Sonhos e Pesadelo

237 Palavras
Acordo assustada e soando frio. Outro pesadelo, eles têm sido bastante frequentes ultimamente. Me levanto e vou até a cozinha buscar um pouco de água, ainda com os pensamentos a mil e a idéia de que essas lembranças nunca me abandonem é apavorante. Não consigo entender por que estou revivendo isso agora. Limpo as lágrimas que insistem em cair de meus olhos e olho para meu novo lar, ainda sentindo o medo de que tudo acabe. Decido tomar um banho quente para acalmar um pouco os ânimos, mas suponho que nem isso me fará voltar a dormir. Volto até minha suíte e ligo a banheira, colocando os sais de banho e me perdendo por um segundo na água preenchendo o espaço antes vazio. Tenho que deixar isso para trás, não posso viver com todo esse medo. Logan nunca mais vai me encontrar e eu tenho que entender isso se quiser seguir em frente. Assim que a banheira está cheia, eu tiro toda a roupa e paro de frente ao espelho analisando a mulher refletida ali. As marcas do passado ainda estão presentes e vividas não apenas em meu corpo, mas em minha mente. Porém nem isso pode me tirar o pequeno sorriso que surge em meus lábios ao alisar meu ventre que já começa a dar sinais do pequeno ser que habita em mim. _ eu vou proteger você meu bebê. ▪️▪️▪️ Estou na banheira quando minha campainha começa a tocar e eu me pergunto, quem em sã consciência iria incomodar um estranho as três da manhã. Saio da banheira resignada e consciente de que quem quer que esteja em minha porta, não pretende ir embora. Visto meu roupão e sigo para a sala sem me importar em me vestir, até porque são três da manhã, quem quer que seja, não merece meu esforço. Um certo pânico me atinge quando ponho a mão na maçaneta e eu o espanto. Não poderia ser ele, não é mesmo? Até porque se fosse, ele não tocaria a campainha. Abro a porta e me deparo com um belo moreno de olhos claros parado em minha frente e ele me parece bastante encabulado. _sinto muito por acorda-la senhora...- ele espera que eu complete com meu nome e por um segundo eu penso se é realmente prudente. _ Willis. _Senhora Willis, novamente mil perdões, é que eu sou seu vizinho aqui do lado e aconteceu um acidente com minha chave.- ele me mostra uma chave quebrada e eu ainda me pergunto o que tenho a ver com isso. _E o que posso fazer para ajuda-lo senhor... _ Nogueira. Miguel Nogueira.- ele me dá um sorriso tímido e estende a mão para que eu aperte, mas eu não pretendo faze-lo. _ claro. - falo secamente e o vejo recolher a mão mais nervoso do que antes. Ele é realmente lindo, mas a beleza já me enganou uma vez. Não vou deixar que aconteça de novo. _ sei que isso vai parecer bem estranho, mas eu poderia usar sua sacada? - ele fala de uma vez. _ você tem toda a razão. Isso é estranho. - falo preparada para fechar a porta em seu belo rosto e voltar a dormir, mas ele parece perceber e começa a se explicar. _São três da manhã e o chaveiro só virá as oito. Eu tenho uma chave em meu apartamento e poderia abrir minha porta por dentro, mas para isso eu preciso da sua ajuda. Sua sacada e bem perto da minha, acho que consigo atravessar. _Tenho certeza que sim. - Sou irônica. - Mas por que alguém que já chamou um chaveiro, precisaria invadir a própria casa? Não conheço esse meu suposto vizinho e não gosto de estranhos em minha casa, principalmente quando estes tem quase o dobro do meu tamanho e força. _ não seria mais fácil e menos perigoso esperar? - Pergunto o óbvio. _ seria sim, mas eu tenho uma filha de nove anos que está dormindo e eu prometi para ela que estaria em casa quando ela acordasse. _ tudo bem, - Suspiro cansada dessa conversa - só espero não me arrepender disso. Dou espaço para que ele entre em meu apartamento e seu tamanho me oprime e sufoca, mas eu não pretendo permitir que ele saiba disso. Vamos até a sala e eu abro a porta da sacada querendo que essa situação acabe o mais rápido possível. Miguel tem toda a razão a distância entre os apartamentos é mínima e eu tenho que lembrar de manter essa porta bem trancada de agora em diante, nunca se sabe. Observo enquanto ele sobe no parapeito e passa as pernas para o do outro lado do pequeno vão, e em um movimento rápido e preciso ele se impulsiona para o outro lado como se fosse a coisa mais comum do mundo. _ você parece fazer isso com frequência.- sou meio irônica novamente. _ foi a primeira vez, mas fiz atletismo na escola.- ele me dá um sorriso encantador e tudo que consigo pensar, é que esse homem tem que parar de sorrir para mim. _ claro que fez. _ muito obrigado e boa noite.- ele se despede e eu espero ele se afastar antes de responder. _ boa noite. Entro novamente e me certifico de que a porta está bem trancada antes de seguir para o meu sofá decidida a não pensar muito no que acabou de acontecer aqui. _ e essa agora, um vizinho atleta/invasor. Era só o que me faltava.
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