Capítulo 04

1254 Palavras
William Aguiar Graças a Deus era meu último na escola. Eu não aguentava mais aquelas aulas chatas que falavam sempre as mesmas coisas. Às vezes eu me achava um velho perante os meus colegas. Certo que todos nós estávamos na casa dos dezoito ou dezenove anos, mas às vezes eu em sentia diferente deles. Eram garotos meios bobos e garotas super chatas, a exemplo daquela que me encarava do outro lado do corredor. A garota tinha chegado na escola a pouco mais de seis meses e já era amiga de metade da escola. Não era comum entrar aluno novo no terceiro ano, ela devia ter vindo de outra cidade. Era rica, lógico. Dava pra ver pelas roupas que ela usava e pelo carro que ela dirigia. Quase nenhuma garota da sala tinha carro, então ela se achava a última bolacha do pacote. As meninas morriam de inveja dela e os meninos lambiam o chão que ela passava. Eu não sentia nem uma coisa nem outra. Achava meio ridículo a forma como ela se jogava pra cima de todos os garotos e inclusive dos professores. Um dia ouvi um colega da turma falando com outro no banheiro. - Cara, ela é doida. Só não trepei com ela porque estava sem camisinha na hora, e vai saber com quantos caras essa menina já ficou. O outro riu e comentou. - Pois eu peguei. Eu transei com ela. Aquilo me deixava irritado. Eu não gostava de caras que saiam falando das garotas que pegava e mesmo aquela ali sendo uma descarada, não merecia estar na boca daqueles merdas. Se eu fosse amigo dela, ia dizer umas verdades para aquela garota maluca. Ela ia acabar se dando m*l uma hora dessas. A p*****a me olhava e lambia o lábio com a ponta da língua. Ela nem disfarçava. Era uma garota super bonita. Não era o padrão de menina rica que eu conhecia. Ela tinha um corpo mais cheinho e pernas grossas. Não era esquelética como a maioria das adolescentes da nossa idade. Era bem branquinha e o cabelo preto cortado bem curtinho. Tinha um monte de tatuagens e um piercing de prata no nariz. Andava sempre maquiada e com um batom vermelho vivo. As roupas eram para chamar a atenção. Uma saia jeans bem curta e um top mais curto ainda e botas. Ela adorava se exibir. Acho que ela me odiava por não ter caído ainda na lábia dela como os bobocas da nossa turma já tinham feito e ela tinha chutado todos sem pena. Olhei pra ela e abri um sorriso cínico, falando pra mim mesmo. Vai pensando que eu vou cair na sua, garota atrevida. Você vai morrer de vontade. Alice, uma garota que eu ficava de vez em quando se aproximou de mim e se pendurou no meus pescoço. - E ai. Wille? Vai querer hoje? Continuei olhando para a sujeitinha que agora sorria pra mim. - Claro, na sua casa ou na minha? - Na minha gatinho, meus pais viajaram. Peguei a mochila e passei o braço pela cintura dela, indo em direção à saída. Tínhamos que passar bem na frente da minha perseguidora. Bem perto dela eu apertei a cintura da Alice e falei alto, pra ela ouvir mesmo e pirar de raiva. - Se prepare gatinha, estou daquele jeito! - Uiii, me arrepiei toda. A pirallha sem vergonha me mostrou a língua e o dedo do meio e em seguida enfiou o dedo na boca e chupou como se fizesse um boquete. Filha da p**a! Pensei em inventar qualquer coisa e não ir com a Alice. Ela não merecia que eu a usasse para fazer raiva a outra garota, mas depois pensei que nosso sexo era bom e ela merecia que eu desse uma boa f**a pra ela. Não valia a pena perder a chance de t*****r com uma garota legal por causa de uma chata que resolveu infernizar meus últimos dias naquela escola. Na verdade minha cabeça estava um pouco longe dali. Eu estava preocupado com meus pais. A situação deles era bem complicada e eu queria que aquilo se resolvesse logo. Fui com a Alice, mas não consegui fica tão à vontade e ela percebeu. - Que foi gato? Está chateado comigo? Ela estava nua nos meus braços e eu a abracei sorrindo pra ela. - Não. Não é nada com você, já te falei que meus pais estão se divorciando. Ela levantou e começou a vestir a roupa. Alice era do segundo ano e tinha dezessete anos. Ela nunca admitiu, mas eu acho que eu fui o primeiro cara que ela transou. Estávamos meio que nessa de se pegar a quase um ano e ela já conhecia meus pais. Nem ela e nem eu falamos de namorar sério. Mas eu estava querendo dar um tempo. Eu não queria criar ilusões na cabeça dela - Eu fiquei bem m*l quando os meus se separaram. Minha mãe sofreu pra caramba. Eu ri vestindo a calça. - Lá em casa é o contrário. Minha mãe é que inferniza meu pai. Alice ficou calada. Pigarreei meio constrangido. - Alice... eu queria te falar um negócio. Ela me olhou séria. - Eu também queria. Encarei-a surpreso. - Quer me falar uma coisa? Fala primeiro então. Ela torcia as mãos, meio nervosa. - Fala garota, está me deixando preocupado. - É que... sabe aquele seu colega... o... o Paulo... ele Arquei uma sobrancelha rindo por dentro. Ela estava querendo me dizer que... - O que tem o Paulo? Ela me encarou. - Ele me perguntou se a gente namora de verdade e.... - Alice, você está a fim do Paulo? Ela desviou o olhar. - Eu só queria saber que tipo de relacionamento nós termos e se... podemos ficar com outras pessoas ou não? Peguei a mão dela e a puxei para sentar ao meu lado. - Escute. Eu ia falar isso com você. Nós ficamos de vez em quando, mas...isso já está meio que... estamos ficando muito, ai eu acho que devíamos decidir o que fazer. - Tem chances disso virar namoro? Eu ri do jeito que ela falou. - Por você teria, mas eu não quero namorar. Ela respirou aliviada. - Então eu posso aceitar o pedido do Paulo? Balancei a cabeça incrédulo. - Pedido? Já tem até pedido é? Ela riu meio envergonhada. - Ele Pediu. Eu só estou pensando se ele não t*****r tão bem quanto você. Eu não ia dizer que já tinha visto o Paulo transando. Ele mandava bem. - Relaxe. O importante é gostar da pessoa, o resto vem junto. Ela chegou perto de mim. - Não vai ficar chateado? Toquei o rosto dela com carinho. - Não. Não vou. Vivemos coisas bem legais, não podemos ficar chateados um com o outro. - Verdade. Puxei o rosto dela para um beijo e toquei os lábios dela de leve. - O Paulo é legal. Mas se ele sacanear com você me avise que eu quebro a cara dele. Ela me abraçou. - Vê se não namora com uma garota chata. - Não vou namorar uma garota chata, prometo. Ela pulou da cama. - Quer pedir uma pizza? Levantei e peguei minha mochila. - Não. Vou pra casa. Quero conversar com a minha mãe. Ela me acompanhou até a porta e nos abraçamos um longo tempo. - Tchau gatinha, obrigada pelas transas gostosas, você é 10. - Tchau Wille, você é um cara excepcional. Apertei o nariz dela. - Nós somos. Até amanhã na escola. - Até amanhã.
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