O alfa - Parte Final

840 Palavras
No interior da tenda do alfa Schmidt cabe facilmente cinco pessoas e seu cheiro estava por toda parte. Só parado durante três horas é que percebo de quem se trata, eu só não quero acreditar e reluto para que o fato dele estar vivo fazer sentido. Talvez por isso fui tratado daquela maneira estranha, e estranha para mim quer dizer ser tratado bem. Penso nisso durante os dez minutos que volto a sentir os movimentos do meu corpo se normalizando. Me vejo intrigado querendo buscar no fundo da mente qual a última vez que o vi. Eu medito para me concentrar e relaxar, pois nesses últimos dias percebo que a paciência é uma virtude a qual esqueci de exercer. Minhas coxas se dobram em posição de lótus e mantenho a coluna ereta cercado de travesseiros ao meu redor. O toque de recolher é dado e não sinto mais ninguém fora de suas cabanas. A única presença de calor são as chamas da grande fogueira no centro da clareira que ilumina toda tribo Schmidt. Não estou contente em vestir apenas um pano branco envolta da cintura ou da pele de urso solta em minhas costas, mas como sempre digo, por mim eu fico nu por quase todo o tempo. Fecho meus olhos e respiro fundo por trinta longos segundos. No fim da contagem eu abro os meus olhos que de castanhos estavam prateados. Deixo toda a raiva contida uivar dentro de meu peito internamente e a libero sentindo o sangue ferver aumentando a adrenalina e a tensão do momento. De acordo com meus cálculos preciso somente de quarenta e cinco minutos para exterminar todos os seres patéticos dos Schmidt e fazer o alfa ter a certeza de que me trazer ali não foi uma boa ideia. Seria um bom reencontro com ele, não seria? Só assim para fazê-lo me deixar em paz de uma vez por todas e perceber com quem estava lidando, que eu não sou mais o mesmo e já deixei de ser a muito tempo quando melei as mãos de sangue pela primeira vez. Talvez deva começar por Alicia e depois Javiax. Eles são os mais proeminentes do bando. Agora tenho a certeza, mas nenhuma célula minha está sobre o efeito do maldito instinto de Nero e ergo a b***a do colchão para desaparecer dali assim que passasse da porta, mas não é exatamente o que acontece. Sou surpreendido com um chute na boca do meu estômago que me faz cuspir um pouco da água que me deram mais cedo e sou jogado para dentro da tenda mais uma vez. O golpe me faz cair deitado e de pernas abertas sem a pele de urso que me cobria. Tenho certeza de que Alicia, mesmo Javiax não conseguiriam ter esse reflexo ou força, tampouco ocultar-se tão bem a ponto de confundir meus sentidos, mas, esqueço-me por um momento que em forma humana o meu faro ou adição não são tão aguçados e por isso dei a******a para ser golpeado. Além disso, o chute que levei não é uma pata de lobo, seja quem for o agressor está em forma comum e ainda assim continua sendo forte, ou seja... Quem está diante de mim é o seu alfa. Ele se veste como eu, quase nu. Não há pelos no seu corpo que é bem definido e trabalhado, pouco mais alto que eu. Os cabelos parecem estar da mesma forma que os deixei, claros e bem aparados, nunca rebeldes como os meus. O alfa era quase que oposto a tudo que eu me propunha, desde aparência física aos gestos, costumes e comportamentos. Dos pés à cabeça, meus olhos acompanham e se cruzam aos dele que são azuis. Quanto tempo não admiro aqueles lábios finos e as bochechas coradas, o semblante superior e dominante de quem gosta de dar ordens e ditar regras. Pela primeira vez em anos sinto o meu coração bater forte, mas não é paixão ou qualquer tipo de sentimento bom. Eu o conheço o alfa melhor do que ninguém. — Dougie? — Pergunto sem querer acreditar. — Vai embora sem falar com o velho amigo antes? — Pergunta Dougie. O alfa vem em minha direção enquanto concerto o meu corpo e me sento de modo a não parecer frágil ou abalado, mesmo porque eu não me sentia assim. Estou cansado de ser frustrado por todos os lados e quanto mais evitar constrangimentos para alimentar o ego de Dougie, melhor para mim. Por algum motivo, eu me importo com o que ele pode pensar. Dougie se ajoelha na tenda e continua a me encarar fixamente mantendo seu queixo erguido e a respiração calma. Me pego encarando seu abdômen se mover desordenado e isso me traz lembranças de como tudo que acontece entre nós é intenso. — Essas são suas últimas palavras antes de morrer? — Minhas presas crescem. — Irônico é você me perguntar a mesma coisa que a Emily antes dela morrer em meus braços. — Dougie também mostra suas presas. Após aquilo, um avança sobre o outro.
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