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1023 Palavras
Aria estava sentada em uma cadeira perto da janela, observando a chuva lá fora enquanto deixava seus pensamentos vagarem livremente. Seu olhar distante estava perdido na paisagem borrada pela água que escorria pela janela da cabana. Enquanto a chuva caía incessantemente do lado de fora, Aria mergulhava em suas próprias reflexões. Ela pensava em seus irmãos e no reino que ela estava distante naquele momento, sentindo o peso da responsabilidade que carregava sobre seus ombros. No entanto, mesmo diante das preocupações que a assombravam, seus pensamentos inevitavelmente se voltavam para o momento que compartilhara com Apollo. Ela nunca havia sentido uma conexão tão forte com alguém antes, uma ligação que transcendia as barreiras do desconhecido e se enraizava profundamente em seu coração. Aria não conseguia deixar de relembrar a sensação da proximidade entre eles, o calor de seus corpos tão próximos, os olhares que trocaram cheios de significado. Era como se, por um breve momento, o mundo ao seu redor desaparecesse, deixando apenas ela e Apollo em um espaço íntimo e protegido. Essa nova emoção a deixava confusa e vulnerável, mas, ao mesmo tempo, enchia seu coração de uma sensação de esperança e possibilidade. Ela se perguntava se Apollo também sentia a mesma conexão, se ele compartilhava seus pensamentos e anseios. Enquanto a chuva continuava a cair lá fora, Aria suspira, passando as mãos por seus cabelos longos e loiros, enquanto afastava aqueles pensamentos. […] Apollo pegou algumas cenouras da despensa e anunciou que iria sair para alimentar seu cavalo. Aria franziu a testa, preocupada com a intensidade da chuva lá fora. — Você não pode sair, a chuva está muito forte. — Ela advertiu, olhando pela janela para a tempestade que rugia lá fora. Apollo balançou a cabeça, determinado. — Eu não posso deixar meu cavalo com fome. — ele respondeu. — Volto logo, não demoro. Ele saiu apressadamente pela porta, deixando Aria sozinha na cabana, seu coração apertado com a preocupação. Ela podia ouvir o som da chuva batendo contra o telhado, o rugido distante do trovão ecoando pelo ar. Minutos se passaram, e Aria começou a ficar inquieta. Então, um estrondo alto ecoou através da tempestade, fazendo-a pular da cadeira em alarme. Ela correu para a porta e abriu-a, seu coração batendo forte em seu peito enquanto olhava para fora. Uma cena devastadora se desenrolava diante de seus olhos. Uma árvore havia sido atingida por um raio e caído sobre o local onde o cavalo de Apollo estava abrigado. O animal estava imóvel, coberto pelos destroços da árvore. Um grito de angústia escapou dos lábios de Aria quando ela viu a tragédia que se desdobrava. Correndo para fora, ela começou a mover os destroços, desesperada para alcançar Apollo. Ele estava caído no chão, inconsciente e gravemente ferido. O coração de Aria doeu ao ver o estado dele. Ela o sacudiu gentilmente, implorando para ele acordar. A tempestade rugia ao seu redor. Ela não podia ficar ali, então, com esforço, Aria arrastou Apollo para dentro da cabana, lutando um pouco devido ao tamanho e peso dele. Com determinação, ela conseguiu levá-lo até a cama, onde o colocou com cuidado. Respirando fundo para acalmar os nervos, Aria começou a examinar os ferimentos de Apollo. Ela abriu sua camisa lentamente, revelando uma série de arranhões profundos e sangrentos em seu peito. Um arrepio percorreu sua espinha ao ver a extensão dos ferimentos. Ela sabia que precisava agir rápido para evitar infecções e tratar das feridas. Pegando um pano limpo e uma bacia com água, ela começou a limpar delicadamente os cortes, removendo a sujeira e o sangue. Apollo permanecia inconsciente, seu rosto pálido e tranquilo enquanto Aria cuidava dele. Ela não podia deixar de se preocupar com seu estado, rezando para que ele se recuperasse rapidamente. Quando finalmente terminou de limpar e curar as feridas de Apollo, Aria cobriu-o com um cobertor e sentou-se ao seu lado, observando-o enquanto ele descansava. Ela sabia que ainda havia um longo caminho pela frente, a chuva ainda caía lá fora, e ainda faltavam quatro dias para a tempestade ir embora. E com Apollo machucado, ela está um pouco preocupada. Apesar disso, ela precisava levar o cavalo morto para longe, já que logo ele estaria com um odor que iria incomodá-los muito. Mas com essa chuva, como tirá-lo dali? […] Apollo despertou lentamente, gemendo de dor enquanto seus sentidos retornavam gradualmente. Ele piscou algumas vezes, tentando se orientar enquanto a consciência retornava. — Shh, fique quieto. — A voz de Aria soou suavemente ao seu lado. — Você está machucado. Apollo tentou se sentar, mas uma onda de dor o fez recuar. Ele olhou em volta, notando a preocupação nos olhos de Aria. — Onde está meu cavalo? — ele perguntou imediatamente, sua voz carregada de ansiedade. Aria suspirou, sua expressão se tornando triste. — Sinto muito. — ela começou, sua voz tremendo um pouco. — Ele… ele não sobreviveu. A árvore caiu sobre o local onde ele estava. Uma mistura de choque e tristeza atravessou o rosto de Apollo enquanto ele processava a notícia. Ele fechou os olhos por um momento, absorvendo a perda de seu fiel companheiro. — Eu… vi que uma das madeiras do telhado estava prestes a quebrar devido ao peso, já que alguns galhos de árvores haviam caído por cima. Foi quando aquele maldito raio veio e tudo aconteceu… — ele murmurou, sua voz carregada de culpa. — Eu devia tê-lo tirado de lá. Aria colocou uma mão gentil em seu ombro, tentando confortá-lo da melhor maneira que podia. — Não foi sua culpa, Apollo. Você tentou ajudar. A tempestade foi implacável. E como você mesmo disse, foi o maldito raio e as árvores. Você também está machucado. Apollo assentiu, agradecendo silenciosamente pelo apoio de Aria. Ele sabia que precisava encontrar uma maneira de superar sua dor e seguir em frente, mas, por enquanto, permitiu-se o luxo de lamentar a perda de seu leal amigo. Enquanto a dor física e emocional o consumia, Apollo encontrou conforto na presença reconfortante de Aria ao seu lado, sabendo que, apesar das adversidades que enfrentavam, eles estavam juntos naquele momento, eles apenas tinham um ao outro.
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