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1492 Palavras
Mirella Eu corri para fora do escritório de Marco e desci os degraus do showroom. Minha decisão precipitada de vir até ali tinha se voltado contra mim. Mas, embora eu tivesse sido tola ao pensar por um segundo que ele me ajudaria, a forma como lidou com o meu pedido foi completamente inadequada. Quem ele pensa que é para me tratar daquele jeito? Eu o abordei com uma oferta legítima, e ele transformou tudo em uma piada. Claramente, aquele homem só estava interessado em uma coisa. Sexo. Talvez eu devesse ter feito isso. Eu realmente queria. Mas agora não era a hora, e ceder tão facilmente tornaria qualquer interação futura com ele insuportável. Saí apressada da concessionária em direção ao meu carro, mas antes que eu pudesse apertar o botão do controle remoto para destravar a porta, o carro de Oliver bloqueou o meu. Caramba! Ele saiu do veículo e se encostou no capô. — Como eu sabia que encontraria algo? — disse. — Você está aqui? Não me diga que está procurando um carro. — Estou interessada em comprar um Corvette fúcsia. — Engraçado. Eu também estou no mercado para um lunático quente, ruminante e maníaco com uma tendência à violência. Ele sorriu de lado. — Mas isso é assunto para o meu terapeuta. — Eu compro um de presente de casamento para você, mas não nessa loja de quinta categoria. — Ele olhou em volta. — Não daria um centavo para esse negócio corrupto. — Você julgando alguém como corrupto? Isso é engraçado. Quando ele avançou na minha direção, recuei lentamente em direção à concessionária, torcendo para que as câmeras nos flagrassem. — Indo a algum lugar? — Ele agarrou minha mão e me puxou em direção ao carro dele. — O que vou fazer com você? — O que você quer fazer? — suspirei. — Minha noiva. — Eu não sou sua noiva. — Me desvencilhei do aperto. — Eu nunca serei sua. Você precisa… entender isso. — Não diga esse tipo de coisa. — Ele acariciou minha bochecha. — Você pode me ofender. — Não me toque. — Virei-lhe as costas. — Lamento desapontá-la, mas em poucos dias estaremos noivos e, em cerca de um mês, você será minha esposa. — Ele sorriu. — Em todos os sentidos da palavra. E, se tivermos sorte, você nos dará um herdeiro em um ano. — Não. — Levantei a mão, enojada com a ideia de ele me engravidar. — Isso nunca vai acontecer. — Não esteja tão certa assim. — Meu pai não tinha o direito de prometer você isso. — Um herdeiro é óbvio. Como mais daríamos continuidade à linhagem? Meu objetivo é tirar sua virgindade e colocar um bebê nessa barriga na primeira tentativa. — Acabei de vomitar um pouco na boca. — Vejo que você precisa de uma lição de boas maneiras. — Você não pode me obrigar a casar com você. Eu não vou fazer isso. Não vou dizer as palavras. Nem vou aparecer. — Acenei com as mãos no ar. — Ninguém se casa contra a própria vontade. — Como se você tivesse escolha. Depois que entrar no meu carro, você não sai mais da casa do seu pai. Eu garanto. — Ele riu, e meu estômago se revirou. — Então eu não vou entrar no seu carro. — Cruzei os braços sobre o peito. — De novo… como se você tivesse escolha. Olhei em volta para a área m*l iluminada. — Vou gritar e espernear. Alguém vai ouvir. Marco está lá em cima. Há seguranças por toda parte. — Marco não vai intervir. — Oliver olhou ao redor do terreno vazio. — Não se souber o que é bom para ele. Vir ali à noite não tinha sido a minha melhor ideia. Eu realmente achava que estaria segura com Marco. Talvez eu devesse ter percebido que… sexo nunca foi uma moeda de troca segura. — Eu não vou a lugar nenhum com você. — Apontei para ele. — Vou dizer ao meu pai que você é abusivo. Ele odeia quando sou maltratada. Vou mentir e dizer que você me bateu. — Continue assim e você não vai precisar mentir. — Ele agarrou meu braço e tentou me empurrar para dentro do carro. Se eu entrasse, não teria chance alguma. Eu precisava chegar até minha mãe. — Sai de perto de mim! — gritei. — Eu te disse para ficar longe dele — rosnou Oliver. — Agora você vai pagar, sua v***a estúpida. — Ela não é a única que vai pagar. Virei-me e vi Marco parado à minha frente, arma em punho, apontada para Oliver. Seis homens o acompanhavam. Graças a Deus. — Posso te prometer isso. — Marco lançou-me um breve olhar antes de voltar a atenção para o lunático que achava que eu me casaria com ele. — O que é isso? — Oliver soltou meu braço. — Você acha que isso vai agradar às outras famílias? — Até onde eu sei, você não tem ligação com nenhuma delas — disse Marco. — E nem é italiano. — Vocês são uma espécie em extinção. Até seu pai sabe disso. Não foi por isso que ele fugiu? Merda. — Vai se f***r. — Marco me puxou para perto, pressionando a arma contra minha lateral. Seus homens ergueram as armas, rendendo Oliver. — O que você está fazendo? — Oliver perguntou. — Fazendo uma refém? — O quê? — Olhei por cima do ombro, encontrando o olhar ameaçador de Marco. O metal frio da arma me impediu de reagir. — Você está louco? — Oliver rosnou, mais irritado comigo do que com Marco. — Você tem ideia do que fez vindo até aqui? Talvez a culpa fosse um pouco minha. — Já fiz coisas bem mais malucas. — Marco apertou meu braço. — Quer mesmo me desafiar? — Solte-a — disse Oliver. — Você não pode sequestrar a filha de Antônio. Você sabe das consequências. — Observe-me. — Marco sorriu. — Eu não dou a mínima para consequências. Sim. Observe-o. Meu coração disparava. Ter uma arma carregada pressionada contra o corpo realmente aumentava a adrenalina. — Diga ao Antônio que, se quiser ver a filha novamente, talvez deva pensar duas vezes antes de transportar essa carga. — Você sabia? — sussurrei. — E diga também que qualquer envolvimento dele na partida do meu pai precisa ser desfeito — e rápido — se quiser que ela continue respirando. — Não sei se você é corajoso ou e******o — murmurou Oliver. — Não sou e******o, senhor Garcia. A decisão está nas suas mãos. Marco me virou e me levou até um SUV preto estacionado do outro lado da rua. Eu acompanhei o ritmo, ansiosa para me afastar de Oliver. Ele abriu a porta do motorista e me empurrou para dentro. — No banco do passageiro. Ele realmente estava levando essa encenação de refém a sério. Estranhamente… era sexy. — Certo. — Rastejei pelo console central, tentando puxar o vestido para baixo. Inútil. Ele provavelmente viu minha calcinha. E considerando o que tinha feito comigo minutos antes, isso realmente importava? Ele entrou, bateu a porta e arrancou. Os pneus cantaram no asfalto. Uma onda de excitação percorreu meu corpo. — Bem… — Suspirei ao colocar o cinto. — Isso foi alguma coisa. Marco mantinha os olhos fixos na estrada, maxilar tenso. Por que ele parecia sempre tão irritado? E por que isso era tão atraente? — Você sabia do plano do meu pai com o Oliver — eu disse. — Por que não me contou? — Eu te disse que não precisava da sua ajuda. — Você tentou se aproveitar de mim. — Não tentei pegar nada que você não estivesse oferecendo. — Acho que agora você nunca vai saber. — Certo. — Ele aumentou o volume do rádio. — Obrigada por me salvar. Mesmo com toda essa dramatização. — Não foi teatro. — Ainda assim… obrigada. Ele não respondeu. — Você pode me deixar no Ritz. Marco continuou dirigindo, cada vez mais longe da cidade. — Esse não é o caminho do hotel. — Estamos saindo da cidade. — Para onde estamos indo? Silêncio. — Marco… — engoli em seco. — Você realmente me sequestrou? Ele não respondeu. — Ainda dá tempo de parar com isso. — Você não faz ideia de como isso funciona — disse ele, finalmente. — Acha que seu pai vai simplesmente aceitar? Meu estômago afundou. — Onde está seu telefone? — Aqui. — Me dê. Antes que eu reagisse, ele jogou o celular no rio. — Você enlouqueceu?! Minha vida inteira estava ali! — Que tipo de sequestrador eu seria se deixasse meu refém com um telefone? — Eu não sou sua refém! Ele agarrou meu braço, me puxando para perto. — Não me teste. Abri a boca para responder, mas ele me interrompeu: — Sequestro não é a única coisa que estou disposto a fazer para conseguir o que quero.
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