Acordo com o sol batendo em meu rosto e nem preciso olhar no relógio para saber que já passa das oito. Meu corpo está dolorido por ter dormido no sofá, mas nada se compara com a dor de cabeça pela noite m*l dormida.
Vou até a cozinha, ponho um pouco de água para ferver para fazer um chá e vou à geladeira procurar algo saudável para comer. Corto algumas frutas para fazer uma salada e estou distraída com meu trabalho quando a campainha começa a tocar.
É estranho pensar que moro aqui a mais de um mês e até essa madrugada eu nunca tinha recebido uma visita, se é que posso chamar aquilo de visita. Mas agora parece que os vizinhos me descobriram.
Abro a porta e mais uma vez me deparo com aquele belo sorriso e aqueles lindos olhos que me hipnotizam por um segundo, mas ele não está sozinho, uma menininha sorridente está com ele e eles trouxeram bolo.
Ficamos parados sem dizer nada por alguns segundos e eu não consego desviar os olhos do belo homem a minha frente, é como se de alguma forma ele me chamasse para si e isso é apavorante.
Aqueles belos olhos castanho-esverdeados estavam me observando de um jeito esquisito e só depois de um momento para recuperar meu raciocínio, me caiu a fixa de que ainda estou de roupão e meu cabelo deve estar uma bagunça total. Que vergonha.
_ olá de novo, e me desculpe incomodar... de novo.- Ele fala com um sorriso contido que me encanta.
_ deixe-me adivinhar, andou quebrando outra chave na maçaneta? - Ironizo.
_ não. - ele mexe no cabelo, encabulado e eu acho fofo.- Eu, ou melhor, nós queremos agradecer por ter me ajudado mais cedo.
_Oi me chamo Melanie mais pode me chamar de Mel. Nós te trouxemos um bolo de agradecimento, é de chocolate, e foi meu pai quem fez, e deve estar uma delícia, e eu amo chocolate, mas ele não me deixou provar nem um pedacinho...- A menina começou a tagarelar rápido e eu começo a rir. Rir como não fazia a 8 anos.
_ Mel, o que conversamos? - Miguel repreende a menina e ela fica cabisbaixa.
_Nada de importunar a vizinha nova.- Ela fala me entregando o bolo.- Eu sei, mais eu queria bolo.- ela fala sem pensar e eu gargalho com a sinceridade dessa criança.
_ Melanie. - O pai olha para a menina, bastante sério e eu me solidarizo pela tristeza dela.
_ não precisa brigar com ela. Por que vocês não entram e comem um pedaço desse maravilhoso bolo de chocolate comigo? - falo abrindo espaço para que eles passem e vendo a felicidade no rosto da menina.
_ eba...- Mel grita animada e o pai a olha novamente sério.- tá, parei.
_ me desculpe por isso.- Miguel fala me seguindo até a cozinha e eu dou de ombros.
_ sem o menor problema.
Coloco o bolo na bancada e termino de preparar meu chá. Ainda tem suco de laranja na geladeira e eu o pego e coloco junto as outras coisas na bancada para os meus convidados.
_ nossa, seu apartamento é muito legal.- Diz a menina eufórica e eu sorrio.
_ obrigada Mel. - falo me certificando de que está tudo certo antes de ir resolver outro problema.- Eu tenho que ir lá dentro rapidinho, mas fiquem à vontade.
Ando rápido até o meu quarto e corro para o closet pegando a primeira coisa que vejo, que consistia em um vestido floral azul.
Vou ao banheiro para me vestir, e ao olhar no espelho percebo que estava certa, meu cabelo está uma bagunça, mas não tenho tempo para doma-lo, por isso eu apenas desembaraço e faço um coque frouxo no alto da cabeça.
Volto para a sala e a sena me faz rir. Miguel e Mel estão sentadinhos no meu sofá parados olhando um para o outro sem dizer nada, e parecem bastante concentrados.
_ acho que podemos comer.- Digo chamando a atenção deles.
_há, oi.- Diz Miguel olhando para mim e sorrindo tímido.
_ ganhei! você piscou papai. - Mel se levanta e começa a fazer uma dancinha estranha que eu presumo ser a dança da vitória o que faz com que seu pai e eu, desatemos a rir.
_ vamos para a cozinha? - Vou na frente e eles me seguem.
Nos sentamos e eu corto o bolo e nos sirvo.
Como um pouco e é realmente deliciosoooo.
_ nossa, esse é o melhor bolo de chocolate de todos.- Digo mais que sincera.
_ eu não falei.- Comenta Mel se lambuzando com a calda do seu pedaço.
_ não é para tanto meninas.- Diz Miguel encabulado.
_ não. É sério está muito bom. - Falo, cortando outro pedaço para mim e para Mel.
_ fiquei sabendo que se mudou no mês passado Senhora Willis. - Miguel puxa assunto para tirar a atenção de si e funciona.
Esse sobrenome me dá arrepios só de ouvir, não sei porque me apresentei assim, não sou mais uma Willis e nem quero ser.
_ Valentina, e tem um mês sim.
_ Valentina, é um lindo nome.- Ele fala voltando a me olhar daquela forma estranha, mas eu tento não pensar muito a respeito.
_ obrigada.
_para quando é o seu bebê? - Eu coloco a mão sobre minha barriga instintivamente e ele sorri.
_ como é que...? - Pergunto, porque o crescimento da minha barriga ainda é mínimo.
_ sou pediatra e obstetra. Eu reconheço uma grávida a quilômetros de distância.- Ele fala convencido e eu sorrio.
_ sério?
_ seríssimo.
_ quer dizer que você vai ter um bebezinho. Que maneiro. E já sabe o s**o? E como vai ser o quarto? Já comprou alguma roupinha? E o nome... - Mel desata a falar rapidamente e eu tenho que me concentrar para entender todas as suas perguntas.
_ devagar Mel.- O pai a repreende, mas com um sorriso doce nos lábios.
_ sim Mel eu vou ter um bebe, e ainda não sei o s**o, faço três meses amanhã, e ainda não comprei nada e nem escolhi um nome.- Respondo todas as perguntas que consegui capitar e ainda me impressiona o quão carismática e intensa é essa criança a minha frente e o quanto esses dois me fizeram sorrir em tão pouco tempo.
_ se você quiser eu posso te ajudar a arrumar o quartinho.- Diz Mel com um sorriso enorme no rosto deixando em evidência suas covinhas. Ela é realmente encantadora.
_ e desde quando você entende de decoração ou arrumação garotinha. Você não está arrumando nem seu próprio quarto. - Miguel diz sorrindo da ousadia da filha.
_ ué papito, minha bagunça e extremamente organizada.- Mel fala com tranquilidade e eu não me aguento de tanto rir.
_ tenho certeza que a Valentina não vai precisar da sua ajuda. E além do mais ela e o marido terão mais coisas para se preocupar do que com uma menininha de nove anos, extremamente curiosa e intrometida.
Só a menção ao meu "marido" já me dá arrepios por todo o corpo.
_ eu não sou mais casada, e não vejo problema em ser ajudada por você Mel. Além do mais vocês são sempre bem-vindos aqui. - Tento dissipar a imagem do meu "marido" sabendo sobre essa gravidez, mas a coisas difíceis de esquecer.
Olho para Miguel e ele me olha de uma forma indecifrável e compenetrada, mas não diz nada. O que será que passa na cabeça dele?
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_ bom, o papo está ótimo, mas temos que ir.- Ele diz depois de quase duas horas de conversa, principalmente por parte da Mel.
Ele se levanta e eu faço o mesmo para acompanhá-los até a porta.
_ mas já? - Eu não sei por que mais a presença deles me faz muito bem. Faz com que eu me sinta...normal.
_ é, papai já temos que ir? - Mel se junta a mim e nós duas olhando para Miguel com olhar pidão.
_temos sim mocinha, seus avós nos aguardam para o almoço, e você sabe que sua avó odeia atrasos apara as refeições. Lembra da última vez? - Vejo
Mel arregalar os olhos de maneira cômica e sei que ele a convenceu.
_ é... Acho melhor nós irmos papai, eu quero sobremesa dessa vez. -
Ver a interação entre eles me deixa feliz, eles são lindos juntos e eu quero algo assim com meu bebe algum dia.
_ então tchau Val.- Ela me abraça rápido e inesperadamente, e vai saltitante em direção a porta. Eu à sigo e Miguel vem logo atrás de nós.
_ então até logo Valentina.- diz Miguel já do lado de fora.
_ até.
Eles se vão eu fecho a porta ainda com um sorriso tranquilo em meus lábios.
_talvez meu vizinho não seja assim tão r**m.