Capítulo 2

2389 Palavras
Cheguei à minha casa, exausta. Cheia de dor de cabeça. Sem contar que ainda tive de aturar Natália relembrando os acontecimentos. Quando me recordo das palavras daquele b****a, dá vontade de encontra-lo novamente só pra devolver o desaforo. Fui ao banheiro e olhei o meu próprio reflexo no espelho da pia; não pude me reconhecer. Aquela imagem que era tão familiar para mim, não estava ali. Geralmente quando me olhava no espelho, via uma mulher alegre, mas hoje, meu semblante estava triste e não era para menos. Estou longe de ser uma mulher perfeita, mas tenho uma beleza única. Todos dizem que lembro a minha mãe; balancei a cabeça para afastar os pensamentos e decidi tomar um banho para tirar aquele cheiro de suor e bebida. Entrei debaixo do chuveiro e fiquei por alguns minutos apenas sentindo a água cair em minha cabeça. Voltei para o quarto e logo avisto minha cama; local onde mais cedo presenciei uma das cenas mais absurdas da minha vida: Christian em cima de uma v*******a, “amiguinha” dele. *** Naquele mesmo dia... algumas horas antes. Antes de entrar no quarto pude ouvir os gemidos de ambos. Eles pareciam ter visto um fantasma quando me viram na porta: - Mi, não é nada do que você está pensando. – Christian saiu de cima dela imediatamente. – Eu só estava... estava... - Estava comendo uma v*******a em cima da minha cama, Christian; era isso que você queria falar. - Amor... – Ele começou. - ... deixa eu explicar. - Cala  essa boca, seu cretino. Vistam-se agora e saiam daqui. - Mas, amor... - Eu disse: AGORA! – Gritei. - Calma! A gente precisa se vestir antes. Saíram procurando as roupas espalhadas pelo chão do quarto. — Toma! — Ele jogou a roupa no rosto dela. — Vai embora, Patrícia. — Falou para a moça que aparentava ter uns vinte anos. - Agora vá! — Falou secamente. Fiquei observando tudo em silêncio enquanto a via sair de casa; da minha casa. —Agora vamos conversa, querida. — Falou delicadamente, quando ouviu o som da porta da sala bater. —        Prossiga! — Falei sem nenhuma expressão. — Eu sei que o que eu fiz foi muito errado, meu amor, mas foi um pequeno deslize. — Parecia desesperado. — Ela ficou se jogando para cima de mim e você sabe que a carne é fraca... — Tentou parecer vítima da forma mais convincente que pôde. — Sou homem, você sabe disso. — Se aproximou. — Prometo que isso não vai mais acontecer. — Tentou me beijar. — Me perdoa, meu amor. - Espera! Não tenho a menor intensão de te perdoar. Só permiti que falasse para ver até onde ia o seu cinismo. – Eu estava impressionada com a frieza dele. – Já aconteceu. Pedir perdão não vai mudar nada. —        Não diga isso, meu amor. — Ele voltou a tentar se aproximar com os braços abertos para me abraçar. —Para de me chamar de meu amor. E se afasta de mim! Sai daqui e não volta mais. – Gritei com toda o fôlego. —Você está de cabeça quente; quando você se acalmar a gente conversa. — Falou ainda achando que tinha motivos para isso. —Você não tinha o direito de me fazer passar por uma humilhação dessas na minha própria casa, na minha cama. — Tentei não chorar. Eu não podia chorar ali, na frente dele.—  Foram quatro anos, Christian. Quatro anos da minha vida que dediquei a você, a nós. —Eu te amo! — Falou, tentando me amolecer. —        A carne é fraca não é explicação. Você queria uma mulher, você tinha uma mulher. — Apontei para mim. —Se eu não fosse fiel... Mas eu sou. Então me diz o que eu fiz de errado? —Você é maravilhosa, meu amor. — Falou. —        Eu sei. E você perdeu! Agora vai embora. Foram quatro anos dedicados à uma pessoa que se sente no direito de fazer isso como retribuição; minha relação com Christian poderia não ser uma das mais perfeitas, mas a gente se dava muito bem. Gostávamos das mesmas coisas e era divertido estar com ele. Tudo na companhia dele parecia ser mais leve; até mesmo os problemas. Eu gostava do jeito dele e nem em meus piores pesadelos pude imaginar que um dia o encontraria nessa situação, com outra mulher em minha cama. Não é a primeira vez que sou traída; todos os outros homens com quem me relacionei, aprontaram algo comigo. Me traíram de alguma forma. No fim das contas, todos eles são iguais. Os homens sempre me decepcionaram de alguma forma; mas não vou ficar aqui, remoendo. Peguei o meu celular do bolso e liguei para Natália. — Oi, gata! Tem algum plano para essa noite? — Disfarcei a voz. —        Bom... — Antes que ela pudesse responder a interrompi. — Desmarque! — Falei. — Vamos sair para abalar como você mesmo diz. — O que houve, Mi? Que voz é essa? – Ela notou a tristeza em minha voz. —        Nada. — Respondi secamente. —Não mente para mim! Ou você me fala ou vai ter que encarar seja lá o que for, sozinha. — Retrucou. —        Peguei o Christian aqui em casa na minha cama com uma v*******a qualquer. — Descarreguei tudo de uma só vez. — Ah, meu Deus! — Natália puxa o folego. — Não sei nem o que dizer. — Continuou. —        Só não diga que me avisou porque eu sei que você me avisou! — Concluí. —        Tudo bem. — Ele fez uma pausa. — Não vou passar na sua cara que desde a primeira vez que o vi, sabia que era um i****a. — Fez outra pausa. — Que tipo de amiga eu seria se não falasse isso? —        Para. — Não precisei mais disfarçar o choro. – Estou muito triste. —        Você vai ficar bem, Michelle. — Falou dessa vez em um tom sério. —        Sei que vou. —        Essa é minha garota! — Ela riu. Desliguei o celular após combinar tudo com Natália e segui com o que precisava resolver imediatamente. Voltei a olhar para minha cama e não resisti àquela vontade de joga-la fora e foi o que fiz. Eu precisava eliminar qualquer vestígio daquele acontecimento. A partir de hoje, a minha vida será diferente. No mesmo momento me arrumo para ir até a loja mais perto e comprar uma cama nova. Por sorte, ainda era cedo e consegui que entregassem no mesmo dia. Eu corria o sério risco de ter de dormir no sofá, não fosse isso. *** Duas semanas depois... —        Finalmente chegou o final do expediente. — Entrei no carro de Natália. — Já estou exausta. Não aguentava mais. Já se passaram duas semanas desde o acontecido e Christian ainda continua insistente me procurando; em casa, no trabalho... — Admita, Michelle. — Me olha de canto. — Você gosta de caras errados. — Riu para mim. A encarei por alguns segundos e o acompanho sua gargalhada. — Acho que você tem razão. Meu dedo é podre para escolher parceiros. Só escolho caras errados.  —       Ainda não acredito que jogou sua cama fora. — Sua gargalhada continuava. —Eu gostava daquela cama. — Conclui. Ela desfez o sorriso e passa a me encarar assustada. — Você é louca. —        Que bom que você sabe. — Dei um meio sorriso. Chegamos a minha casa e logo Natália teve a brilhante ideia de colocar um filme que estava em alta na NetFlix. Em outras circunstâncias, eu diria não; mas eu precisava mesmo ocupar a cabeça para não pensar no que aconteceu. - Vou fazer pipoca. – E fui para a cozinha. — Capricha! — Natália se sentou no sofá. – Gostei da nova decoração. Eu havia trocado toda a mobília da casa. Qualquer coisa que lembrasse Christian foi doado, jogado fora ou vendido. Sabe-se lá quantas vagabundas ele trouxe para cá e onde mais ele andou comendo essas piranhas na minha ausência. ia. —O nome disso é recomeço. Mudei tudo para expurgar tudo o que Christian trouxe para cá. – Coloquei a pipoca em cima da mesinha de centro. O protagonista do filme que estávamos assistindo era um médico e teci um comentário sobre sentir t***o por homens de jaleco, o que fez Natália se admirar com a revelação. - Sério? — Ela riu. — Falando em médico... —Continuou. — Soube que o cara que você agarrou a força e levou um fora na balada é médico residente. — Soltou um sorriso. – O primo da Jacke. —Aquele arrogante? — Arqueei a sobrancelha. — Mentira! — Eu não levei um fora. —Dei de ombros. —        Ele é residente em um hospital aqui próximo. — Ela me olhou de lado, enchendo a boca de pipoca. —E levou um fora sim. —Sorriu. — Não foi só um fora. — Deixou escapar uma gargalhada. -Acertei uma almofada na cara dela, espalhando pipoca para todo lado. - Para com gracinha, sua palhaça. – Reclamei. – E outra coisa, ele é jovem demais para ser médico. – Voltei a minha atenção ao filme. - Ele é residente, animal. É óbvio que vai ser novo. É praticamente um médico. – Natália estava determinada a me convencer que aquele moleque era médico. – Faltam poucos anos para que ele termine. — Grande coisa! — Respondo irritada. — Também achei que fosse mentira da Jacke, mas ela me mostrou até as fotos da formatura dele na faculdade de medicina. —Ela faz cara séria. — Falou que ele é tipo um gênio de tão inteligente. — Se formou muito jovem ainda. —        Por isso que ele tem cara de mauricinho. — Me recordei da imagem dele. — Deve se achar a Coca-Cola no deserto. — Conclui. —        Que ideia foi aquela de agarrar o cara? — Me questiona sorrindo. —        Nada. Queria beijar alguém diferente de Christian e do jeito que beijei ele teria beijado qualquer outro que tivesse aparecido no meu caminho naquele momento. — Falo sem me importar como o que ela vai pensar. — Veja isso como beijo técnico. — Gargalhamos e voltamos a assistir ao filme. A noite chegou e Natália foi embora me deixando sozinha em casa. Assim que terminei de tomar banho caminho ao closet em busca de algo para vestir e de repente me sinto ser puxada; era Christian. - Me solta! O que você está fazendo aqui a uma hora dessas, seu i*****l? Isso é invasão. Você não pode entrar em minha casa desse jeito, sem ser convidado. —Calma, meu amor. Eu queria te ver. Estava morrendo de saudades. – Ele me segurava forte e tentei me desvencilhar sem nenhum sucesso. —Me solta, Christian. —Grito. — Estou morrendo de saudades de você. — Senti o cheiro forte a álcool; ele estava muito bêbado. — Eu te ligo e só cai na caixa postal. —Se aproximou tentando me beijar e eu me afasto. – Já vim aqui várias vezes para tentar conversar e você não abre a porta. - Por que será, hein?! – Debochei. – Me solta, Christian. – E nesse momento eu dou uma joelhada bem nos seus testículos e ele cai com as mãos sobre o m****o atingido, perdendo as forças; cai de joelhos. – EU MANDEI ME SOLTAR, SEU b****a! - Você ficou maluca, Michelle? – Sua voz indicava que ele estava sentindo bastante dor. – Machucando o nosso brinquedinho. - Nosso? Quem está maluco é você. Isso aí não é meu. – Falei apontando para ele. – Isso aí é das vagabundas que você anda comendo. Não existe mais isso de “nosso” ou “nós”, - Fiz aspas com as mãos. Catei a roupa que peguei no closet e voltei para o banheiro para me vestir longe dos olhares dele. Quando voltei ao quarto, Christian ainda estava lá. A cara ainda era de dor, mas parecia ter recuperado a dignidade. Assim que me viu começou a falar: - Me perdoa, Michelle. Eu não deveria ter feito aquilo. – Fez uma breve pausa e continuou. – Prometo que não vai mais se repetir. - Realmente não vai mais acontecer porque não vamos mais ficar juntos, entendeu? Não vou te dar a chance de repetir o que fez. —Você é minha, Michelle. — Christian me puxa e pressiona contra a parede. — E não vou te deixar em paz até você entender isso. Eu te amo e sei que você também me ama. — Tenta novamente me beija e eu viro o rosto. — Eu não te amo! — Grito. — Seja lá o que eu sentia por, acabou. — O encarei com firmeza. Uma de suas mãos segura o meu pescoço e ele começa a apertar, me sufocando. — Você me ama. Só não quer admitir. — Grita. — Só está dizendo por que está magoada. —        Como você conseguiu entrar na minha casa, Christian? — Falei com a voz quase sumindo. —        A chave reserva. Achei que tinha perdido, mas a encontrei em minha gaveta. — Isso não te dá nenhum direito de entrar na minha casa. — Respondi. —        Esquece a Patrícia; não temos nada. — Ele segura em meu rosto com as duas mãos para me obrigar a encara-lo. — Foi apenas uma vez, Michelle. Eu não trocaria uma mulher como você por uma v*******a daquela. — Ainda tenta de todas as formas me convencer a perdoá-lo. —        Claro que você não me trocaria por ela. Eu é que estou te trocando. – O empurrei com força e ele cai no chão. – Não quero mais você de jeito nenhum. Volte para a Patrícia e que ela faça bom proveito de você. Me afastei sendo seguida rapidamente por ele de joelhos. —        Eu vou te m***r! — Ele agarra em minhas pernas antes que eu pudesse sair pela a porta. — Não acabou até eu falar que acabou. Em meio ao desespero. pego a primeira coisa que meus olhos viram naquele momento que era um vaso e o joguei na cabeça dele. Christian caiu imediatamente. *** Caros leitores e leitoras, Siga meu perfil aqui na Dreame e siga também minhas histórias. Isso me incentiva muito a continuar escrevendo. Obrigada por lerem minhas histórias!  ***  
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