— Será que dá para você soltar um pouco esse copo, Michelle? — Natália toca meu braço tentando chamar minha atenção.
— Por quê? — Paro e olho para ela. — É a minha quinta dose.
Natália sorri para mim, com aquele sorriso que me dá vontade de enforcá-la.
— Não, querida. — Ela tira o copo da minha mão. — É a vigésima dose de vodca que você bebe esta noite.
— Você está me monitorando, agora? — Questiono.
— Passei a contar, quando percebi que você bebia mais do que eu.
Caminho em direção ao balcão; preciso beber!
— Dá um tempo, Michelle! — Natália está ao meu lado. – Para um pouco com a bebida.
— Não enche, Natália. Você não tem nenhuma v***a para pegar por aí?
— Deus me livre! Hoje você está insuportável. Eu sei que não é hora e lugar para falar sobre isso, mas você precisa ouvir. – Ela estava séria e me encarava.
— Nunca vi alguém reagir desta forma. Você pegou seu namorado te traindo na sua própria cama e saiu para a balada. Pessoas normais estariam agora mesmo se acabando de chorar; você está comemorando.
— Não sou normal. — Eu viro o copo com mais uma dose caprichada de vodca. — Você já deveria saber disso, não é mesmo?
Ela riu.
O som na boate é estridente e m*l consigo ouvir meus pensamentos; e para acabar de completar, tem muita gente suada esbarrando em mim. Hoje meu dia não é um dos melhores.
— Por que não estou surpresa? — Me afasto dela com vontade de tirar aquele sorriso de seu rosto, mas tenho coisas mais importantes para fazer agora.
Olhos em volta, a boate escura com aqueles jogos de luzes coloridos.
— O que você está procurando, Michelle? — Natália me questiona.
— Não que isso seja da sua conta, mas procuro diversão. — Respondo sem olhar para ela.
Após os acontecimentos de hoje, tenho um único objetivo para estar nessa balada e só vou sair daqui quando conseguir cumpri-lo.
— Que tipo de diversão você procura? — Natália questiona enquanto me vê olhar para todos os caras da festa.
Alto, baixo, gordo, magro... Nenhum desses caras faz o meu tipo.
— Hoje está bem difícil de achar!
—Você vai sair pegando qualquer cara só para atingir o Christian? Isso não é uma boa ideia, Michelle. — Natália põe seu braço esquerdo em volta do meu pescoço e dá um beijo no topo da minha cabeça.
—Não é uma boa ideia ficar me lamentando e chorando por quem não merece. —Me desvencilhei dela. — Eu não sou do tipo de mulher que perde tempo. — Deixei claro a ela.
— E você tem um tipo? Qual seria? Confesso que estou curiosa. — Ela volta a fazer suas piadas idiotas. Na maior parte do tempo esse bom humor incontestável dela me dá vontade de soca-la até a morte. Que tipo de criatura está feliz o tempo todo?
— Eu não vou ficar bancando a sua babá a noite toda, tenho coisas mais importantes para fazer. — Sorri para mim.
Volto a encostar-me ao balcão do bar dando as costas a ela.
— Está esperando o quê? Vai lá procurar a sua presa. — Sorri sem que ela visse.
Natália é uma v***a assumida. O tipo de pessoa que eu sempre odiei. Aproveita-se de sua beleza e de seu corpo maravilhoso para conquistar algumas mulheres e depois às deixa para lá como brinquedos velhos. Ainda não entendo o que nos levou a sermos tão amigas, pois não temos nada em comum, mas ela hoje para mim é mais que uma irmã.
Somos como unha e carne. Morena da pele bronzeada, olhos castanhos claros e dona de um sorriso perfeito. Confesso que até eu pegava se fosse lésbica também.
— Eu até que procuraria alguma presa como você mesmo diz, mas já reservei a minha. — Fala me tocando no ombro.
— Natália!— Me viro quando ouço uma voz feminina irritante falando o nome dela.
— Oi, linda! — Natália a pega pela cintura e a beija. Um beijo nojento e extremamente pegajoso que chega a me dá náuseas.
- Ah... vão para um motel. – Reclamei. Estava rabugenta mesmo.
Olho bem para ela. Loira, cabelos cacheados um pouco a baixo do ombro, olhos bem azuis pelo que pude notar e rosto arredondado. Ela parece ser uma daquelas garotas de comercial de creme dental. Nem me admira, é bem o tipo da Natália mesmo.
— Essa é a Jacke. — A trouxe em minha direção como se eu quisesse conhecer mais uma de suas conquistas do momento. —E essa é a Michelle, minha melhor amiga. — Ela me olha com uma cara f**a como se esperasse que eu fosse legal com ela.
— Oi! — Sorriu para mim forçado. Já começou muito m*l; odeio falsidade.
—Oi. — Respondi completamente seca em resposta a simpatia forçada dela. — Uma pergunta. Como você teve a sorte de encontrar Natália aqui? — Perguntei, mas já sabendo a resposta.
— Ela me mandou um w******p falando que estava aqui. — Responde acariciando o rosto de Natália.
— Eu não queria passar a noite inteira te vendo beber. — Natália foi logo se explicando quando lancei meu olhar amedrontador a ela.
— Que ótimo! — Me levantei. — Então vou embora. — Falei, de saco cheio.
— Para, Michelle! — Natália já me olha chateada. – Fica aí.
— Vou ao banheiro e depois vou embora. Fiquem e divirtam-se! — Na verdade não era isso que eu queria, mas...
Caminho em direção do banheiro que tinha uma fila enorme de mulheres de todo o tipo que se possa imaginar. Cada minuto que passo a mais me faz lembrar a d***a de dia que tive hoje.
Quando me recordo que vi meu namorado na cama com uma v*******a, me dá vontade de m***r os dois e enterrar no meu quintal. Christian não podia ter feito aquilo comigo. Na minha própria casa, na minha própria cama...
Se ao menos fosse alguém melhor que eu; mas era uma drogada. Bom, não sou mulher de me lamentar; já passou.
Ele vai ver a mulher que ele perdeu. Vou agarrar o primeiro que aparecer na minha frente.
Quando saio do banheiro e volto para encontrar Natália e a tal da Jacke, vejo que tem mais alguém com elas.
— Não vá, Michelle. Fique conosco. — Natália insiste.
— Este é o meu primo, Arthur. — A loira i****a disse.
Ele virou-se para mim e pude reparar bem, Que amigo! Ele é alto, cabelos preto, pele branca como a neve e irresistíveis olhos azuis. Não pude deixar de notar a barba e o cavanhaque. Muito bonito tenho que admitir.
— Prazer! — Me estendeu a mão.
Fiquei hipnotizada por aqueles olhos, não conseguia parar de olhar para ele.
— Algum problema? — Ele sorri de lado me encarando um pouco constrangido por ainda estar com a mão estendida. Seu sorriso é lindo.
— Não. Nenhum. — Sorri retribuindo o cumprimento.
Olhei em direção a porta da boate e vi Christian, meu ex-namorado s****o, entrando. Senti tanto ódio naquele momento que poderia socar a cara dele ali mesmo. No entanto, o que fiz em seguida talvez tenha sido a decisão mais louca que já tomei em toda a minha vida.
Foi a primeira ideia que surgiu e sinceramente, não parei pare medir as consequências; não me importei com nada mesmo. Minha mão ainda estava segurando a mão do gatinho que eu acabava de conhecer, então, aproveitei e o puxei em minha direção e o beijei. Segurei forte para não deixá-lo escapar facilmente.
Notei a surpresa de Natália e de Jaqueline ao me verem fazendo aquilo. Só o soltei quando ouvi gritos de Christian que já estava bem próximo a nós.
— Solta a minha mulher, seu b****a! — Christian deu um soco no rapaz que foi pego de surpresa. As pessoas se afastam ao notarem a confusão se formando.
—Você está maluco, seu i****a. Não sou sua mulher. — Gritei. —Aqui não tem nada seu. – Falei apontando para o meu corpo.
O rapaz se levantou passando a mão em seu rosto machucado.
- Ei, o****o! – O rapaz chamou Christian que se virou para ele imediatamente e tomou um soco na cara.
Algumas pessoas começaram a tentar separar; quando os seguranças chegaram, seguraram Christian de um lado e o rapaz do outro.
Christian gritava que o rapaz estava pegando a mulher dele e blá, blá, blá...
— Não sou sua mulher, Christian. — Falo secamente.
— Não peguei a mulher de ninguém. Ela que me agarrou. — Arthur tenta falar enquanto também é segurado por Natália e Jacke.
— Relaxa, Arthur! —Jacke tentava o acalmar. —Você não é disso.
— Não sou mesmo. Por isso não queria vir. Não curto esse tipo de ambiente.
— Vem aqui, seu b****a! Vou quebrar essa tua cara de princesa. — Christian gritava e tentava se soltar para atacar o rapaz novamente.
—Tirem esse marginal daqui. — Falei para o segurança.
—Vamos, meu amigo! — O segurança forte sai o puxando para fora enquanto ele faz força tentando se soltar de qualquer jeito. — Me solta, seu b****a! —Gritava feito um louco. — Michelle, a gente tem que conversar.
— A gente não tem nada para conversar! — Respondo imediatamente.
Depois que Christian foi levado percebi as caras de reprovação.
—Perderam alguém parecida comigo? — Pergunto na maior cara de p*u.
— Olha só a confusão que você arrumou com esse seu namorado maluco. — Jacke me olhou irritada. — Você é maluca? Agarra o meu primo assim e ainda mete ele em confusão.
—Meu namorado não, ele é ex. — Falo irritada. — E fique na sua; a conversa nem é com você.
—Mas é comigo. — O cara finalmente se falou alguma coisa. —Levei um soco por sua causa!
—Também não exagera, gatinho? Não ficou tão r**m assim.
— O que deu em você para fazer isso? Você nem me conhece. — Ele me questiona novamente.
— Bom... Como é mesmo o seu nome?
—Arthur. — Respondeu.
— Arthur, foi só um beijo. Não tirei a sua virgindade. Foi só uma brincadeira, entende?— Falei tranquilamente.
— O quê? Não acredito no que estou ouvindo.
— Ah... para de show. — Sorri. — Você deve ter gostado. Ele me olhou e sorriu me esnobando.
— Não gosto de ser beijado a força por uma estranha e muito menos entrar em confusão por causa de uma beijo.
— Você é casado?
—Não. — Respondeu.
—É noivo? Tem namorada ou namorado?
—Não e não.
- É gay?
- Também não. – Ele já estava mais irritado que antes.
—Então vou repetir: para de show. Foi só um beijo e nada mais. – Terminei de falar e dei as costas, mas ele me segura pelo braço.
— Não sou brinquedinho de ninguém para ser usado para provocar ciúmes. Principalmente em namorado psicopata como o seu. – Natália e Jaqueline observavam tudo sem se meter.
— Ex-namorado. – O corrijo.
—Tanto faz. —Retrucou.
— E o oque você pretende fazer a respeito? — Desafiei. Ele me encara por alguns segundos.
— Nada. Não vou ficar aqui perdendo meu tempo com uma maluca que já passou da hora de ir para casa. – Virou e foi saindo. – Vem comigo, Jacke?
- Sim, claro. – Ela dá um abraço em Natália e sai.
— Tudo isso só porque ficou comigo? — Gritei antes que ele se afastasse.
— Não. — Ele me olhou sério. — Não fiquei com você. Foi só um beijo. E forçado. — Me olhou com desprezo. — Eu não ficaria com alguém assim como você. — Concluiu, me deixando perplexa.
Essa me pegou bem de jeito.
Não sei o que me atrai aos caras errados.
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