Cinco Anos depois
Royal Echo, Zona Sul:
A boate American Dream era a mais popular da cidade. Mesmo que Royal Echo tivesse outras dúzias de lugares como aqueles, o centro nervoso da diversão acontecia na boate de Garret Ottman.
Não era um lugar muito bonito, nada comparado a Las Vegas, por exemplo. A American Dream era um puteiro chique. Luzes coloridas, sofás de couro e quartos privativos para quem pagasse mais. Algumas das garotas dançavam em gaiolas, outras no palco. Bebidas e drogas circulavam pelo salão e a música alta era enjoativa.
Lilith Savóia escorregou pelo pole dance, tentando fechar os olhos e imaginar que não estava ali. Que Garret não estava a sua frente, bebendo feito um porco e vigiando-a como se ela fosse um animal de estimação. Lilith quer sua vida, nos últimos cinco anos, não passasse um pesadelo medonho. Mas, era tudo verdade.
A música lenta acabou e Lilith não esperou por outra. Queria sair correndo. Ela desceu do pole dance, se equilibrando nos malditos saltos agulha que Garret insistia que ela usasse. Sabia muito bem que não tinha permissão, mas ela não se importava. Queria se isolar no camarim e deixar o resto da noite passar. m*l deu um passo quando seu braço foi segurado com força.
- Estou cansada. – Lilith falou, entre os dentes, não mostrando medo do homem que lhe segurava. – Não quero mais dançar hoje.
- Você deveria dar uma folga a suas mulheres, Garret. – Falou uma voz atrás dele.
O homem sentado em uma poltrona grande fazia jus ao seu status de rei. James, agora o cabeça de toda Royal Echo, bebia, lentamente. Ao seu lado, uma bela morena, sentada ao braço do sofá, com o braço envolto de James. Brianna Hale, ou melhor, agora McLean estava ao lado do seu marido. Quando percebeu Lilith sair e falar que estava cansada, queria sair dali correndo e levá-la embora, mas ela não podia... Não naquele momento.
James olhou para Lilith.
- Tire esses sapatos, Lili. – Falou ele, seus olhos azuis brilhavam para vê-la se humilhar mais um pouco. – Acho que isso que está te cansando. Garret não vai ligar por isso. Vai? – E bebeu mais um pouco da sua bebida.
Lilith engoliu a seco os xingamentos que queria dizer a James. Sabia que se irritasse o dono da cidade, quem pagaria era sua melhor amiga.
Garret não afrouxou o aperto no braço dela.
- Lilith sabe que gosto dela impecável no palco, não sabe, querida? – Rebateu o homem com o cabelo pintado de loiro e uma tatuagem de águia no pescoço.
Lilith não admitia fraqueza na frente de Garret. Mesmo que ele estivesse machucando seu braço, ela nunca pediria, por favor. Assentindo lentamente, ela se voltou para James, tentando não olhar direto para Brianna.
- Obrigada, senhor McLean. – Falou Lilith, sentindo como se espinhos estivessem em sua garganta. – Mas, Garret gosta dos sapatos.
- Muito bem, querida. – Garret aprovou, soltando o braço de Lilith, não sem antes sussurrar para que só ela ouvisse. – Volte a dançar e não me envergonhe mais.
A contra gosto, Lilith voltou a sua dança. Seu castigo eterno por querer proteger a quem ela mais amava. Já Garret, voltou ao sofá e com um suspiro, serviu mais bebida em seu copo.
- Meus informantes da zona leste disseram que O’Brien pagou mais uma dívida do irmão. – Garret deu um sorriso m*****o. – Eu jurava que dessa vez, o drogadinho ia se ferrar.
Brianna olhou para Lilith disfarçadamente, continuando a passar os dedos na barba de James, mas sua vontade era de m***r ele.
James balançou a cabeça.
- Eu já avisei ao O’Brien que o irmão não tem jeito, um dia, eles iriam acabar morrendo. – Riu baixo. – Não sabe o quanto isso ia me fazer feliz. – Ficou um momento um tanto tenso, o que ocasionou ao homem a olhar para Garret. – A propósito, por onde ele anda? Há muito tempo que não o vejo.
Garret balançou o copo no ar, a música se tornando uma batida forte e repetitiva.
- O’Brien não dá as caras fora da zona que pertence a ele. – Disse Garret, depois de tomar em um gole só, a bebida em seu copo. – Ele é esperto, sabe que a cabeça dele pode estar a prêmio. Bom, enquanto estiver fazendo a parte dele em nossos negócios e lavando nosso dinheiro muito bem, eu não ligo.
O coração de Lilith deu dois saltos, parecia que ia pular para fora da boca, só com a simples menção de Jackson. Ela diminuiu a dança, atenta a conversa. Já Garret pegou a garrafa de whisky e tentou encher o copo de novo, mas acabou derrubando um pouco em sua calça.
- m***a!
- Eu sirvo. – Lilith se ofereceu, saindo do pole dance e se ajoelhando próximo de Garret. Discretamente, ela retribuiu o olhar a Brianna, enquanto prepara a dose de whisky dele. Se Garret continuasse falando, mais informações elas teriam sobre suas vidas de antes. – Aqui, Garret. – Lilith forçou um sorriso.
Garret pegou o copo, mas não sorriu. Na troca de olhares entre as duas, Brianna se mexeu um pouco ao lado de James, que acabou percebendo o que rolava ali. Puxou Brianna para o seu colo.
- Cuidaremos de O’Brien depois. A minha preocupação é com tudo o que rola nessa cidade. – Ele passou a mão nas costas da mulher. – Eu quero essas mercadorias entrando e saindo o mais rápido que puder. Já falou com Keith?
Garret deu de ombros.
- Ele ficou de vir mais tarde. – Mais um gole na bebida e percebeu que Lilith ainda estava ali, aos seus pés. – Vai chamar Martinez. Quero ele aqui com os relatórios das mercadorias.
Lilith cerrou os punhos na lateral do corpo. Odiava Ottman com todas as suas forças. Mas, desempenhar aquele papel por tantos anos, a fez criar uma máscara fria de sentimentos. Murmurando um "com licença", a ruiva saiu atrás do segurança favorito de Garret, que por sua vez, deitou a cabeça no sofá e sorriu para James. A bebida afetava seu humor, o deixando bem animado.
- Eu te disse que ia fazer Lilith comer na minha mão. – Ele apontou para Brianna. – Já preparou a festa do aniversário de casamento? Cinco anos hein! – Ele gargalhou. – Cinco anos que a cidade é só nossa.
Brianna fitou Garret com todo ódio que tinha. Sua atenção voltou quando percebeu James segurar seu braço com força. Fechou os olhos e cerrou os dentes. Ao abri-los, respirou fundo e abriu um pequeno sorriu.
- É, Garret... Que sorte a nossa ter vocês comandando a cidade. – Disse sarcástica. Sabia que aquilo teria conseqüências, mas saberia como lidar. – Sobre a festa, sim, está tudo sendo ajeitando. – E se virou para James. – Acho que está muito tarde, não acha, querido? Eu quero ir pra casa. O cheiro desse lugar me deixa enjoada.
- Enjoada? - Garret bateu as mãos, com uma expressão debochada. - Será que você está grávida, Brianna? Imagina só depois de tanto tempo, Joanne ter um irmãozinho?! Seria maravilhoso.
Brianna fechou os punhos e ia partir para cima de Garret, mas, James a puxou e, eles levantaram.
- Acho melhor irmos mesmo. Ainda temos muito que conversar quando chegar em casa, não é meu amor?
Brianna não respondeu. Sua expressão era de irritação. Eles foram embora, assim deixando Garret na sala. Ele sabia aonde seria o seu destino. Lilith ia ter uma longa noite com ele.
***
A American Dream era como um presídio para Lilith. O prédio além de comportar a boate e seus quartos privativos, também abrigava o apartamento de Garret. Com isso, Lilith nunca saia daquele lugar. O máximo que podia fazer era visitar Brianna na mansão de James, na zona norte da cidade.
E, claro. Como uma boa prisioneira, Lilith tinha um carcereiro: Luis Martinez.
O faz tudo de Garret vivia como um urubu vigiando seus passos, até seus minimos suspiros. Cansada, Lilith observou Martinez guardar os relatórios na pasta do escritório da boate.
- O senhor Ottman pediu mais alguma coisa? – Perguntou o homem, sem nem olhar para ela.
- Não, Martinez. Seu dono não pediu mais nada, mas leva a coleira. Pode ser que ele te leve para passear.
Lilith gostava de provocar o segurança. Eram aquelas pequenas afrontas que a mantinham viva, como uma chama que se recusava apagar dentro de si. Ignorando-a Martinez saiu do escritório, com a pasta nas mãos e Lilith se afundou em uma cadeira, arrancando a porcaria dos sapatos.
Fechou os olhos por um minuto. Estava tão cansada de lutar sozinha. Jackson... Chuck... Se ao menos eles soubessem a verdade, talvez, a esperança podia existir.
Assim que James e Brianna foram embora, Garret deu uma ultima olhada na boate. Seus clientes estavam satisfeitos e ele, feliz demais porque sabia que o faturamento daquela noite seria bem grande, mas uma coisa ele aguardava ansioso para encontrar: Lilith em seu apartamento.
Garret sabia que falar de Jackson e Chuck deixava-a abalada e suas falas na reunião provocaram a reação exata nela. Lilith ainda amava aqueles dois e Garret usava isso para lembrá-la que hoje, ela pertencia a ele.
Assim, ele rumou para seu apartamento, já esperando que a ruiva fosse esbravejar muito em cima dele. Ela era valente, o enfrentava e ele gostava. Chegou ao apartamento, sentindo o cheiro dela. Rumou para os quartos, mas ela não estava lá. Andando pela casa, achou-a no escritório. Encostou-se à porta.
- Acha que eu pego muito pesado com você, meu amor? – Perguntou ele, com a voz carinhosa.
Lilith despertou, assustando-se com a voz de Garret. Olhou para o relógio da parede e percebeu que havia cochilado por alguns minutos naquela cadeira.
- Eu não sou seu amor. – Rebateu, já se levantando.
Foi até a prateleira de cristal que guardava as bebidas e preparou um drink para ela própria. Em um gole, tomou todo o líquido, sem se importar de queimar a garganta. Ela sabia que Garret a estava analisando, esperando por uma explosão qualquer. Eles sempre discutiam. Mas, Lilith estava tão exausta. Cinco anos deixaram-na quebrada, ela só não demonstrava.
Se sentindo tola, Lilith olhou para Garret.
- Até quando vai me manter presa aqui? – Perguntou, um leve vislumbre de sua máscara de coragem rachando.
Garret continuou a olhá-la por alguns instantes. Ele sabia bem aonde aquilo terminaria. Então, se aproximou dela e passou uma mecha de cabelo para trás de sua orelha.
- Você se lembra muito bem do acordo que temos, não é mesmo, Lili? - Perguntou, mas ela não respondeu. Em seus olhos, as lagrimas já se formavam. - Eu quero que você a repita pra mim, minha querida.
Involuntariamente, Lilith fechou os olhos e deixou as lágrimas escorrendo pelo seu rosto maquiado. Sua mente, então, lhe enviou para o passado.
***
Cinco Anos Antes
Royal Echo, Zona Sul:
Lilith assistia as imagens a sua frente e o desespero começou a tomar conta dela. Não podia ser verdade! Jackson não podia ter matado um agente da polícia federal.
Havia uma regra em Royal Echo: sangue por sangue. Jackson faria tudo para proteger Chuck, seu irmão gêmeo. Mesmo que isso o levasse para as profundezas de um presídio.
Lilith assistiu a cena gravada no monitor mais de uma vez. O agente federal contou tudo: como ele se infiltrou entre os amigos de Chuck, como se aproveitou do vício dele com as drogas e de como Chuck contou sobre os esquemas de contrabando, armas e lavagem de dinheiro que existiam na cidade.
Se aquilo vazasse para a polícia, se todas as dicas chegassem aos ouvidos certos, Royal Echo sucumbiria. A cidade que respirava através das organizações criminosas ia ruir. Jackson não teve dúvidas ao erguer a arma e descarregar o pente de balas no peito do agente federal. Com a morte dele, Chuck não seria um traidor. Tampouco, a cidade sofreria... Mas, Jackson?! Seu amado namorado protetor e estrategista poderia ser preso, condenado ou até morto por outros agentes da lei.
Chuck não fizera por m*l. Lilith o amava tanto quanto amava Jackson. Era esquisito para a maioria das pessoas, mas só cabia a eles três seu relacionamento. O vício de Chuck era o que os estava separando.
- Você não vale nada. – Lilith disse, empinando o queixo e olhando diretamente para Garret Ottman. – Você é um traidor. Quando Jackson descobrir o que você fez, ele vai te m***r. Ah vai... Eu confio no meu homem.
Garret riu.
Começou baixo e depois jogou a cabeça para trás, gargalhando bem alto. Estava bem a vontade depois de ter feito uma oferta a mulher de sua cobiça. Lilith sempre foi do seu interesse e agora que tudo estava desestabilizado entre o tão conhecido trio de Royal Echo.
- Continue minha querida, continue. Eu adoro quando banca a selvagem comigo. – Disse ele, apoiando suas mãos na mesa. – Eu sei que você deve estar preocupada com eles, mas será que eles estão preocupados com você? Perceba, você sumiu e eles nem perceberam. – Garret levantou-se, ainda a olhando. – Essa é minha proposta: eu não entrego Jackson e nem Charles por seus crimes, mas você terá que pertencer a mim, só a mim. Só dançará para mim, obedecerá só a mim. Se não aceitar, acredito que O’Brien não verá o amanhecer nunca mais.
- Como é? – Lilith arregalou os olhos. – Você enlouqueceu, Garret. Eu não vou me sujeitar a pertencer a ninguém muito menos a você.
Lilith sabia que a gravação colocava seus dois namorados em risco, Jackson muito mais, só que Royal Echo era uma cidade muito bem estruturada.
- Eu vou falar com Mateo Hale. – Lilith se levantou da cadeira, pegando sua bolsa. – Tenho certeza que ele vai colocar você e seus homens para fora daqui, assim que descobrir que você está armando contra os melhores amigos dele. – Óbvio que ela estava com medo do vídeo, mas esperava que chegassem a tempo até o marido de sua melhor amiga e tudo se resolveria. – Mateo é o rei dessa cidade. Não você.
Garret balançou a cabeça, negativamente.
- Você realmente é muito inocente, Lili. – Falou, segurando o braço da ruiva. – Mateo não vai mandar nessa cidade a partir dessa noite. Ele só será passado para todos. Ele não pode te ajudar e nunca mais vai, ou seja, você não tem para onde escapar. – Ele apertou o braço de Lilith mais forte. – Se você não aceitar a minha oferta, seus namorados vão morrer muito mais cedo do que planejado. – Ele levou Lilith até uma janela, onde ele podia ver toda a cidade. – Isso tudo será nosso, minha querida. E eu quero que você seja a minha rainha nesse comando. Mateo morrerá essa noite e se você contar sobre isso, Jackson e Chuck também vão morrer. O que escolhe?
Lilith estava atordoada com todas as informações que Garret lhe dizia. No princípio, achou que ele podia estar delirando, algum surto de poder ou algo parecido. Mas, foi aí que ela olhou pela janela e viu vários homens armados, muitos deles deveriam estar com Jackson ou então com Mateo. Faziam parte de seus bandos. Seriam traidores também?
Então, a porta de um carro parado em frente à boate American Dream se abriu e de lá saiu James McLean, braço direito de Mateo, trazendo sua melhor amiga Brianna. Pelo olhar assustado dela e a falta de Joanne, Lilith entendeu que Royal Echo não se esqueceria nunca daquela noite.
***
Tempos atuais...
Lilith já não segurava as lágrimas, quando reabriu os olhos. Garret esperava por uma resposta. Era mais uma das formas de tortura dele.
- Eu aceitei ser sua. - Lilith falou, socando o peito dele. - Aceitei ser sua para proteger os homens que eu amo. Eu amo, entendeu, Garret? Você nunca chegará aos pés de Jackson ou de Chuck e nunca terá o meu coração.
- E você nunca será mais deles. – Disse ele, rude e entre dentes. Ele segurou seu braço com mais força e a trouxe para perto dele. – Você agora é minha, Lili... Só minha e se qualquer outro homem ousar tirar você de mim, eu faço questão de matá-lo e isso inclui para Jackson e Chuck também.
O rosto dele aproximou-se do dela, sorrindo. Os olhos claros dele brilhavam de desejo.
- Agora vem aqui e seja minha. – Assim, beijando-a.
Por mais que quisesse empurrá-lo e não corresponder aos toques de Garret, Lilith sabia que não tinha escolha.
Todas as noites, ela fugia para um abrigo que criara na mente. Ali, nada de r**m aconteceria a ela. Era como um oásis, onde a felicidade reinava. Nada de beijos amargos do homem que odiava, nada de toques e carícias indesejadas.
E quando acabava, Lilith agradecia a Deus por sobreviver a mais uma noite. A meia luz do quarto, ela sussurrava uma promessa.
Um dia, seria ela a m***r Garret Ottman.
***
Tudo o que Brianna esperava era chegar em casa e logo ter mais uma discussão com James. Sim, ela já havia se acostumado até com aquilo. Eles sempre brigavam, discutiam sobre tudo, até mesmo dos negócios que agora, eram do comando dele.
Ela se sentia triste com todo o enredo que sua vida se transformou nos último cinco anos. Todos os dias, ela sente falta da sua filha e também do amor de sua vida, além de amaldiçoar aquele homem que estava ao lado dele o tempo todo.
O caminho para a mansão foi feita em silêncio, James e ela não trocaram uma só palavra, mas sentia o olhar dele em cima dela. Assim que chegaram à mansão, Brianna não quis aceitar nada de ninguém. Antes que Tom, um dos homens mais importantes de James, abrisse a porta do carro, a mulher se precipitou e abriu a porta do carro, saindo quase que correndo para dentro da mansão.
Só queria um banho, deitar na cama e dormir, mas no fundo, sabia que James não ia deixar. Subiu as escadas até o quarto, indo até o banheiro. Ficou alguns minutos lá, pensando e pedindo a Deus que tivesse misericórdia dela.
Respirando fundo, voltou ao quarto e encontrou James parado no meio do lugar, olhando para ela. Seu olhar azul era frio e nem piscava. O coração dela disparou, com medo do que ele faria. Devagar, James se aproximou e a segurou pelo braço, acariciando seu rosto bem suave e logo, beijou-a.
***
Eram 03:45 da manhã e Brianna ainda estava com os olhos abertos, olhando o teto. Perguntou-se o que fazia ali, porque não fugia. O homem deitado com o peito desnudo não era quem ela queria. Fechou os olhos e sentiu seu estômago embrulhar. Levantou-se e sentiu James se mexer ao seu lado. Ele levantou e foi até ela, beijando seu pescoço. Brianna se contorceu e sem falar nada, correu para o banheiro e vomitou.
James bufou, irritado enquanto socava o travesseiro. Maldito, Mateo Hale! Nem morto ele o deixava em paz. Cinco longos anos possuindo Brianna e nem assim ele conquistou o amor dela.
Royal Echo foi a mina de ouro de James. Quando chegou à cidade, ele tinha seus objetivos bem traçados e dia após dia, ele planejou seu golpe de mestre.
Primeiro passo: entrar no bando de Mateo, até então, líder da cidade. Segundo passo: se tornar o homem de confiança dele. E foi aí, que James adicionou a sua lista seu prêmio extra: Brianna. A morena era seu desejo mais sombrio, sua paixão louca. Por ela, James matou Mateo. Por ela, James se tornou um rei.
Ele se levantou da cama e caminhou até o banheiro. Sua voz rouca surpreendeu a mulher apoiada a pia.
- Você estava sonhando com ele. – Não era uma pergunta, era uma acusação. – Hale está morto, querida. Preciso te lembrar disso?
A morena lavou a boca e o rosto. Ela sentia nojo dele e dela mesma por se submeter aquilo. Quando James tocou no nome de Mateo, Brianna o olhou como se fosse uma leoa raivosa.
- Eu já falei para nunca falar o nome dele. Sua boca é suja e não merece pronunciar seu nome. – Respirou fundo e encostou-se a pia, olhando para cima. Riu. – Eu não sei o que é dormir a cinco anos. – E olhou para ele novamente. – Você me dá nojo.
James cerrou os punhos, tentando controlar sua raiva. As discussões entre eles eram sempre intensas, mas James tinha uma carta na manga. Ele se aproximou, passando a mão no cabelo de Brianna. Ela até tentou se esquivar. Maior e mais forte, James agarrou o cabelo dela e puxou com força.
- Acho que vou ter que ligar para o internato e cancelar a visita do final de semana. – Ele falou calmo, saboreando cada palavra. – Imagina só a decepção de Joanne ao saber que vai ficar sozinha, no colégio vazio, com todas as amiguinhas indo para casa, visitar seus pais e ela não.
Os olhos de Brianna encheram-se de lágrimas. James era baixo, mas ela não ia se entregar tão fácil. Ela lutaria até o final, por todos que amava. Foi pensando em algo que a fez sorrir.
- Faça isso, McLean. Faça. Ligue para o internato, tire de mim a única alegria que me restou e pode ter certeza que todos os seus sócios vão saber no mesmo instante que você desvia muito dinheiro das entregas deles para sua conta. – James ficou sério, arregalando os olhos. Ela sorriu. – Como sua mulher, eu tenho meus recursos para saber muita coisa, James, principalmente sobre todos os seus acordos. Eu tenho cópias de várias delas e, além disso, tenho pessoas de confiança com ordens restritas para entregar o dossiê aos seus sócios. O que eles fariam se descobrisse toda a sua sujeira contra eles?
James a soltou com força. Deus o ajudasse porque ele ia acabar fazendo alguma besteira.
- Se você fizer isso, Brianna... Se você me trair desta maneira, você fica sem a sua filha para sempre, entendeu?! – Ele gritou, batendo no balcão da pia. – Acha que não sou capaz de m***r uma fedelha que tem o sangue do Hale? Porque eu sou. Eu sou muito capaz!
- Eu não tenho medo de você. Pra mim, você é apenas um garoto querendo um poder que não sabe controlar. – Sua voz já ficava embargada de choro e falava tudo o que vinha em mente. – Você nunca vai ter a mim e nem o meu coração, James... Você tirou de mim quem eu amava. Nunca que eu te perdoaria.
***
Cinco Anos Antes
Royal Echo, Zona Sul:
A cidade ainda estava um caos. Ambulâncias passavam com sirenes ligadas, carros em alta velocidade. Gritos e tiros ecoando. O ataque foi rápido para quem o viver lá fora, mas ao mesmo tempo, devagar para quem só aguardava.
Brianna andava de um lado para o outro em um dos quartos na boate de Garret. Ela queria saber de Mateo. Não teve noticias nem dele e nem de Jackson e Chuck, muito menos de Lilith.
Seu coração disparou. Não poderiam estar mortos, não é? O ataque, quem ordenou? Tudo estava confuso.
Foi quando a porta do quarto se abriu e ela viu James entrando. Ele estava acompanhado de dois homens, um deles era Tom. Seu coração disparou ao ver a expressão do Irlandês.
- O que aconteceu? – Perguntou, mas o homem não respondeu. – Diz que está tudo bem, James. Diz que Mateo está lá fora me esperando.
James estava com uma expressão séria. Quem o visse, poderia até imaginar que ele sentia muito. Mas, no fundo, James estava dando cambalhotas de felicidade. O irlandês trocou um longo olhar com Tom e, depois, focou-se em Brianna.
- Eu sinto muito, senhora. – Respondeu ele, com o respeito que seu antigo e, agora, morto chefe exigia. – O ataque a mansão foi brutal. O senhor O’Brien até tentou levar o senhor Hale para o hospital, mas ele morreu. Seu marido está morto.
Brianna sentiu seu corpo amolecer e seu cérebro morrer por alguns segundos. Mateo estava morto? Não, era mentira.
- Não... – Falou, desabando no chão. James deu um passo para segurá-la, Tom abaixou a cabeça. – Não, diz que é mentira. É mentira!
Mas, James apenas suspirou. Brianna começou a chorar, sem conseguir se conter. Seu marido estava morto, o que seria dela? O que seria de Joanne, sua filha? Ela não sabia, não conseguiria viver sem ele.
Alguns minutos se passaram e ela estava sentada na cama. Tom havia saído a mando de James, que ficou sozinho com ela, ao seu lado. A morena tinha os ombros baixos, o olhar no chão.
- Isso não pode estar acontecendo. – Disse ela, baixo. Passou a mão nos olhos, limpando mais as lagrimas. – Vocês descobriram quem ordenou esse ataque? Se sim, eu quero que me fale, quero vingar meu marido.
James deu dois passos, devagar, até se sentar ao lado de Brianna na cama. O cheiro do perfume dela o atraía feito abelha. Vê-la naquele quarto de boate, com paredes gastas e um colchão que já vira dias melhores, era uma anomalia. Brianna era uma mulher acostumada à seda e jóias.
James colocou a mão dele sobre a de Brianna.
- Infelizmente, não sabemos. Mas, não se preocupe. – Ele sorriu. Não podia se controlar mais. – Com Hale morto, eu vou assumir a zona norte da cidade e, em breve, todos se curvarão a mim.
Os olhos de Brianna olharam para James, surpresos pelo modo que ele falou. Ela se levantou.
- O... O que? – Ela disse de cenho franzido. – Que eu saiba, quem deve assumir são os O’Brien. Desculpe James, Mateo confiava em você, mas por direito, são os amigos dele quem deve assumir o posto.
James estreitou os olhos. Por que Brianna o rejeitava? Por que ela não entendia que ela era parte do motivo dele fazer o que fez?
- O’Brien é um drogado. O’Brien não consegue enxergar um palmo na frente do nariz dele. – James disse, não escondendo mais seu nojo pelos outros homens que tinham partes da cidade sob seus domínios. – Os dois passam o tempo todo brigando por causa da v*******a da Lilith. Eu sou o homem certo para essa cidade. – James começou a andar, na direção de Brianna, acuando-a em um canto do quarto. – Eu sou o homem certo para você. E você vai me aceitar, não vai? Agora, você é viúva Brianna. Hale não vai nos atrapalhar lá do inferno.
Conforme James ia falando, ele passava os dedos longos pela curva do queixo da morena. Brianna, mesmo em cara de choro, era a mulher mais linda do mundo para ele.
- Você tem que me aceitar, Brianna. A partir de hoje, você vai pertencer a mim. Será a senhora McLean.
Sua mente ainda tentava processar tudo aquilo que ela ouvia. Sua respiração ficou alterada e seu coração disparou. Em impulso, empurrou James e lhe deu um t**a na sua face.
- Nunca mais ouse falar desse jeito de ninguém, lave sua boca quando falar da minha amiga e ainda mais, eu nunca vou ser sua porque eu pertenço e pertencerei a um único homem.
Ela lhe deu outro t**a quando o homem voltou a olhá-la, até que sua mente lembrou-se de vários fatos e da fala que ele lhe disse. "Hale não vai nos atrapalhar lá do inferno".
- Foi você. – Sua voz saia junto das lágrimas. – Você o matou... Você organizou tudo. – Sem perceber, ela partiu para cima dele, lhe dando vários tapas. – Traidor, assassino! Eu vou contar para todo mundo o que você fez.
Como um louco descontrolado, James começou rir. Riu do desespero de Brianna, riu de nunca, ninguém ter percebido que ele era uma víbora em um ninho de cobras. Riu, porque agora, ele tinha o poder.
James agarrou os braços de Brianna e a jogou na cama. Quando ela tentou se desvencilhar, ele a cobriu com seu corpo, prendendo as mãos dela no alto da cabeça.
- Já chega! – Gritou, com olhos ameaçadores. – Entenda de uma vez, Brianna. Mateo Hale está morto. E se quer saber, sua amiguinha acabou de se vender ao Ottman em troca da vida de seus namoradinhos idiotas. – Ele viu a surpresa no rosto da morena e passou a língua pelo seu rosto lambendo as lágrimas que escorriam. – Se quer continuar vendo sua amiguinha, se quer continuar vendo sua filha Joanne, você vai fazer o mesmo e se tornar minha. Minha esposa! Minha para eu fazer o que quiser com você.
***