvão. Ver outro homem tocar em Raissa, ver Gabriel — logo o herdeiro dos Fontes — colocar as mãos nela e protegê-la, fez o sangue de Bernardo ferver com um ciúme possessivo e doentio que ele m*l conseguia controlar. Ele queria avançar em Gabriel e arrancar o blazer dele do corpo de Raissa à força. No entanto, sua máscara de frieza não caiu. — Bernardo? Você está bem? — perguntou Victória, aproximando-se e tentando tocar seu ombro. Bernardo desviou do toque dela bruscamente, o olhar ainda fixo no portão por onde Raissa e Gabriel haviam acabado de passar. — Estou ótimo — respondeu ele, a voz mais cortante e fria do que o normal. Ele virou o resto de seu uísque de uma vez só e bateu o copo de cristal na mesa de apoio ao lado, estraçalhando a base do vidro. — A festa acabou para mim. Ele deu as costas e caminhou em direção ao interior da mansão, com a mente tomada por um único e obsessivo pensamento: ele precisava dar um jeito de afastar Gabriel de Raissa. Ela era dele para destruir — ou para possuir —, e de mais ninguém.
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