Lobão narrando Na hora que ela falou aquilo… que nunca sentiu nada por mim, que me odiou desde que soube da minha existência… eu senti o mundo girar. Não de dor. Isso eu já engoli faz tempo. Mas de raiva. Uma raiva fria, calculada, que vinha de um canto escuro onde só quem sobrevive, a gente como ela conhece. A Ana tava pálida, os olhos vidrados. Eu via o medo nela, mas também via coragem. Ela tava lutando pra não desmoronar, e isso me deu força. Eu precisava mantê-la viva. Ela não ia morrer por causa dos pecados da minha mãe. Isso eu juro por tudo que tenho. Fiz um leve sinal com a cabeça, quase imperceptível. Ana entendeu. Aquela menina é mais forte do que qualquer um imagina. — Agora. — falei num tom baixo, direto pra ela, como se o mundo inteiro tivesse desaparecido e só restasse n

