A madrugada no topo do Morro do Turano possuía uma textura diferente de qualquer outro lugar do Rio de Janeiro. Ali, o silêncio não era ausência de som, mas uma trégua vigilante. O relógio digital no criado-mudo de madeira escura marcava pouco depois das seis da manhã, projetando números avermelhados que cortavam a penumbra do quarto principal da mansão. Sete abriu os olhos instantaneamente, como se um cronômetro interno tivesse disparado. Anos de comando, de noites m*l dormidas com o rádio sob o travesseiro e o fuzil ao alcance da mão, transformaram seu sono em uma sentinela constante. No crime, o amanhecer era o horário da troca de turno, o momento em que a guarda baixava e o perigo costumava subir a ladeira disfarçado de névoa. Ele respirou fundo, sentindo o peso do próprio corpo contr

