Pré-visualização gratuita VALENTINA
É impossível entender a mente de um agressor. Suas motivações, quando realmente existem podem ser variadas, e sua capacidade de manipulação é realmente impressionante. Eles nunca são os culpados, eles nunca estão errados.
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Todo o meu corpo dói. Abro os meus olhos e a escuridão não me permite enxergar com clareza.
Não consigo me levantar. O chão frio e o cheiro de mofo são tudo o que tenho para me apegar a vida. Mas que vida.
Devo estar no sótão, só não sei a quanto tempo e sinceramente isso não me parece mais importante.
Escuto a porta sendo aberta e sei exatamente quem é. O som de seus passos são como o som da própria morte se aproximando lenta e sorrateira.
Ele vem até onde estou e se ajoelha a meu lado, logo depois sinto algo gelado e úmido sendo passado em meu corpo, seguido por lágrimas falsas e pedidos vazios de desculpas.
Não consigo mais chorar, não consigo ser compreensiva, não consigo perdoar ou relevar, não consigo mais ama-lo. Tudo que restou foi o medo e é ele também que ainda me mantém aqui.
Ele me pega em seus braços e um grito de dor escapa de minha garganta. Cada sacolejar até nosso destino é como uma nova tortura, lenta e dolorosa.
Sou levada de volta a meu quarto e colocada na cama com delicadeza, mas nem isso aplaca a dor que sinto. Quem o vê agora, não faz idéia do mostro que se esconde por de trás daquele olhar preocupado.
O contado do meu corpo com o colchão é insuportável, mas não tanto quanto sua presença. Ele se senta a meu lado e me forço a oprimir a vontade de me afastar.
_ você não deveria ter me provocado daquele jeito meu Amor, olha só o que me forçou a fazer com você? Eu te amo tanto, não quero que nenhum outro homem olhe para você. Me perdoa?
Me contento apenas em balançar a cabeça afirmativamente e até mesmo esse simples movimento me dói, não só o corpo, mas a alma.
Ele se inclina em minha direção e deposita um selinho em meus lábios, não correspondo, logo depois ele se levanta e sai do quarto e eu escuto o click da porta e sei que estou presa novamente.