Aluga-se um Sorriso

2215 Palavras
Jeon Jeongguk não era feliz. E o motivo de sua infelicidade era diferente do que Yoongi imaginava, Jeongguk não podia amar ninguém, e era isso que o destruía a cada novo cliente. Já havia conhecido histórias, conhecido passados, já havia estado com diversos tipos de pessoa, e algumas com as quais parecia valer à pena ficar mais um pouco. Todavia, os sete dias chegavam ao fim, e ele precisava ir embora, deixando para trás uma história que conheceu apenas pela metade, ou até menos que isso. Min Yoongi era diferente, era o primeiro homem que se importava de verdade, para Yoongi aquilo era real, e era macabro pensar que em poucos dias o abandonaria, deixaria para trás aquele homem tão excêntrico e interessante, sem nem ao menos saber exatamente os reais motivos que o faziam ser assim. Enquanto admirava Yoongi escovar os dentes de maneira distraída, o mais novo pensava no quanto ainda podia descobrir, no quão fundo poderia ir com Yoongi. Tentava traçar uma linha de limite para si mesmo, fora contratado para ser tudo o que o Min queria, mas ao mesmo sentia algo o puxar para trás. Culpa. Culpa por saber que o destruiria por completo, o abandonando depois de tê-lo feito criar uma ilusão tão concreta que poderia ser palpável. — Ah, você está aí, meu amor. Yoongi largou a escova na pia, caminhou até a porta, onde Jeongguk estava parado e ficando nas pontas dos pés conseguiu alcançar seus lábios, o beijando de forma lenta e carinhosa. Mas que droga! Até o beijo de Yoongi era carregado de sentimento, como se cada poro de seu corpo implorasse para que o Jeon o correspondesse. Isso era uma tortura, Yoongi estava se torturando, e torturando-o da mesma maneira. — Sr. Min, por favor, precisa parar. — o implorou, e sabia que aquela não seria a última vez que imploraria, ver Yoongi se entregar daquela maneira o matava, como se uma grande espada estivesse atravessando seu peito, e Yoongi a empurrando cada vez mais fundo com suas palavras de carinho. E amor. — Xiii. — o mais velho pôs o indicador sobre os lábios do Jeon, aquela calmaria toda o incomodava ainda mais, de maneira sádica Yoongi o induzia a deixar as coisas como estavam — Eu o pago por ilusões, não me puxe para realidades, seja um bom garoto, Jeongguk. A forma como o Min deslizava seus dedos sobre os lábios do Jeon demonstrava o quanto sentia desejo pelo mesmo, aquela tensão toda o enlouquecia. Yoongi sabia que o desejo deixava Jeongguk cego, sabia o quanto o mais novo ansiava por provar de seu corpo, e se essa era a única arma que tinha, lutaria com ela. Pelo tempo que fosse preciso. — Vamos tomar café com os outros hóspedes. — Yoongi o puxou pela mão, aqueles toques íntimos deixavam claro que o preconceito interno estava morrendo. Estava quase morto. Nem mesmo com todas aquelas pessoas os olhando de forma estranho deixou Yoongi intimidado. Ele fazia questão de ter Jeongguk bem perto, de olhar daquela forma apaixonada, e ainda de entregar a comida em sua boca. Era estranho, todas aquelas pessoas viam aquilo como se fosse a coisa mais errada do mundo, e se juntasse tudo com a diferença de idade entre ambos... Aberrações. Jeongguk não ligava pra isso, estava mais acostumado a ter esse tipo de olhar sobre si, a mesma coisa acontecia com os demais clientes, sempre que eram vistos em público em qualquer lugar. Deprimente, por que as pessoas tinham que ser assim? Sempre os obrigando a seguir padrões, Yoongi não podia sofrer mais com isso, não depois de ter passado tanto tempo trancado naquela gaiola. Ele não merecia. — Não olhe para as outras pessoas, Yoongi, olhe apenas para mim. — Jeongguk tomou o rosto do Min com uma das mãos, o obrigando a desviar sua atenção para ele — Olhe sempre para o que realmente importa. E naquele momento, o que realmente importava para Yoongi era Jeongguk, isso estava implícito, escrito com todas as letras. Estava apaixonado, apaixonado por um garoto de programa, e isso não o incomodava, o sentimento não incomodava. O incomodo vinha por outra coisa, vinha do medo de ter que deixa-lo ir, do medo de perde-lo, o incômodo vinha de saber que em alguns dias Jeongguk não seria mais seu. — Eu não tenho medo deles, Jeongguk, não mais. Significava muito, significava quebrar uma das correntes que o prendia. Mas aquelas pessoas não importavam muito, Yoongi precisava perder o medo das pessoas que poderiam interferir em sua vida. Perder o medo de si mesmo, e assumir para si quem ele realmente era. Jeongguk não saberia dizer se estaria lá para ver isso acontecer. — O que acha de irmos dar um passeio pelas ruas? — o convite surgiu de Yoongi, ele parecia muito animado. — Seria ótimo. O real sorriso de Yoongi era perfeito. O Min conseguia ser meigo e adorável quando sorria, e a forma infantil como apontava as coisas na rua encantava Jeongguk. Costumava passear com seus antigos clientes, mas na maioria das vezes era quase como um cão preso na coleira. Estar com Yoongi lhe trazia liberdade, uma sensação incrível de estar vivendo algo real, mesmo sendo absurdamente falso. Yoongi merecia ser amado de verdade, aquele amor falso não lhe era suficiente, ainda mais vindo com aquela má vontade. Não adiantaria mais tentar proteger o coração do Min daquela ilusão, ele já estava completamente afogado naquele mar de mentiras. Só lhe restava mentir ainda mais, só lhe restava satisfazer aquela necessidade de ser enganado. “Minta para mim, Mr. Rabbit”, e o Jeon mentiria. Mentiria porque no fundo necessitava tanto daquele amor falso quanto Yoongi. Sentou-se em um dos bancos de praça, e ficou observando Yoongi comprar dois sorvetes, ele parecia uma criancinha voltando com os dois sorvetes nas mãos, um de chocolate, para Jeongguk e outro de morango para ele. Sentou-se ali também, ainda com aquele sorriso de gengivas à mostra. Tão doce. — Cuidado pra não se sujar, Yoon. Ver Yoongi lamber um sorvete daquela maneira, e estando com toda tensão s****l reprimida era uma tortura, imaginava como aquela língua se sairia lambendo outra coisa. Estava ficando louco. Mas como evitar aquilo? A promessa de que teria o corpo do Min naquela mesma noite o deixava maluco, precisava morder a própria língua para não gemer com seus próprios pensamentos. O menor segurou sua mão o puxando, Yoongi queria visitar outros lugares ainda naquela manhã. O menor o meteu em um táxi, indo para o outro lado da cidade. Apontava para fora da janela ainda muito animado, quase como se fosse a primeira vez que passeasse com alguém ao seu lado. E talvez fosse mesmo. O táxi parou perto do píer, era um ótimo lugar para finalizar aquele passeio, depois do almoço precisariam pegar um voo de volta para Seul. Yoongi logo se deu conta de uma cabine de fotografias, era raro encontrar uma daquelas, e não perderia a oportunidade de tirar fotos em uma. — Vamos! Logo já estava arrastando Jeongguk para dentro dela. Tiraram muitas fotos, desde sorrisos às caretas, sem perder a oportunidade de tirar uma com seus lábios colados aos do Jeon. O selinho virou beijo, o beijo ganhou carinho, ganhou paixão, e quando se deu conta já estava sentado sobre o colo do mais novo, o beijando como se aquela cabine estivesse localizada em uma ilha deserta. Sentiria falta daqueles lábios quando não os tivesse mais por perto, e precisava lhe roubar mais beijos. Yoongi guardou aquelas fotos por todos os seus bolsos, não queria perde-las nunca, essa lembrança não deveria ser apagada nem em sua velhice. Lembrança de um dia feliz, e isso era tão raro. — Onde vamos almoçar? — Yoongi se perguntava olhando a infinidade de restaurantes que havia naquela rua, ambos com cheiros maravilhosos que se espalhavam pelo ar de maneira tão livre. Delicioso, mas não tão delicioso quanto o beijo de Jeongguk era. — Que tal nos entupirmos de porcarias baratas? Yoongi o olhou curioso, enquanto Jeongguk olhava atento para as inúmeras barraquinhas de todo tipo de coisa por aí, eles poderiam encontrar ali qualquer coisa com um valor de nutrientes muito baixo, e que com certeza faria muito m*l para a saúde. O Min riu, nunca havia provado a maioria daquelas coisas. E quem ‘tava na chuva era pra se molhar. — Quem vomitar no voo primeiro vai ficar de castigo depois. O Jeon sorriu animado com a resposta de Yoongi, e foi a sua vez de arrasta-lo para as barraquinhas cheias de coisas gordurosas e nada saudáveis. E era muito bom, se alimentar de coisas que não faziam bem era extremamente tentador e satisfatório, só precisava cuidar para aquilo não se tornar um vício irremediável. Sua mãe morreria se o visse naquela situação, todo lambuzado de sanduiche e frango frito. Mas se bem, que sua mãe morreria só de vê-lo com Jeongguk. Os acabaram no píer, escorados em uma das grades de proteção, Yoongi admirando o céu, e Jeongguk admirando Yoongi. Ele era lindo, e parecia não envelhecer, a idade parecia algo fictício para ele, quase como se não existisse e fosse apenas uma mentira. O rosto sério de empresário não existia mais, e aquele homem não era mais o Sr. Min que havia conhecido dias atrás, aquele era apenas Yoongi. — Jeongguk. — virara para ele de repente — Diga que me ama. — Eu te amo, Yoongi. Alimentar a ilusão, apenas alimentar. Alimentar a ilusão de ambos, não apenas a de Yoongi. — Yoongi. — o chamou — Posso pedir uma coisa? O Min sorriu, queria que Jeongguk lhe pedisse muitas coisas, lhe daria o mundo se esse fosse o seu desejo. — Me peça o que quiser. — Você pode dizer que me ama também? Ficou em silêncio por alguns instantes, e não conseguiria impedir que seu coração batesse forte daquela maneira. Não imaginava que um dia o menino Jeon lhe pediria algo assim. E aquele tom de voz, podia ouvir a dor saindo nas palavras, quase como se estivesse implorando. E talvez estivesse mesmo. — Eu te amo, Jeongguk. Merda! Aquelas palavras o rasgavam, ainda mais por sentir aquele tom de verdade. O eu te amo de Yoongi não soava tão falso quanto o seu, o eu te amo de Yoongi parecia real. Real da forma que estava fadado à fracassar, pessoas como Jeongguk não podiam ser amadas por pessoas como Yoongi.   [...]   Jeongguk segurou a mão de Yoongi durante o voo, mesmo que nenhum dos dois tivesse medo. Sentir seus dedos entrelaçados era gostoso, e transmitia a paz que ambos precisavam tanto ter. Por dentro, tudo em Yoongi era caos, era medo, era ânsia. E por dentro, tudo em Jeongguk funcionava em turbilhão, sentindo-se como se estivesse sendo puxado por uma maré sem controle. Nenhum dos dois vomitou no voo, e agora em casa Yoongi arrastava sua mala para o quarto, a colocando sobre a cama para poder desfaze-la. Detestava deixar as coisas para depois, iria desfazer a mala antes que a preguiça o fizesse joga-la pela janela só para não vê-la mais. — Vou tomar um banho. — Jeongguk anunciou começando a se despir ainda no quarto. Yoongi não resistiu e acabou o olhando enquanto mais novo terminava de tirara a roupa. E não se sentiu nenhum pouco culpado por aqueles olhares tão pervertidos. Não tinha mais motivos para se culpar ou se envergonhar. Jeongguk demorou no banho, e quando voltou estava apenas com o roupão, Yoongi tinha certeza de que não havia nada ali por baixo. Tentador, e ao mesmo tempo intimidante. Já havia terminado de desfazer a mala, e era a sua vez de tomar um bom banho. Não havia esquecido de sua promessa, se entregaria ao Jeon naquela mesma noite, e talvez tenha sido por isso que demorou tanto ali. Estava fugindo, se escondendo dentro daquela banheira. Jeongguk nunca o machucaria, não precisava ter tanto medo. Por que sentia? Se limpou corretamente, limpou todos os cantos de seu corpo, mesmo de maneira envergonhada, não era acostumado a tocar aquele lugar, mas queria estar limpinho para receber o Jeon. Mas que merda! Sabia muito bem de seu desejo de ficar por baixo, sabia muito bem o quanto queria ter Jeongguk dentro dele, do quanto queria sentir-se preenchido e gemer loucamente aquele nome tão gostoso de se dizer. Jeongguk... Saiu do banho vestido com seu roupão, sem nada por baixo, facilitaria as coisas, e nem havia motivos para não facilitar, queria aquilo até mais do que o próprio Jeon. O mais novo não estava no quarto, estranhou. Desceu as escadas procurando por ele, o encontrando na sala, Jeongguk estava sentado no sofá vendo TV e ainda com o roupão. — Por que não viu TV no quarto? — foi a primeira pergunta do Min. — Você estava demorando e eu comecei a andar pela casa. Yoongi não ligou para isso. Caminhou lentamente até estar diante do mais novo. Sentou-se em seu colo, pondo uma perna em cada lado de seu corpo, Jeongguk não estranhou, apenas o recebeu. As mãos do Min foram para seu rosto, segurando em ambos os lados, queria encara-lo bem nos olhos antes de finalmente juntar seus lábios aos dele. — Jeongguk, me f**a.
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