Pré-visualização gratuita Prólogo
21:45
Royal Echo, Zona Norte:
- d***a! – Exclamou o homem loiro, olhando para o corpo que ia atingir o chão em segundos.
Um grande tiroteio ainda rolava muito forte dentro da mansão em que estava. Charles O’Brien, mais conhecido como Chuck, só teve sua atenção voltada ao tiroteio porque uma bala passou muito perto dele, mas em primeiro instinto, ele saiu correndo na direção de quem o importava. Mateo Hale fora atingido e ele viu onde, no peito. O grande corpo forte do amigo atingiu o chão e ele não se mexeu. Atirando, Chuck atravessou tudo, sem medo, até chegar a Mateo.
- Não... Não, não, não... d***a, Hale! – Ele dizia, virando Mateo e vendo que o amigo tinha dificuldades de respirar. Ele olhou por volta. - JACKSON!!! JACKSON!!! – Chamou a primeira pessoa que passou em sua mente.
Jackson caminhou pelo corredor, com os olhos agitados, os tiros ecoando em sua cabeça. Ele não conseguia pensar com clareza, não conseguia entender onde erraram, onde fraquejaram para serem caçados feitos bicho. A voz de Chuck, gritando seu nome, gelou seu sangue, deixando-o mais preocupado. Se seu irmão gêmeo tivesse sido atingido... Deus! Não ia sobrar pedra sobre pedra naquela cidade.
- Chuck! – Jackson conseguiu falar, assim que reconheceu o corpo de seu irmão sobre outro. m*l respirou aliviado por vê-lo vivo, viu que o outro corpo era de seu melhor amigo. – Hale! Mateo, cara... – Jackson se abaixou, seu olhar indo para a direita e esquerda, vendo se algum inimigo estava perto. Sozinhos, ele agarrou Chuck pela camisa. – Como isso aconteceu?
Chuck estava mais perdido. Ele não sabia o que fazer ou o que pensar. Jackson estava embaçado a sua frente, ele respirava alterado.
- Eu não sei. – Disse, olhando para Mateo. – Eu o vi ser atingido, o vi cair... Eu não... Ah, d***a! – E virou-se para Mateo. – Meu Deus, Mateo se levanta, cara.
- A culpa é sua, Chuck! – Jackson gritou, furioso. – Você tinha que proteger o Mateo, seu trabalho era proteger o Mateo.
Jackson soltou o irmão com força, passando a mão sobre a cabeça, puxando os cabelos longos até a nuca. Ele precisava pensar, ele tinha que pensar. Seu trabalho era ser o estrategista do grupo, não é?
Do lado de fora, os tiros pareciam ter cessado. Mateo balbuciou alguma coisa, talvez o nome de sua esposa Brianna e desmaiou. Jackson xingou alto e tentou agarrar o amigo pelo braço. Com sorte, ele chegaria a tempo no hospital e evitaria uma tragédia. Brianna devia estar segura no centro da cidade, lanchando com a filha na hamburgueria nova. Foi isso que Mateo disse mais cedo. Certo?
***
00:30
Royal Echo, Centro da cidade:
A invasão surpresa e o tiroteio já eram notícia na cidade de Royal Echo inteira. As pessoas estavam com medo, os hospitais e até postos de saúde estavam cheios. O necrotério não sabia onde colocariam tantos mortos. O dia que nunca seria esquecido na cidade.
No hospital, em uma ala isolada de todos os outros andares, estava Jackson, Chuck e Mateo. Este, em coma. A bala havia atingido seu peito, mas não o coração. Devido a uma grande hemorragia, Mateo estava entre a vida e a morte.
Chuck andava de um lado para o outro, impaciente. Jackson havia lhe falado um plano, mas ele não podia aceitar.
- Não. Isso não. – Falou, passando as mãos no cabelo. – Sem Mateo, o que vai ser dessa cidade? Vamos dizer que ele está vivo, bem e vamos comandar nós dois no lugar dele. Vamos dizer que ele está escondido e se recuperando. – Ele já não conseguia mais falar, o desespero tomou conta. – Não podemos matá-lo.
Jackson deu uma risada, fria e amarga.
- Nós dois comandarmos a cidade, Chuck? – Ele se aproximou do irmão e o empurrou. O loiro tropeçou nas próprias pernas e caiu sentado em uma das poltronas da sala de espera. – Você não consegue nem se manter em pé, está fedendo a bebida barata e eu sei que no seu bolso tem cocaína. Como é que você quer comandar alguma coisa?
Jackson sabia que estava sendo c***l, mas ele não podia colocar panos quentes na situação. Se a organização deles estava desmoronando, boa parte da responsabilidade era de Chuck. Doía muito Jackson admitir aquilo, mas seu irmão gêmeo tinha falhado com eles. Ele olhou para Chuck, vendo-o perdido. Era bom que eles já não tivessem pais vivos. O que sua doce mãe diria ao ver um de seus meninos parecendo um trapo qualquer?!
Pegando o celular, Jackson se decidiu.
- Mateo morre esta noite. – Ele decretou, apontando o dedo para Chuck. – Isso é uma ordem, Chuck. Mateo morre essa noite.
Chuck levantou com tudo do sofá e pegou o celular das mãos de Jackson.
- Você vai passar a vida toda jogando na minha cara o que eu faço da vida, mas nunca estendeu a mão direito para me ajudar. – Falou alto. – Eu estou cansado disso, cansado de até quando nosso melhor amigo está prestes a morrer, você ficar com essa arrogância. Foi por culpa dela que perdemos tudo. Você é cego. – Jackson tentou avançar, mas Chuck levantou a mão que segurava o celular. Sua respiração estava alterada. Ele ofegava, sua mente só pedia dias coisas: as drogas e bebidas. – Eu vou sair desse quarto, vou deixar você com ele. Se eu souber que você foi em frente com seu plano, esquece a minha existência. – Se aproximou. – Isso aqui que você vê a sua frente, tem muita parcela de culpa sua, irmão. – E empurrou o celular no peito de Jackson. – Espero que escolha bem, irmão.
E assim, Chuck saiu da sala.
Que m***a de vida!
Se não bastasse tudo o que ele tinha que lidar, Chuck fugia. Jackson não precisava muito para pensar e deduzir onde o irmão gêmeo iria. Por um momento, desejou ter Lilith ali com ele. Com certeza, ela saberia como lidar com Chuck. Mas, a namorada ainda estava irritada e magoada com a última briga entre eles.
Desejando que Lilith não se expusesse ao perigo e ficasse em um lugar seguro enquanto não tivesse notícias deles e sabendo que tudo dependia só de si próprio agora, Jackson voltou a discar alguns números no celular.
- Escute. – Jackson disse, assim que sua ligação foi atendida. – Preciso falar com você.
***
01:50
Royal Echo, Zona Norte:
- O que? Não... Isso não... Não pode ser...
James McLean se levantou da cadeira no escritório da mansão de Mateo. Desde o ataque na noite anterior, ele só queria saber o que houve com seu patrão, só sabia que ele estava em algum hospital.
- Mateo não pode estar morto. Ah Deus! Essa cidade vai virar um caos agora.
Jackson estava exausto. Nem havia conseguido ir para sua casa, tomar um banho e limpar o sangue em suas roupas. Tampouco tinha notícias de Chuck ou Lilith. Ele acenou com a cabeça, confirmando as palavras de James.
- Ele não resistiu. Os médicos não conseguiram salvá-lo. – Jackson se sentou na cadeira de costume, observando James passar os dedos na cadeira atrás da mesa, que pertencia a Mateo. – Quero que você vá buscar Brianna e Joanne. Leve o restante dos seguranças que sobraram com você.
James ainda estava em pé, andando de um lado para o outro.
- Não se preocupe com isso, elas estarão muito seguras. Ah coitadas, como elas vão reagir a isso. – O homem se virou para Jackson. – Pobre menininha... – Ele parou para um momento. – Com você assumindo a sua parte da cidade, então quer dizer que eu vou assumir os negócios do Mateo, certo?
Jackson franziu o cenho com a pergunta de James. O segurança era um dos homens de confiança de Mateo, sabia de toda a movimentação dos negócios e mesmo assim, Jackson se incomodou muito com aquilo. O homem parecia... Ansioso. Até quem sabe, feliz.
- Por enquanto, sim McLean. – Ele respondeu, avaliando bem as reações do homem a sua frente. – Mas, isso é só até descobrirmos quem nos atacou e eu falar com meu irmão. Chuck está passando por um momento difícil, você sabe. – Jackson se levantou, ainda tinha muitas coisas a resolver antes de ir para casa. – Faça o que mandei. Vou providenciar o velório de Mateo.
Antes de sair do escritório, Jackson olhou a bagunça ao redor. De uma coisa James tinha razão, Joanne, a filha de Mateo e Brianna, ia sofrer muito. A pequenina tinha apenas seis anos.
O mundo não era nem um pouco justo.
James esperou Jackson sair pela porta e foi até ela, olhando para ver se havia alguém por perto. Para sua sorte, Jackson já havia partido.
A porta se fechou e finalmente James pode fazer algo que estava segurando a muito tempo: sorriu. Aquilo era a sua Vitória. Mateo estava morto.
Mateo Hale, o líder maior de toda Royal Echo estava morto. E agora, James poderia fazer aquilo que ele sempre sonhou: comandar a cidade.
Então, ele só fez uma coisa. Pegou o telefone e discou para um dos números que ligaria naquele dia.
- Deu certo. Mateo Hale está morto e tudo é meu!