Depois daquele episódio em sua casa, Claira fugia de Eduardo sempre que podia. Procurava usar sempre Michelle e Milena como intermediárias, e andava sempre rápido e de cabeça baixa pelos corredores, não queria dar de cara com Eduardo . É claro, que ela não conseguiria evitar o encontro por muito tempo, e quando este aconteceu, foi melhor do que ela esperou. Eduardo a tratou normalmente, sempre com aquele toque de brincadeira, mas falando sério quando se tratava de assuntos de trabalho. Clara se sentiu aliviada, mas uma parte dela ficou decepcionada. Embora não admitisse nem para si mesma, ela queria que ele tivesse tocado no assunto.
Ela e as amigas acabaram não saindo para nenhuma boate com Alberto, mas o convidaram para almoçar na casa delas no sábado, e Milena, que estava saindo com Micael, também o convidara para o almoço. Eles passaram uma tarde muito divertida, deram belas gargalhadas e relembraram a vida em Portugal .
No domingo, Clara resolveu fazer uma visita à casa de Gardenia com sua mãe. Ela achou a senhora um pouco pálida e abatida, mas seu humor e seu jeito inteligente continuavam os mesmos. Clara simplesmente adorava conversar com ela. Enquanto estavam lá, Eduardo chegou.
Ele cumprimentou a mãe de Clara com um aperto de mãos, a avó com um beijo na bochecha e Clara com um beijo na bochecha mais demorado do que realmente era preciso. Ele se sentou ao lado dela no sofá e começou a conversar animadamente com todas. Era realmente muito fácil conversar com eles, exatamente como quando eles eram crianças, era como se aqueles anos da adolescência deles não tivesse existido e eles nunca tivessem ficado tantos anos atrasados. Eduardo era um homem legal, pena que era tão galinha.
Os dias passaram, o mês de agosto estava chegando ao fim e eles finalmente entregaram e finalizaram a animação da campanha da empresa de cosméticos. Mesmo com o curto tempo, Clara e sua equipe trabalharam dobrado e entregaram tudo a tempo.
Era quarta-feira de manhã e eles teriam uma reunião com os diretores a respeito do grande projeto deles para o início do ano seguinte. Um novo sistema operacional para celular que seria lançado juntamente com um novo jogo para computadores. A equipe de TI estava presente na reunião, assim como a equipe de criação. Clara estava nervosa, e Eduardo percebendo isso segurou a mão dela por debaixo da mesa.
- Calma, vai dar tudo certo – ele sussurrou.
Ela temia que seu pai, o pai de Eduardo e Gardenia não gostassem do projeto, mas para sua tranquilidade, eles aprovaram e ainda os parabenizaram pela forma como estavam conduzindo a empresa. A reunião terminou próximo ao horário do almoço, e Clara esperou que todos saíssem para falar com Eduardo.
- Eu não acredito que eles gostaram!
- Eu sabia que eles gostariam! Nós estamos fazendo um bom trabalho.
- Ah... não vem com essa, você também estava apreensivo.
- Bom, - ele admitiu – estava sim. Afinal quem está sendo vigiado pelo pai sob o risco de ser deserdado sou eu.
- Ah, você acredita que ele realmente faria isso? – eles saíram da sala de reuniões e deram de cara com Cintia. Ela olhou Clara com cara de poucos amigos e saiu sem falar nada.
- Se eu continuasse irresponsável como antes, eu não tenho dúvidas – ele olhou para Cintia enquanto ela se afastava
– Algum problema entre vocês duas?
- Eu que te pergunto, ela está assim desde aquele dia, sabe... na sua sala... na sua mesa... – ela fez cara de nojo fazendo Eduardo rir.
- Você tinha que ver sua cara quando disse isso Clara. Mas eu acho que sei por quê ela está assim. No dia seguinte ao flagra que você nos deu, ela foi à minha sala, vestida daquele jeito, com batom vermelho e eu a dispensei, dizendo que nós dois havíamos conversado e que aquilo não podia mais acontecer na empresa.
- Muito bem senhor presidente – Clara disse
– Mas agora entendo a animosidade. Acabei com os planos dela de virar a Sr. Magalhães .
- Não fala uma coisa dessas pelo amor de Deus!
Eles entraram na sala da presidência e Clara caiu na gargalhada.
- É sério, ainda mais a Cintia. Aquela ali só quer a influência do meu nome e meu dinheiro e ganhar de quebra, esse corpinho aqui – ele se sentou na cadeira apoiando as cabeça nas mãos e depois continuou
– A verdade é que você me salvou de uma boa.
- Como assim?
- Saí com ela pela primeira vez há mais ou menos um ano atrás, mas com uma mulher como ela, era só sexo.
- Como com todas as outras – Clara o interrompeu.
- Ei, não precisa falar assim também. Mas continuando a história – ele a olhou de cara feia – eu saí com ela algumas vezes, a situação estava confortável para mim, então eu deixei rolar. Eu nunca, nunca prometi, nem sequer mencionei nenhum tipo de compromisso com ela, mas ela saiu espalhando por aí que era minha namorada. Eu fiquei furioso, a procurei e disse com todas as letras que só queria sexo com ela e pronto, quer dizer, a partir daquele momento nem sexo eu queria mais.
- Deixa eu adivinhar, ela não te deixou em paz, é isso?
- Acertou em cheio.
- E o que foi aquela cena que vi aqui nessa sala? Saudades? – Clara perguntou sarcástica.
- Não, a verdade é que eu estava pensando em uma outra mulher que estava me deixando louco, ela não me dá bola – ele deu um olhar cheio de significados para Clara
- Cintia apareceu e me pegou com a guarda baixa.
- Eduardo a, sua vida amorosa é extremamente agitada. Eu poderia escrever um livro – ela se levantou
– Bom eu vou sair para almoçar, até mais.
Eduardo ficou olhando para a porta que Clara acabou de fechar e de repente sentiu um vazio. Ele realmente gostava da companhia daquela morena. Ele nunca tinha sentido isso por ninguém antes.
- Clara! – ele gritou pelo andar da presidência antes que ela entrasse no elevador – Espera.
- O que foi Eduardo?
- Queria te convidar para almoçar comigo – ele falou se aproximando.
Clara o olhou com a testa franzida.
- Almoçar?
- Sim, tem um restaurante aqui perto que eu adoro, podemos ir até andando – ele chamou o elevador, fingindo não notar o olhar curioso dela.
- Por que você está me chamando para almoçar?
- Eu preciso ter um motivo para isso? – ele finalmente olhou no fundo daqueles olhos castanhos.
- Acho que não... tudo bem, vamos lá.