Capítulo um (continuação...)

593 Palavras
Tempos atuais... - E aqui estou eu, me deitando com o assassino da minha família. – Ela apertou a descarga. – Às vezes, eu sinto nojo de mim mesma, de ter me vendido. – Caminhou e parou na frente de James. – Há cinco anos, você tenta ser igual a ele, mas nunca será. – Ela sorri. – Nem na cama. Com uma das mãos, James agarrou o braço esquerdo de Brianna e com a outra, o queixo dela. Ele queria que ela o olhasse bem. Queria que ela sentisse o quanto estava puxando a corda de sua paciência e quando ela estourasse boa coisa não aconteceria. - Eu posso não ser como ele, mas estou vivo. – Falou, sorrindo. – E não importa o que aconteça, Brianna. Você é minha e continuará sendo minha para sempre. – James a soltou, de forma violenta. – Agora, volta para cama como a boa esposinha que você é, ou ligo pro Ottman e conto sobre os olhares que você trocou com a Lilith esta noite. Não se esqueça que sua melhor amiga pode sofrer um castigo no seu lugar. E sem esperar uma resposta dela, James saiu do banheiro, voltando ao quarto. Brianna sentiu medo, por Lilith. Ela sabia que Garret faria o que desse na mente pra puni-la. Fechou os olhos e fez una prece, pedindo que Deus as protegesse. Respirou fundo e voltou para o quarto, ainda orgulhosa e de cabeça levantada. Um dia, ela mataria James e tudo iria acabar. *** Royal Echo era uma cidade de hábitos noturnos. Os bares e boates ficavam abertos até o sol raiar. Homens e mulheres, jovens, adultos e velhos dividiam bebidas, dançavam ao som de músicas eletrônicas e trocavam papelotes de d***a, alguns comprimidos e líquidos de cores estranhas. Notas de dinheiro passavam de mãos em mãos. Tudo acontecendo bem as vistas de quem quisesse olhar. Um homem todo vestido de preto, com calça de moletom e agasalho, cobrindo sua cabeça com o capuz, zanzava pela rua principal, recém saído da boate American Dream. Ninguém se importou com ele. Ninguém se preocupou com o estranho forasteiro. Enquanto ele pagou pelas cervejas que tomou e recusou, sem uma palavra, as prostitutas que vinham lhe oferecer um agrado, ninguém ergueu seus olhos a ele. Era mais um fracassado que não valia à pena. Em Royal Echo, você tinha que ser como todos. Você tinha que se expor para ser visto, se não... Você não era nada. Aquele homem era nada, mas no passado, ele já fora tudo. Durante suas cervejas, ele voltou seu olhar a área VIP da boate. Viu a ruiva dançar, mesmo cansada, mas sem sair do salto, para Garret Ottman. Viu a esposa de James McLean erguer o queixo tantas vezes, sempre se mostrando superior. O homem sorriu. Aquelas duas mulheres deviam criar um inferno na vida de quem achava que as possuía. Ajeitando o capuz sobre a cabeça, o estranho homem passou pelos frequentadores bêbados e drogados, os seguranças que tentavam tirá-los da boate e encerrar o expediente. Caminhou pela rua principal, descendo até o largo pavimento que demarcava o centro da cidade. A igreja da Santa Muerte. A mesma santa que ele tinha tatuado em seu peito. Era bom estar de volta. E, seria melhor ainda, recuperar sua mulher, sua filha, seu dinheiro e seu poder. Ele ergueu os olhos para o alto da torre da igreja e fez um sinal da cruz. Mateo Hale era um rei. Como um rei, ele recuperaria seu trono e cortaria a cabeça de seus inimigos.
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