Pré-visualização gratuita Prólogo
Essa é minha história e muita coisa aconteceu desde que descobri sobre minha sexualidade. Não sei como começá-la, talvez alguns digam o óbvio: “comece pelo começo, i****a”. Mas quando começou? Foi no primeiro abraço mais demorado, num banho de piscina ou simplesmente quando ele veio até a minha cama e, quando amanheceu, estávamos de mãos dadas? Isso tudo parece i****a e comum, o que torna difícil saber quando me apaixonei por ele.
Uma vez ouvi que: uma boa história começa com uma festa:
***
Meu nome é Fernando. Tenho um irmão gêmeo chamado Andrew — nossos pais foram sábios não nos dando nomes parecidos, uma vez que somos completamente opostos —. Quase sempre o chamo apenas de And.
Somos idênticos quando o assunto é físico. Ambos não muito altos nem muito fortes. Como sempre gostamos de nos cuidar, conseguimos manter um corpo legal. Não viramos uma bola de músculos, temos alguns na barriga, pernas, braços, etc. A maior diferença está no nosso cabelo. O meu é sempre jogado sobre a testa, uma mecha fica sobre meu rosto, cobrindo meu olho esquerdo. Meus olhos e cabelo são de um castanho claro, assim como os de Andrew. Já o cabelo dele está sempre em pé, e com muito gel. Se arrumarmos nossos cabelos para ficarem iguais, até nossos pais tem dificuldade em saber quem é quem.
Hoje nos vestimos igual de propósito, para a festa que fomos convidados. Na verdade, os amigos do And o convidaram, eles foram convidados por outra pessoa, e assim por diante. Como um telefone sem fio.
Os amigos que o convidaram é um pessoal do último ano do ensino médio, os moleques bagunceiros e que todo mundo conhece e gosta. Do tipo que alegra a sala e faz o professor chorar em casa. Eu nunca fui com a cara desse povo, mas se vai ter comida de graça...
E uma chance de sair um pouco de casa.
“Arruma esse cabelo” avisou And, quando estávamos quase na porta da festa. Como de costume, eu já havia começado a puxar a franja pra frente. Ele parou na minha frente, um toco de amarrar jegue e levantou os fios.
“Não sei porque temos que ser você” encarei os olhos castanhos, por um longo tempo, até que ele terminou o penteado.
“Eu sou mais bonito, só por isso” me deu um tapa no ombro, para que continuássemos.
“Somos praticamente a mesma pessoa, i****a infeliz,” xingá-lo me deixou feliz, pelo menos.
“f**a-se, só tenta agir como eu. Quero saber se podemos mesmo enganar esses trouxas” And entrou na casa, sem bater ou esperar ser convidado. Com a música alta, ninguém iria ouvir mesmo.
Assim que entramos vimos que um dos colegas de sala do And estava na porta, com os braços em volta do peitoral.
“E aí, And” ele levantou a mão para mim, dei um tapa forte, e depois aquele soquinho desnecessário dos gorilas. “Que p***a é essa?” ele olhou para o Andrew de verdade, meio vesgo enquanto tentava olhar para mim de volta. “O que colocaram naquela maconha? Mas, f**a-se. E aí, And” dessa vez foi o And que deu um tapa e depois o soco.
Andrew olhou para mim, o pescoço vermelho na tentativa de segurar a risada.
“Onde está a boia?” foi a primeira coisa que pensei depois que o rapaz foi ver quem estava chegando depois de nós.
“Na cozinha, eu acho, a casa não é minha,” And não estava interessado em comer, ele olhava ao redor, para saber quais amigos já tinham chegado. Lembra quando disse que somos totalmente diferentes? Não menti ou quis ser dramático. Andrew era o cara dos amigos, o que conversavam com todos e sobre tudo. Eu só ficava no meu canto, comendo e, às vezes, desenhando.
“Então que se dane,” dei as costas para ele e fui atrás da cozinha, me afastando do rádio alto demais e das pessoas bebendo cerveja barata.
Não foi difícil encontrar a cozinha, na verdade, era de onde todo mundo saía com copos de cerveja ou alguma bebida mais forte. Quando estava passando pela porta, senti o cheiro que me levou a sair de casa num domingo à noite e mentir para meus pais que iria com Andrew na casa do nosso primo.
O maior rapaz que eu já tinha visto na vida entrou pela porta de trás, com mais ou menos dez caixas de pizza nos braços, ele era tão grande e forte, que não parecia ter nada sobre os braços. Ele tinha um sorriso meio bêbado e meio chapado, algo que me fez ter arrepios pelo corpo. Os lábios estavam molhados, como se ele tivesse passado brilho sobre eles, o que não era verdade. Era só aquela língua imensa saindo gentilmente dos lábios carnudos, e ainda mais molhados.
“Se demorasse mais um pouco, eu iria atrás de você” um cara que eu não conhecia (para variar não conhecia quase ninguém) foi de encontro ao grandão, pegando as pizzas e o recibo. “Contou o dinheiro certinho?
“Tá me chamando de burro?” o sorriso bêbado se alargou. “É claro que fiquei com o frete, não sou burro, sou?
“Vá se f***r. Aquele dinheiro era do...” o segundo cara parou de falar quando uma hoste de zumbis mortos de fome atacou seus braços. De um momento para o outro não havia mais pizza alguma.
Dei uma olhada naquilo tudo, indignado com minha falta de sorte. De onde esses urubus vieram? Os desgraçados infelizes só deixaram as caixas oleosas para trás.
Mordi o lábio quando uma moça passou por mim, gemendo de prazer com a massa entre os dentes e queijo escorrendo pelo canto da boca, tão quente e com cheiro de orégano assanhando minha lombriga.
“Bando de m*l-agradecidos,” o cara fortão se aproximou de onde fiquei parado, só restava nós dois ali. Fiquei decidindo se iria mesmo voar no pescoço daquela garota. “Sorte que não sou burro,” ele tirou outra caixa de pizza das costas. “Tá com fome?” ele encarou minha cara de cachorro sem dono.
“Ah, tô sim, morto de fome,” disse a mais pura verdade. Não que eu não tenha jantado em casa, duas vezes.
“Sabe, comigo não falta comida. Vamos lá pra cima, senão eles vão atacar de novo,” o grandão devolveu a caixa nas costas, mais uma vez, e foi na frente. Ainda bem, porque eu não conhecia mesmo aquela casa.
Passamos de novo pela sala, empurrando e espremendo pessoas dançantes. O cara da pizza entrou na primeira porta que vimos, e eu corri atrás dele, com medo que alguém viesse atrás da pizza.
Era um quarto como qualquer outro, cama, guarda-roupa, um espelho. Eu não dei atenção para nada disso quando ele acendeu a luz, estava mesmo era querendo saber quando iria abria a caixa.
“Você tá com quem na festa? Quer dizer, veio com alguma gata?” ele abriu a caixa, com a pizza toda bagunçada, massa sobre o recheio, que estava por todo lugar. Juntei o melhor que pude com os dedos.
Eu não gostava de nenhuma “gata” e, até onde eu sabia, nenhuma delas estava interessada em mim.
“Eu vim sozinho, mas já encontrei um colega,” eu disse quando engoli o primeiro pedaço da pizza. Logo peguei outro, esfomeado e ainda com medo que alguém viesse atrás de nós.
Ele entendeu que era esse amigo e deu um sorriso, juntando um pedaço para ele. Assim como eu, o cara estava faminto. Também, com aquele tamanho, tipo um dinossauro, precisava de um boi entupir um buraco no dente.
Bem quando a pizza acabou, uma garota entrou no quarto. A pele do rosto sem qualquer sinal de espinha, uma maravilha para os adolescentes oleosos, magra como uma modelo e andava de acordo, um requebrado a cada passo, agarrou o braço do cara fortão como se fossem namorados. Depois de examiná-lo, ela dedicou um segundo para mim.
“Você se enfia em cada lugar,” disse para o grandão. “Sou Ana Vitória,” apresentou-se para mim com um sorriso e estendeu a mão.
“Desculpe,” mostrei a gordura entre os dedos.
“Vai lavar suas mãos! Estamos indo fazer o jogo da garrafa no quarto dos meus pais e precisamos mesmo de mais dois caras. Lave suas mãos também,” a última parte foi dedicada ao grandão.
“Que se f**a ela e seus jogos, tô caindo fora,” disse depois que ficamos sozinhos. O grandão também saiu do quarto, procurar seus amigos para encher a cara, provavelmente.
Eu também não queria saber de jogos, Andrew que jogasse, a ideia de vir foi dele. Só precisava encontrar um lugar para lavar a gordura dos dedos.
Não tive muita sorte, quando estava saindo do banheiro, as mãos molhadas, Ana Vitória agarrou o meu braço.
“Acabei de deixar você lá, como veio parar aqui,” aquilo não era uma pergunta. “Não faz m*l, vamos começar o jogo faltando um jogador mesmo.
Ela me levou, mesmo eu gritando que não queria. Talvez fosse a música ou ela só se fizesse de surda propositalmente. O quarto dos pais dela estava escuro, com um bando de moleques num canto, sobre um tapete volumoso e que nunca mais seria o mesmo. Havia um pequeno banco no meio da turma, e uma garrafa de cerveja sobre ele. Estavam dispostos assim: uma garota, um garoto, uma garota e um garoto. Na falta do cara fortão, havia uma garota a mais.
Isso pareceu alegrar os caras presentes.
“Que saco, quando isso vai começar?” explodiu um dos caras, babando nas garotas.
“Se não sabe esperar, pode ir embora,” Ana Vitória se sentou graciosa no seu lugar. Enquanto se sentava, me empurrou para o meu. Pensei em sair correndo, feio um louco, mas era tarde demais, pois, sentado de frente para mim, estava Andrew, rindo feito um i****a. Bêbado?
Se eu fugisse, eles iriam saber qual era a onda daquele esquisito, e And diria a todos, em alto e bom som: “Ele só tem medo porque é bv”. Era melhor manter os segredos. Me sentei.
Ana Vitória fez a garrafa girar, eu não prestei muita atenção quando um dos caras avançou sobre o banco e agarrou o pescoço de uma garota, que ofegou e arranhou o pescoço dele. A garota girou e beijou Andrew, não com a mesma paixão. Houve outras rodadas, eu desejando que a polícia viesse logo e desse fim a tudo isso. Então Andrew foi beijado de novo, ele girou a maldita garrafa e ela apontou para MIM.
“Eu não quero brincar,” disse imediatamente.
“Deixa de ser mulherzinha, é um beijo, pode ser só um selinho. O que tem demais nisso?”
Andrew se levantou e caminhou na minha direção, com todos gritando: “Beija! Beija! Beija! Beija!...”
Todos já tinham parado de ecoar o grito maldito quando ele se sentou do meu lado. Sem avisos, Andrew me deu um empurrão no ombro. Pego desprevenido, cai de costas do tapete fofo, segurando a respiração, aflito.
Essa brincadeira trouxe de volta o grito de “Beija! Beija! Beija! Beija!...”
Tentei impedir que ele viesse pra cima de mim, era a coisa óbvia a esperar depois de me jogar no chão, no entanto, antes que pudesse fazer qualquer coisa, ele me segurou pelos punhos, bem forte.
“i****a,” o xinguei e a mim mesmo, pois agora parecia a porcaria de uma atriz pornô indefesa.
Agora os outros caras gritavam como se ele fosse o herói que vai enfrentar o campeão do exército inimigo. Tudo isso me deixando ainda mais nervoso.
O rosto do meu gêmeo logo veio para perto do meu, afinal, teríamos que nos beijar. Eu senti o cheiro forte de cigarro, cerveja e maconha, mas, por detrás de tudo isso, senti o mesmo perfume que eu estava usando. Os lábios pequenos, bastantes delicados, exploraram os meus. Não era a p***a de um selinho, mas um beijo muito pornô, que um irmão não deveria ter dado em outro, não daquela forma, seu peso sobre minha barriga, me impedindo de sair dali.
Não que eu tenha pensado em fugir, depois que sua língua tocou a minha.
De olhos fechados, eu o beijei de volta, sem saber ao certo como fazer, só estava me deixando levar, os dedos apertando meus braços, as pernas roçando nas minhas. Continuei de olhos fechados e deixei que ele me conduzisse por aquele caminho novo. De todas as pessoas que eu desejava perder o bv, Andrew não era o primeiro da lista.
Meu gêmeo diminuiu a intensidade do beijo, percebi que ele iria fugir de mim. Mordi seus lábios inferiores, para prendê-lo a mim. And riu, seu hálito junto ao meu, na verdade, não tinha como saber qual era o dele e qual era o meu. Tentei encontrar seus lábios, para que ele continuasse. Mas os gritos dos gorilas afastaram meu irmão de mim.
Olhei ao redor, tentando parecer confuso.
“Por isso não gosto desse jogo i****a,” girei a garrafa.
Dormir com meu irmão foi um dos poucos hábitos de criança que mantemos mesmo na adolescência. Ele ia pra minha cama, sem motivo aparente, e eu para a dele, só por ir mesmo. Nos fazíamos de travesseiros um para o outro.
Porém não naquela noite, especialmente depois daquela festa e do beijo que nos obrigaram a dar. Fiquei satisfeito por não encontrar nossa família acordada, as uma da manhã, e fiquei ainda mais agradecido quando Andrew foi para sua cama, bêbado, e desmaiou imediatamente.
Eu deitei, mas isso não significa que consegui dormir.
“Não sabia que ele beijava tão bem” disse olhando pro teto, meu confidente. Abaixo do umbigo, senti meu pênis inchar, doido pra dar aquela g****a. Olhei para o lado, e Andrew continuava desmaiado. “Os olhos não veem, e meu p*u sente.”