Capítulo 11

1758 Palavras
No dia seguinte, Eduardo saiu de casa a caminho da empresa e olhou para os esboços de Clara que estavam no banco do carona ao seu lado. Eles eram muito bons e ela havia feito aqueles desenhos em pouquíssimo tempo. Eduardo se perguntou por que ela estava no ramo dos games quando poderia ser uma artista famosa. Desde que a beijou naquela boate sabia que teria que beijá-la de novo e não somente sua boca, cada parte de seu corpo. Mas depois da cena que ela presenciou na noite anterior, ele sabia que teria muita dificuldade em se aproximar dela novamente, mas depois daquele episódio com Cintia... não seria nada fácil. Tinha planos de ir à sala dela assim que chegasse, mas assim que chegou à sua sala Cintia estava lá. Saia apertada, blusa decotada e um batom vermelho nos lábios. Em outra ocasião até ficaria animado com aquela cena, mas hoje não, não quando uma morena teimosa era a única mulher que dominava seus pensamentos no momento. - Bom dia chefinho – ela disse com uma voz baixa - Eu trouxe uns documentos para você olhar para mim. - Obrigada Cintia, era só isso? – ele respondeu seco. - Hummm – ela fez um biquinho - E o meu bom dia – ela começou a se aproximar dele. - Pode parar por aí, não podemos fazer isso aqui na empresa. Conversei com a Clara ontem e ela está certa, eu sou o presidente não um moleque. - Argh... tinha que ser essa Clara - Olha o tom que sua, ela também é sua chefe. - Ah, mas você não deixaria ela me demitir, deixaria? – ela fez charme. - Se ela quiser, eu confio totalmente no julgamento dela. Cintia ficou furiosa, Eduardo percebeu, abriu a boca para dizer alguma coisa, mas aparentemente decidiu por não fazê-lo e saiu sem dizer mais nada. Por volta das dez da manhã, Eduardo foi à sala de Clara com seus esboços em mãos. Como Melaine disse que não tinha ninguém com ela, entrou ser anunciado. Ela estava com seus olhos na tela do computador, concentrada não o viu entrar, então ele teve alguns minutos para observá-la. E o que viu o fez desejá-la ainda mais. Lábios perfeitos entreabertos, olhos castanhos, um nariz fino, pele morena clara com pequenas pintinhas espalhadas pelo rosto, a testa ligeiramente franzida mostrando como ela estava concentrada. Então ela o viu. - Olá Eduardo , não vi que estava aí – ela disse – precisa de alguma coisa? - Eu olhei seus esboços – ele respondeu sentando-se. - E então, o que achou? - Achei perfeitos! Clara, eu tenho que dizer, você é extremamente talentosa, me surpreendo muito você não estar expondo diversas pinturas em uma galeria ou algo assim. - Esse era o plano inicialmente – ela respondeu – mas as coisas acabaram mudando. Ainda assim eu p***o e desenho sempre que posso. - Eu gostaria de ver isso algum dia desses. - Quem sabe – ela respondeu com um sorrisinho. Nesse momento o telefone na mesa de Clara tocou. - Oi Milena. Quem? – ela fez uma pausa – Ele está aí? Diga para ele entrar. Segundos depois um homem alto, de cabelos pretos, vestido casualmente entrou na sala e Eduardo viu o rosto de Clara se iluminar enquanto ia na sua direção. - Alberto!!! – ela o abraçou calorosamente. Ao ver aquela cena, Eduardo se imaginou arrancando aquele cara dali a força e o chutando para fora da sala – O que está fazendo aqui, não sabia que estava no Brasil de novo. - Eu vim para a inauguração de uma grande livraria aqui em São Paulo , a editora foi convidada a montar um estande e aqui estou eu. – ele abriu os braços – fiquei surpreso quando vi nas mídias que você tinha se tornado vice-presidente de uma empresa, que seu pai se juntou com outra e que você ia dar continuidade ao trabalho dele. Aproveitei e resolvi te procurar, já que estou aqui. Eles conversavam como se eu não estivesse na sala e isso ele não podia permitir, - Não vai me apresentar seu amigo Clara? - Oh, me desculpe – ela pareceu se lembrar de Eduardo – Deixe eu apresentá-los – e assim ela o fez. Pelo que Eduardo entendeu, Alberto era dono de uma editora. Ele contratou Clara para fazer a ilustração de uma de suas publicações quando ela ainda morava em Londres, e assim ficaram amigos. Agora, a editora dele participaria da inauguração de uma livraria em Sao Paulo , naquela noite, e ele estava ali para convidar Clara para ir à inauguração. - É claro que eu vou Alberto, vai ser uma oportunidade de colocarmos a conversa em dia. - Você está convidado também, eduardo. - eduardo é muito ocupado, não é Eduardo? – ela disse antes que ele tivesse chance de responder. Eduardo estava prestes a dizer que também iria à inauguração quando Milena entrou na sala de supetão. - Clara, desculpa entrar assim, mas aconteceu alguma coisa com seu carro. - Meu carro? – Clara respondeu e saiu. Clara foi ao estacionamento acompanhada por Milena , Eduardo e Alberto. Quando chegou lá, viu um segurança, um funcionário da equipe de TI da empresa falando de forma alterada e então viu seu carro. A traseira estava toda amassada, assim como a frente do carro do funcionário. Ele bateu em cheio no seu carro. Assim que ele a viu, começou a falar desesperadamente. - Senhora, por favor eu pago tudo, não precisa chamar a polícia, eu cometi um erro, pode pegar meu salário para pagar seu carro. Eduardo , Alberto e o segurança começaram a falar ao mesmo tempo que ele fazendo Clara perder a paciência. - Calem a boca todos vocês! – ela gritou – E você – ela apontou para o funcionário que batera em seu carro – liga para sua seguradora e peça para alguém entrar em contato comigo. Clara virou as costas e voltou para o elevador. Chegando à sua sala, se jogou na sua cadeira e passou a mão pelo rosto. Só então percebeu que Alberto e Eduardo haviam a seguido até ali. - Parece que você não vai poder ir à inauguração hoje – Alberto disse – eu poderia te buscar, mas pode ser que eu não tenha tempo. - Claro que não, existem táxis para isso. - Eu posso levá-la – Eduardo disse. Clara o encarou. - Ah... não precisa se incomodar, eu vou de táxi. - Bom – Alberto disse olhando de um para o outro, percebendo o clima que se instalara entre os dois – Eu já vou. Encontro você a noite então? Alberto se despediu de Clara com um abraço e um beijo na bochecha. Ela sentiu o olhar de Eduardo sobre os dois, e não soube dizer porque, mas se sentiu constrangida. Ela se virou para Eduardo quando a porta se fechou. - Você está bem? – ele perguntou. - Estou, eu gosto daquele carro, mas é só um carro. - Eu posso levá-la à livraria hoje. Ela o encarou desconfiada por um momento. - Por que você está fazendo isso? - Isso o que? - Sendo legal comigo. - Eu sou um cara legal. - Sei... – ela continuava desconfiada – bom, já que você aprovou os esboços, vou dar continuidade ao trabalho. - Tudo bem! Por volta de seis e meia, Clara chamou um táxi e foi para a livraria que Alberto lhe dissera. E era uma maravilhosa livraria. Clara sempre gostara de todos os tipos de arte, e leitura era uma delas. Ficou encantada com o tamanho do local e com a quantidade de livros disponíveis, divididos por áreas. Com certeza ela sairia dali com várias sacolas. Estava maravilhada quando ouviu alguém chamá-la. - Clara, que bom que você veio! – era Alberto. - Eu disse que vinha. Ele a levou até o estande de sua editora, o livro que ela ilustrara estava lá entre os exemplares. Era um livro de fantasia, gênero que ela adorava ler e adorara ilustrar também. Eles conversavam por uns minutos, quando Alberto falou: - Quando resolvi te procurar aqui em Sao Paulo , pensei que pudéssemos sair, nos ver um pouco, sair pra jantar, mas acho que cheguei tarde. - Como assim? – ela perguntou curiosa. - Eu vi o jeito como você o Eduardo se olham. Vocês estão saindo? - Claro que não! – ela exclamou, alto demais, ela percebeu tardiamente. - Mas existe algo entre vocês, isso você não pode negar. Quando ela ia responder, alguém o chamou. - O dever me chama, Clara – aproveite o lugar e gaste bastante dinheiro. - Com certeza o farei. Um tempo depois, Clara estava na fila para pagar os livros que comprara quando seu telefone tocou. Era EEduardo - Eduardo ! Aconteceu alguma coisa? - Não, eu só queria saber se você não quer uma carona, vai precisar de ajuda para carregar todos esses livros. Clara olhou para os lados, quando o viu no caixa que ficava na outra extremidade da livraria. Ela viu que ele tinha dois exemplares de livros nas mãos. - Você não me deixou trazê-la, então me deixe levá-la para casa. Ela não conseguiu resistir e sorriu: - Tudo bem. Trinta minutos depois e eles já estavam no carro de Ethan a caminho da casa de Claire. - Quer passar em algum lugar antes? Comer alguma coisa? - Não, só quero ir para casa, foi um dia longo. – Clara se calou por uns segundos e depois continuou – Não sabia que você lia, ou aqueles livros que comprou foram só uma desculpa para ir até lá. - Não – ele riu – eu leio as vezes, gosto de livros policiais. E eu não preciso de desculpas para levar uma mulher bonita para casa – ele gargalhou. - Você é muito convencido sabia – ela gargalhou também e depois de alguns minutos continuou – Ainda não entendo por que está sendo tão legal. - Eu já te disse, sou um homem legal. – ele parece ter visto a expressão de descrença nos olhos dela pois continuou – Por que você não acredita nisso? A ideia que você tem de mim me ofende. - Não estou dizendo que você não seja legal, só estou dizendo que o fato de ser tão legal assim, com uma mulher, só pode ter segundas intenções. Ele ficou calado por um tempo, depois respondeu: - Eu devo ter uma péssima reputação mesmo. Clara não pôde evitar, abriu um sorriso.
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