Eu estava deitado na sala, curtindo o barulho do temporal clarear o vidro da varanda, depois que eu tomei minha ducha, quando o estalo daquele trovão parecia que ia quebrar o prédio em dois. No mesmo milésimo de segundo, o apagão deixou tudo num breu total. Nem deu tempo de eu me mexer no sofá; o grito da Maria Júlia ecoou lá de dentro do quarto, rasgando o barulho da chuva, seguido por um som de choro que me fez dar um pulo no escuro. Fui tateando a parede do corredor, inicialmente dando uma risada baixa, achando que era só aquela marra de asfalto dela se quebrando por causa de um raio. Pensei que ia entrar lá e gastar o maior ralo com a minha princesa invocada. Mas quando passei pelo portal do quarto, guiado pelos flashes dos relâmpagos que entravam pela janela, percebi que a cena ali

