Pré-visualização gratuita Antes do inferno
Carla sempre chamou atenção.
Mesmo quando não queria.
Não era só pela beleza — embora ela fosse impossível de ignorar.
Cabelos loiros que caíam como seda pelos ombros, olhos azuis que pareciam enxergar mais do que deviam… e aquele tipo de corpo que fazia qualquer homem olhar duas vezes, mesmo tentando disfarçar.
Mas não era isso que incomodava.
Era o jeito.
Carla não se oferecia.
Não sorria fácil.
Não dava a******a.
E talvez fosse exatamente isso que a tornava tão… perigosa.
Ela andava pelas ruas como se o mundo não tivesse nada a oferecer.
Cabeça erguida, passos firmes, ignorando olhares, assobios, intenções.
Mas por dentro?
Ela estava cansada.
Cansada de sobreviver.
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O pequeno apartamento onde morava m*l podia ser chamado de lar.
Paredes finas, móveis antigos e o silêncio pesado de quem não tinha ninguém esperando.
Naquela noite, ela jogou a bolsa no sofá e se encostou na porta por alguns segundos, fechando os olhos.
Respirou fundo.
Mais um dia.
Mais um dia fingindo que estava tudo sob controle… quando, na verdade, tudo estava desmoronando lentamente.
As contas acumulavam.
O trabalho já não pagava o suficiente.
E as mensagens no celular… aquelas mensagens… começavam a ficar mais frequentes.
Mais insistentes.
Mais ameaçadoras.
Ela pegou o celular com a mão levemente trêmula.
Número desconhecido.
De novo.
> “Você sabe que não pode fugir pra sempre, Carla.”
O estômago dela revirou.
Não era só uma cobrança.
Era um aviso.
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Carla não era inocente.
Ela sabia exatamente em que tipo de problema tinha se metido meses atrás.
O que ela não sabia…
era o quão fundo aquilo ia.
E o quão caro ela pagaria.
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No dia seguinte, o ar parecia mais pesado.
Ela saiu mais cedo do que o normal, tentando afastar aquela sensação estranha no peito.
Mas quanto mais andava… mais tinha a impressão de estar sendo observada.
Seguindo.
Esperando.
Ela virou a esquina apressada, o salto ecoando no asfalto, quando sentiu.
Presença.
Antes mesmo de ver.
Seu corpo travou por um segundo.
Lento.
Instintivo.
Errado.
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Um carro preto parou perto demais.
A porta abriu.
E naquele momento…
Carla entendeu.
Ela não estava mais no controle de nada.
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Dois homens desceram.
E o mundo ao redor simplesmente… silenciou.
O primeiro era impossível de ignorar.
Alto. Muito alto.
Corpo forte, definido de forma quase absurda, como se cada movimento fosse calculado.
Cabelos curtos, algumas tatuagens marcando a pele… e um olhar frio o suficiente pra gelar qualquer um.
Brandão.
Ele não parecia alguém que falava muito.
Parecia alguém que decidia.
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O outro… era diferente.
Mas não menos perigoso.
Alto como o primeiro, corpo igualmente marcado, músculos desenhados sob a camisa.
Pele morena, tatuagens espalhadas, cabelo cacheado preso em um coque despojado… com as laterais baixas e um risco marcando a sobrancelha.
Mas o que mais chamava atenção…
Era o olhar.
Intenso.
Vivo.
Quase… instável.
Romenio.
E quando os olhos dele encontraram os dela…
Carla sentiu.
Problema.
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— Então é ela… — a voz de Romenio saiu baixa, quase um murmúrio carregado de algo que ela não conseguiu identificar.
Brandão não respondeu de imediato.
Ele apenas a analisou.
Dos pés à cabeça.
Sem pressa.
Sem vergonha.
Sem pedir permissão.
Como se já soubesse…
Que ela não tinha escolha.
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Carla deu um passo para trás.
— Eu acho que vocês estão enganados—
— Não estamos. — Brandão cortou, frio.
Simples assim.
Sem espaço.
Sem discussão.
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O coração dela disparou.
— Eu não vou com vocês.
Romenio soltou uma risada baixa.
Perigosa.
— Não é um convite, princesa.
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E naquele exato momento…
Carla entendeu uma coisa com uma clareza assustadora:
Ela podia lutar.
Podia gritar.
Podia correr.
Mas nada daquilo ia impedir o que estava prestes a acontecer.
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Brandão abriu a porta do carro.
Romenio deu um passo mais perto.
E o mundo que Carla conhecia…
acabou ali.