Capítulo 16

1976 Palavras
- O QUE? – Eduardo gritou, não se importando pelo fato de estar em um hospital – Isso só pode ser piada, não é? – ele olhou do pai para o advogado da avó, Tomas. Ambos estavam com expressões sérias. Não era piada, nem brincadeira e ele não estava sonhando. Gardênia queria obrigá-lo a se casar e rápido, visto que ela tinha mais um ano de vida. Tomas abriu sua pasta e falou pela primeira vez, com uma voz rouca: - Eu trouxe uma cópia do testamento da sua avó, e anexado ao testamento, você poderá encontrar o atestado de sanidade que ela mencionou. Está tudo dentro da lei, Eduardo . – ele acrescentou. Eduardo demorou pelo menos um minuto inteiro até conseguir se mover e pegar o envelope que ele lhe estendia. - Eu vou levar isso para o Daniel ver, isso não pode ser legal! Nós estamos em pleno século XXI, vocês não podem me obrigar a casar! - Sua avó não está o obrigando a casar – Tomas disse, sem altera o volume da sua voz, embora Ethan estivesse quase gritando – Ela está impondo uma condição para que as ações da empresa que pertencem a ela sejam suas. Você tem escolha, você pode não se casar. - Sim e perder a empresa, não é? – ele olhou para o pai – Se a maior parte das ações são dela, eu perderia a empresa, seria um sócio com poucas ações. - É isso mesmo, filho – Jeferson respondeu. - O senhor não pode estar de acordo com um absurdo desses. - Filho, eu concordo com tudo que a sua avó disse sobre a forma como leva sua vida pessoal. Não vou dizer que eu faria o que ela fez com relação ao testamento, à sua herança, mas a decisão é dela, as ações são dela e ela está dentro da lei. - Então o senhor não vai fazer nada para impedir isso? – ele sentia seu rosto queimar. Tinha certeza que estava vermelho feito um pimentão e com uma expressão de louco. E era assim mesmo que ele estava se sentindo, louco da vida! - Não posso, não é minha decisão! - Eu não acredito! – ele passou a mão pelo rosto e começou a andar pelo quarto. - Eu não ouvi você dizer nada ainda, Clara, minha querida – Eduardo ouviu a avó dizer. Até tinha esquecido que ela estava ali. Quando olhou para ela viu que ela estava atônita, parecia achar aquilo tudo um absurdo. - Eu, eu... não sei o que dizer. Sinceramente não sei – ela pensou um pouco – Meu pai sabe disso? - Eu pedi que Jeferson mantivesse sigilo, afinal, as ações da sua família não serão afetadas. - Entendo, mas se metade da empresa será afetada por esse testamento, acho que ele gostaria de saber. - Eu sei, mas quero pedir que mantenha sigilo por enquanto, Clara, isso tudo aconteceu tão rápido por causa do câncer. Vamos deixar a poeira abaixar e depois contamos para ele, o que acha? Eduardo viu Clara assentir, mas se a conhecia bem, ela estava achando tudo aquilo um disparate tanto quanto ele. Parecia se conter por puro respeito à sua avó. Clara ficou olhando Tomas, o advogado se despedir de todos e percebeu que era a sua deixa. - Bom, eu vou aproveitar e vou embora também, o dia foi longo e preciso descansar – “Longo, e terminou da maneira mais inesperada possível”, completou em pensamento. - Oh Clar, eu preciso agradecê-la por ter acompanhando meu neto, sei que as notícias de hoje foram... inesperadas. - Inesperada é pouco minha vó – Clara observou que ele parecia magoado com Gardênia , também não era para menos. Então ele se virou para ela – Acabei de lembrar que você está sem carro, Clara. - Não se preocupe, eu pego um táxi e vou buscar meu carro. - Não, de forma nenhuma, eu te levo – Eduardo viu a expressão curiosa no rosto da avó e do pai e explicou – Clara estava comigo quando recebi sua ligação pai, como o senhor sabe, eu não reagi muito bem e ela veio dirigindo meu carro. - Ele estava tremendo dos pés à cabeça, eu não podia deixá-lo dirigir assim. - Então nada mais do que justo que você a leve – o pai dele respondeu. - É o que vou fazer. Vamos Clara? Depois que se despediram e saírem do quarto, Clara viu Eduardo respirar fundo e passar as mãos pelos cabelos desgrenhados. - Você está bem? – ela perguntou baixinho. - Não Clara, eu não estou. Eles permaneceram em silêncio no caminho até o carro de Eduardo. Ele pegou as chaves que ainda estavam com Clara e dirigiu. Ela ficou todo o caminho olhando pela janela, pensando. A situação era tão absurda, tão... tão... louca? Inexplicável? Estranha? Eduardo teria que se casar para não perder a empresa? Para não leiloarem metade da empresa? Isso era loucura! Ela o olhou de lado, só conseguia imaginar tudo o que estava passando pela cabeça dele. Quando finalmente voltaram à empresa, ela desceu do carro. Eduardo também desceu e a acompanhou até o carro dela, quando ela destravou o carro, ele abriu a porta para ela. Clara olhou nos fundos dos olhos dele. - Vai pra casa descansar Eduardo, você deve estar precisando. - Não, vou seguir seu carro até sua casa para ter certeza que você chegou em segurança. Clara viu a expressão dele e resolveu não discutir. Quando chegaram na frente do edifício dela, ela não entrou na garagem, estacionou o carro e o desligou. Esperou uns instantes, e viu pelo retrovisor quando Eduardo saiu do próprio carro e se sentou no banco do carona. - O que eu vou fazer Clara? - Você tem duas opções, ou se casa, ou não se casa. - E perco a empresa? - É... isso também. - Isso não é uma opção Clara. - Então vai se casar? Com quem? E em tão pouco tempo... a não ser que tenha uma pretendente... uma dessas mulheres com quem você sai... – ela disse em dúvida. Ele começou a gargalhar, uma gargalhada de desespero, ela percebeu. - Minha avó acertou em tudo que ela disse Clara, inclusive quando disse que as mulheres com quem saio iam arrancar cada centavo meu assim que tivessem uma chance. Não são mulheres para casar. - E se vocês fizessem um contrato? – ela disse animada – Onde constasse que vocês de divorciariam assim que o testamento da sua avó fosse cumprido, ou seja... bem você sabe... – ela terminou envergonhada. - Assim que ela morresse – ele completou arrasado - Bom não é uma má ideia... mas... com quem? - Me diga, como se parecem as mulheres com quem você sai? - Humm – ele pensou um pouco – São mais ou menos como Cintia. - Cintia? A Cintia que eu conheço? Nossa Eduardo, se essas forem as suas únicas opções você está realmente enrolado. - Não está ajudando Clara. - Estou falando sério, Eduardo. Pensa! Olha o tipo de mulher que a Cintia é, daria para casar com ela? Mesmo que fosse por contrato? Você conseguiria conviver com ela debaixo do mesmo teto por um ano mais ou menos, levá-la para almoços de domingo na casa do seu pai, festas de fim de ano? Já imaginou aquela mulher ou qualquer uma como ela no meio da sua família? - Argh!!! Eu estou muito fodido! Você tem razão, eu não seria louco de levar nenhuma dessas mulheres para o altar, nem que fosse para um casamento de mentira. Eles ficaram calados por cerca de três minutos, então Clara falou: - Olha Eduardo , acho que nós dois precisamos descansar, mas posso te pedir uma coisa? – ele a olhou com aqueles olhos azuis maravilhosos, que agora, estavam desesperados – Quando você se acalmar, vá conversar com Gardênia . Sei que você está com raiva, mas não se esqueça que ela está doente, ela precisa de você. - Eu sei Clara, só preciso me acalmar um pouco – ele se virou para ela e lhe deu um beijo na bochecha – Ainda bem que você estava comigo hoje. Muito obrigada, de verdade! – e então saiu. A primeira coisa que fez no dia seguinte foi ligar para Daniel e pedir que ele fosse até a empresa o mais rápido possível. Estava andando de um lado para o outro, quando o amigo bateu na porta e entrou. - E aí cara? O que era tão importante assim? - Olha a cópia do testamento da minha avó! – Eduardo apontou para o envelope em cima da mesa. Ficou observando a expressão do amigo, que passou de calma a incrédula. - Sua avó quer que você se case? É isso? - Sim, escuta só, vou te contar a história toda. Então Ethan contou tudo que acontecera na noite passada. - Por favor Daniel, me fala que podemos reverter isso. - Olha Eduardo , eu temo que não, ela determinou uma condição para que você receba as ações como herança e pronto. Eu posso tentar, mas não creio que eu possa fazer muita coisa, enquanto isso, sugiro que considere a outra opção. - Qual? Me casar? – ele se levantou e recomeçou a andar pela sala – Me diga, com quem? Com essas mulheres que saio é que não posso me casar. - Com certeza não, quando vocês se divorciassem elas iam querer levar até suas bolas de você. - Então o que eu faço. Quem me garante que qualquer mulher não vá me arrancar parte da empresa quando nos divorciarmos. Você acha que algum tipo de contrato teria valor legal? Do tipo, determinando certas coisas sobre esse casamento de mentira. Quem sabe eu não pago alguém para fazer isso. - É uma opção, e eu posso fazer sim um contrato que seja válido. Você só precisa encontrar a futura Sra. Magalhães - Só? Essa é a parte mais difícil. Eduardo m*l conseguiu trabalhar aquele dia, saiu um pouco mais cedo da empresa e resolvi visitar sua avó. Por mais magoado que tivesse se sentindo, era de Gardênia que estava falando, não podia ficar brigado com ela. Assim que entrou no apartamento da avó, deu de cara com Monica . Elas estavam conversando animadamente. - Olá Eduardo , como vai? – ela o cumprimentou. Ficava muito diferente com aquelas roupas de trabalho, muito mais formal do que quando não estava trabalhando – Vim aqui ver sua avó, mas vou te dizer, ela me mata de rir. - Que isso, você que é uma graça. Tenho que me lembrar de agradecer Clara por ter te pedido para vir até aqui, agora minha estadia será muito mais animada. - Eu venho sempre que puder, agora se me dão licença, tenho algumas mamães em trabalho de parto para atender. Monica os deixou sozinhos. Eduardo olhou para a avó com um misto de sentimentos, mas simplesmente não podia ficar com raiva dela. Suspirou e fez seu pedido de desculpas. No da seguinte, sexta feira, Eduardo ainda não tinha uma solução para seus problemas. Não via Clara desde quarta a noite, e sentiu que precisava conversar com ela. Como estava totalmente sem fome, em vez de sair para almoçar resolveu descer até o andar de baixo e ver se ela já havia saído. Milena estava saindo para almoçar quando ele chegou. - Clara está aí, Milena? - Sim senhor, ela mandou trazer o almoço dela e decidiu almoçar no escritório mesmo. Quer que eu o anuncie? - Não é preciso, obrigado. Eduardo abriu a porta devagar e a viu sentada em uma poltrona de costas para a porta e de frente para as imensas janelas. Se aproximou para ver o que ela estava fazendo e viu que ela estava desenhando.
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