Pré-visualização gratuita Capítulo 1
Max sentia as gotas de suor correndo por suas costas, sendo interrompidas pelo tecido da camiseta que as fazia grudar em sua pele úmida. Seu peito subia e descia, acompanhando sua respiração ofegante enquanto as articulações de seus dedos latejavam, sentindo a pressão da faixa que envolvia suas mãos.
— Vai ter que bater com um pouco mais de força se quiser me impressionar — Disse seu pai, que segurava o saco de pancada, literalmente, surrado.
Max bufou enquanto tentava se recuperar um pouco. Estava cansada e com o corpo um pouco dolorido, mas Bruce não parecia disposto a dar o braço a torcer hoje. Talvez ele tenha acordado inspirado, pensou, já que às vezes acontecia de Bruce sentir saudades dos bons tempos de ringue.
Seu pai havia feito pouco sucesso no boxe. Não era o Mike Tyson nem nada do tipo, porém ficou conhecido pelos campeonatos regionais e estaduais que participou. Richard, irmão de Bruce, sempre falava para Max o quanto seu pai tinha potencial e o quão incrível, em sua concepção, ele era. Bruce era modesto e negava, mas Max sabia que Richard tinha razão.
Sua carreira teve fim quando a mãe de Max faleceu dando à luz, deixando o bebê para o marido cuidar sozinho. Bruce abdicou de tudo por conta de sua filha, acabando por virar carpinteiro e trabalhando junto com seu irmão em uma pequena loja da família Jones. Dessa forma, ele podia deixar Max com sua cunhada enquanto não terminava o expediente.
— Chega por hoje, Bruce. Amanhã tem aula e não quero chegar toda quebrada — disse tirando as faixas das mãos.
— Tudo bem, tudo bem — concordou — mas seu gancho de esquerda melhorou bastante, garota.
— Ele sempre foi bom, Robin Deakin — Max falou irônica.
Bruce soltou uma risada nasal e afagou o cabelo da menina quando passou ao seu lado. Sabia que ela odiava quando ele fazia isso, sendo essa a melhor resposta para insultos desse calibre.
Max, repudiando a provocação, afastou a mão do pai com um t**a, levantando para caminhar rumo ao seu quarto.
Eles não tinham a relação mais carinhosa do mundo. Max poderia contar nos dedos de uma única mão quantas vezes eles já haviam dito “eu te amo” um para o outro, mas ela não tinha muitas reclamações. Sabia dos sonhos que ele havia largado, e da perda que seu nascimento trouxera e talvez levasse para sempre esse peso na consciência.
Mas ela não deixava que essas coisas prejudicassem a relação, relativamente, frágil que tinham. Uma vez por mês eles saíam para caçar com Richard, ou no meio da semana, Bruce ensinava uma coisa ou outra no violão para Max. Mas o boxe era um hobby mais corriqueiro. Chegava a acontecer umas duas vezes por semana, e era o que Bruce mais gostava. Ele nunca deixou de amar o esporte e se apegava a qualquer pequeno contato que poderia ter.
Max, com seu jeito mais marrento, em parte havia tomado muito gosto pela coisa. Odiava a sensação de se sentir vulnerável e com o boxe, ao menos fisicamente, ela se sentia mais segura. Não que fosse muito forte, na realidade, Max era magricela, entretanto, sabendo como e onde bater, força se torna algo bem relativo.
No jantar eles não trocavam muitas palavras. Max saboreava a especialidade de Bruce — chili — sem tirar os olhos do prato à sua frente, enquanto ele às vezes olhava para a filha de relance.
— Me passa o sal, por favor — pediu seu pai. Max achava que estava na medida certa de sal, mas não comentou nada. Apenas passou o saleiro, já acostumada com os hábitos nada saudáveis dele.
Depois do chili, acompanhado por uma pitada de sal e silêncio, os dois assistiram metade de um filme do Clint Eastwood antes de irem dormir. Bruce adorava os filmes do Eastwood, seus favoritos eram os da trilogia dos dólares.
***
Sono. Era essa a palavra que definia o que Max estava sentindo durante a manhã. Aquele sono que faz você pensar que seria capaz de ter bons sonhos até se deitasse em uma calçada, contato que você consiga dormir mais alguns minutos. Por mais que tivesse tido boas horas para descansar, o treino no dia anterior a fazia sentir mais fadigada que o normal, porém obrigou a si mesma a despertar.
Depois de tomar um banho de água gelada e se aprontar, ela não estranhou quando encontrou a casa vazia. Na geladeira havia um bilhete de Bruce avisando que teria que sair mais cedo para fazer uma entrega com Richard. Quase todos os dias era isso, então Max apenas comeu um pouco de cereal antes de sair.
Ela costumava pedalar para chegar à escola. Algumas vezes acontecia de Bruce sair mais tarde e aproveitava a carona de ida, mas sem dispensar a bicicleta, a qual colocava na carroceria da caminhonete.
Max também não tinha amigos, então a maior parte da sua vida no colegial se resumia a observar. Não que ela fosse uma voyeur maluca ou algo assim, mas ela sabia que não tinha feito amizades por conta dessa característica que contribuía para seu jeito calado. Ela se convenceu de que estava tudo bem, já que não sentia carência ou necessidade de adolescentes exalando hormônios a tiracolo. Poderia enfrentar esse último ano como sempre fizera.
— Seu pai é um sacana, ele me cortou de propósito! Sabe que homem nenhum quer perder para mim.
— Eu sei, eu sei! Mas eu não posso fazer nada, Jean. Você já sabe, que só para fazer ele liberar o treino uma vez na semana, foi um sacrífico! — Disse o rapaz com pesar.
Essas vozes eram familiares para Max. Chris e Jean.
Ambos alunos bem notórios da escola, para não dizer populares. O pai de Christopher era o dono de uma pequena arena de rodeio local, o que fazia ele ter um capital maior comparado ao dos outros alunos. Já Jean era conhecida, não só na escola, como na cidade toda. Ela ficou “famosa” porque em seu primeiro rodeio ela ficou em cima do touro por onze segundos. Três a mais do que a competição pede, e que normalmente os marmanjos se matam para conseguir.
Diziam que Jean participou furtivamente, outros diziam que o pai de Christopher a deixou participar para que ela desistisse da ideia ao se esborrachar toda. Muitas eram as versões que rondavam os corredores escolares, e consequentemente os ouvidos de Max.
Jean não ganhou prêmio nem foi aplaudida naquela noite. Os juízes se recusaram a dar notas e os peões ficaram bufando mais que os touros, entretanto, a garota saiu de cabeça erguida daquela arena.
Max a achava corajosa.
— Essa hora da manhã e vocês já estão falando dessas bobagens? — Uma terceira voz surgiu, melodiosa, em meio as conversas e o barulho dos alunos que transitavam pelo corredor.
Essa voz pertencia a Paige.
Paige não ignorava Max ao todo, mas era estranho ser tão distante agora, quando na infância elas foram melhores amigas. As pessoas crescem e mudam, Max tinha plena noção disso, e talvez esse fosse o motivo pelo qual ela não guardou mágoas. Mas ela tinha que admitir que doeu um pouco ver sua única amiga se afastando gradativamente, até o ponto de trocarem apenas acenos de cabeça no corredor da escola.
Ela ainda lembrava da última festa do pijama, aos doze anos, quando elas assistiram filmes e comeram doces até às duas da manhã de uma sexta-feira. E enquanto brincavam, Paige fez uma coroa de papel e colocou na cabeça de Max. Com as bochechas coradas, Paige disse que ela havia ficado linda.
Max ainda guardava a coroa de papel.
Foi depois dessa festa do pijama que Max acabou descobrindo que gostava de garotas. Ela já sentia isso em seu íntimo, mas quando percebeu que seu corpo reagiu ao elogio de Paige, do mesmo modo que reagia quando ela via a Ashley Greene em Crepúsculo, ela admitiu para si mesma que talvez tivesse uma queda pela amiga. Sua primeira paixonite.
Mas ela não precisou pensar muito no que faria com seus sentimentos, já que depois das férias de verão daquele ano, Paige começou o processo de afastamento.
Talvez fosse melhor que as coisas tivessem acontecido assim, já que provavelmente Max estragaria tudo quando contasse a verdade, de qualquer forma.
Mesmo não ligando tanto quanto antes, Max tinha que admitir que ela reparava bastante na versão pós-puberdade de Paige. Em suas curvas sinuosas, no quanto ela tinha crescido pouco durante cada verão, e no quanto seu cabelo castanho escuro parecia cada dia mais sedoso.
E agora elas já tinham dezessete e Paige namorava Christopher, enquanto Max só havia beijado uma garota na nona série. Hannah mudou para Boston duas semanas depois, mas Max não achava que pudesse nascer algo daquele breve caso pré-adolescente.
— Não é estresse, é só o velho papo da Jean querendo participar dos rodeios — Respondeu o rapaz fazendo pouco caso. Max não escutou mais da conversa do armário que ficava em frente ao seu, pois queria evitar chegar atrasada na aula de história.
Enquanto a professora falava sobre o que desencadeou a segunda guerra, ela se mantinha ocupada fazendo rabiscos em seu caderno. Não sabia necessariamente o que faria, mas uma hora sua obra iria tomar formar. Era assim quase todos os períodos, e por isso Max era considerada uma aluna com desempenho medíocre em algumas matérias. Mas nada muito r**m, era apenas um ou dois C- que apareciam em seu boletim às vezes.
O que ela não esperava para aquela tarde, é encontrar Paige a observando quando ela levantou a cabeça de súbito.
De imediato ela não havia feito questão de disfarçar, mas quando se deu conta de que era bastante estranho ficar encarando alguém o qual você nem troca uma frase completa, ela virou corada, olhando para frente. Deixando Max com uma interrogação enorme na mente.
“Esquisita” pensou.
*
Max não conseguiu mais rabiscar em seu caderno. Ela se perguntava o porquê de estar pensando em algo tão bobo, mas de alguma forma não sabia como evitar. Principalmente quando observou Paige calada durante todo os períodos que tinham juntas naquele dia.
Paige era sorridente e falante, coisa que Max estava longe de ser. Ela sempre achou que tinha um quê de falsidade nas pessoas que viviam sorrindo e de bem com a vida, mas quando se tratava de Paige, ela achava tão verdadeiro... Talvez fosse porquê ela a conheceu quando criança.
Durante o almoço, o qual Max passava sentada na mesa mais afastada possível, ela pôde observar Paige calada revirando a comida vagarosamente com um garfo de plástico.
Não encarou por muito tempo, não queria que ninguém percebesse nem muito menos ser flagrada como Paige, durante a aula, mas estava intrigada. Ela parecia tão bem até ser pega a encarando, era impossível não sacar que tinha algo de errado. Max sequer conseguiu comer todo o almoço que estava em sua bandeja. Seu estômago havia embrulhado por conta dos devaneios e pensamentos que rondavam sua cabeça, e toda vez que ela ficava assim, não conseguia engolir nada.
Christopher e Jean conversavam ao seu lado, mas aparentemente o assunto parecia interessante demais, ao ponto de se tornarem alheios ao comportamento de Paige.
Max notou.
Quando a escola acabou naquele dia, ela decidiu que faria uma visita a Elena e Richard. Não avistava o tio desde o último programa de caça que tivera com ele e Bruce, então já estava na hora de dar um pouco as caras.
Enquanto pedalava com mais rapidez, Max suspirava sentindo o vento em seus cabelos e o ar quente do Texas entrando em seus pulmões. Por mais que estivesse com a sua velha bicicleta, que já havia passado por mais manutenção do que ela poderia lembrar, ela pensava na sensação de liberdade que pedalar lhe despertava. Muitas vezes havia considerado apenas pedalar o mais rápido que pudera, sem rumo ou objetivo. Apenas desviar a rota de sempre e ver o que a aguardava no fim, quando já estivesse com os músculos inferiores doendo e cansada demais para dizer o que de fato procurava.
— Olha só quem decidiu nos presentear com o deleite de sua presença... — disse Richard quando avistou a sobrinha.
Max sorriu sem jeito, deixando a bicicleta na entrada da garagem, e deu um abraço rápido no tio.
Ele sabia que a sobrinha não era de muitas demonstrações de afeto, então sentiu seu coração se aquecer um pouco com o abraço. Richard sabia que era o jeito de Max dizer que estava feliz em vê-lo, mesmo que, para as pessoas que vissem de fora, ela não deixaria de parecer seca.
— Elena está em casa? — perguntou.
— Não, ela teve que dá um pulo no supermercado pra fazer umas compras, mas creio que volte logo — ele deu uma pequena pausa para massagear o pescoço, provavelmente dolorido, e voltou a falar — Bruce está lá atrás, se quer saber. Pode ir andando, só vou buscar uma coisa aqui na garagem.
Max assentiu e rumou para os fundos ao encontro do pai.
Ele estava martelando os últimos pregos no que parecia ser uma mesa de centro quando Max chegou. Estava tão distraído que nem se deu conta que havia sido sua filha que havia entrado.
— Vamos ter que passar o acetinado nesse... — Ele teria continuado se não tivesse virado e encontrado uma Max com mochila nas costas arqueando as sobrancelhas, enquanto cruzava os braços.
— Ah, é você, garota. Aconteceu alguma coisa? — Perguntou estranhando.
— Não, eu só queria ver a Elena e o tio Richard. Não entendi a surpresa toda — Respondeu apoiando as costas na parede mais próxima.
Não é como se fosse a coisa mais inédita do mundo Max passar pela casa do tio depois da escola, mas também não era como se fosse a coisa mais comum. Em parte, Bruce estava em seu direito de estranhar.
Enquanto a olhava, Bruce pensou no quanto Max gostava de ficar andando pela carpintaria quando era criança. Ela dizia ao pai que adorava o cheiro de madeira que o lugar exalava, e Bruce apenas achava graça dos gostos peculiares da filha. E agora, vendo ela com dezessete em meio aos móveis prontos e os por fazer, ele só conseguia pensar que ela não era mais a sua pequena garotinha que queria brincar de bater o martelo nas coisas, construindo suas obras imaginarias. Não era mais a garotinha que Richard colocava nos ombros e saía correndo pela casa, enquanto recebia os gritos de advertência de Elena.
Muita coisa havia mudado.
— Não estou surpreso, só que, como sou seu guardião legal, o governo me obriga a ter que me preocupar com seu bem-estar.
Max revirou os olhos com a resposta de Bruce.
— Achei que esse tipo de piada já havia se tornado antiquado pra alguém da sua idade — Retrucou com um sorriso de canto.
— Sabe o que não é antiquado para alguém da minha idade? Deixar alguém da sua idade de castigo.
— Não fode... — Disse baixinho.
— Hã? O que você disse? — Bruce perguntou colocando a mão na orelha, fingindo que não havia ouvido o xingamento.
— Hm... parece que alguém já está precisando de um aparelho auditivo... — cantarolou provocando.
Bruce acabou rindo com a sagacidade da filha enquanto negava com a cabeça. Ele se sentia bem quando tinham esses pequenos momentos de provocação.
— Só achei essa lata de fosco, Bruce. — Interrompeu Richard entrando com uma lata de verniz em uma das mãos.
— Acho melhor não arriscar. Vamos deixar para terminar amanhã, então passamos mais cedo no depósito e já compramos outras coisas que estão faltando — Bruce disse, largando o martelo em cima de uma mesa com desenhos cheios de números e medidas.
— Tudo bem, também acho melhor. Minhas costas estão me matando — reclamou fazendo uma careta.
Richard era mais novo que o irmão, mas Max tinha quase certeza que na realidade o tio era um irmão perdido de Sawyer da série Lost. Ela quase sempre pensava nisso quando olhava para ele por mais de cinco minutos. Eles se pareciam muito. O cabelo loiro que ia até metade do pescoço, a barba rala... Ao contrário de Bruce, que tinha cabelos escuros e barba cheia.
Enquanto Bruce e Richard arrumavam as coisas para encerrar o expediente, falando sobre o que teriam que fazer amanhã, Max ouviu o barulho da campainha ecoar dentro da casa do tio. Como a carpintaria era uma estrutura coberta que ficava no quintal e Max era a que estava mais próxima da porta, resultou que apenas ela acabou ouvindo.
— Richard, tem alguém na porta — avisou.
— Deve ser para a Elena, o pessoal que vem procurando serviço sempre vêm direto para a carpintaria — Bruce respondeu.
— Provavelmente — seu irmão confirmou enquanto tirava o cinto de ferramentas, para em seguida gritar da porta:
— Estamos aqui atrás!
Max e Bruce fizeram uma careta pelo grito de Richard. Um convite mais que formidável para entrar, não?
Quando Paige apareceu na porta, um pouco sem graça, Max sentiu um solavanco inesperado do seu coração. Institivamente ela endireitou a postura e encarou a garota que acabara de entrar.
— Paige! O que a trouxe até aqui, querida? — Perguntou Richard em seu habitual tom simpático.
Ele conhecia Paige desde quando a mesma era um bebê. Sempre fora amigado com a família Anderson, que moravam no fim da rua. Ainda mais quando a sobrinha dele vivia grudada com a filha deles.
— Desculpe, eu não sabia que vocês estavam para acabar o serviço. Meu pai disse que ficaria até mais tarde no trabalho e pediu que eu trouxesse o dinheiro das prateleiras hoje, antes que vocês terminassem o expediente — Paige fez uma careta engraçada, incomodada com seu próprio descuido — Porém acho que cheguei meio atrasada.
— Não precisa se desculpar, querida. Isso é só coisa do seu pai, ele sabe que poderia me pagar qualquer hora.
— Ele disse que não gosta de incomodar você com essas coisas de trabalho fora do horário — Justificou passando o dinheiro para Richard.
— Bobagem! Não me incomoda nem um pouco. — Disse contando os dólares. — Espere só um segundo enquanto pego seu troco.
— Sem problemas. — Disse sorrindo.
Max não tinha se dado conta, entretanto, não havia tirado os olhos de Paige por nenhum instante enquanto ela conversava com o irmão de seu pai. Estava tão distraída que também não notou Bruce a observando com curiosidade.
Quando seu tio saiu, Paige, meio sem jeito, direcionou sua atenção a Max, que até agora não sabia se ela havia notado sua presença ou apenas a estava ignorando mesmo.
— Oi, Max.— Disse sorrindo.
Max não conseguiu esboçar um sorriso ou uma reação que fosse minimante agradável, mas ao menos não sentia seu rosto queimar de vergonha.
— Oi. — respondeu sem dar chance para prolongar o assunto.
Houve um vislumbre de decepção quase imperceptível na expressão de Paige com a resposta, mas ela já esperava algo assim vindo de Max. Paige não deixaria isso abalar sua confiança.
Antes que o silêncio constrangedor pairasse na carpintaria, já que Bruce fingia está mexendo na caixa de ferramentas impossibilitando de chamarem sua atenção ou tecer algum comentário, e só havia as duas uma perto da outra, Paige decidiu falar.
— Vai ter corrida de caminhonetes hoje, perto da arena, você não vai?
— Hm, não sei. Não curto muito.
— No final os meninos vão estourar os fogos de artifícios que sobraram do quatro de julho, vai ser bem maneiro. — Respondeu, colocando uma mecha de cabelo que caía em seu rosto atrás da orelha.
— É, bem legal mesmo. Talvez eu considere a possibilidade.
Paige abriu a boca para falar, porém fora no mesmo instante em que Richard apareceu se desculpando pela demora.
— Elena é quem cuida das finanças, e levando em conta o tempo que levei pra pegar seu troco, acho que sabemos exatamente o porquê — disse rindo.
— Obrigada — disse acompanhando o riso de Richard. Em seguida se dirigiu a Max novamente — Te vejo na corrida.
E então saiu, sem nem ao menos dar tempo de Max responder qualquer coisa, enquanto na outra extremidade da carpintaria, Bruce ria baixinho da falta de jeito da filha. Max percebeu e sabia do que ele estava rindo. Presumiu que seu pai sabia mais do que ela gostaria de contar.
Mas ela não chegou a questionar nada. Apenas saiu sem se despedir e voltou pedalando para casa.