Capítulo quatro

4969 Palavras
Cinco anos de casamento... Cinco anos que James McLean conquistara o topo do mundo. Matou seu maior rival, colocou a cidade sob os seus pés e, de quebra, colocou uma aliança no dedo da única mulher que fez seu coração gelado se aquecer. Brianna, um dia, daria razão a ele. Um dia, ela enxergaria o quanto eles eram parecidos e, por isso, precisavam ficar juntos. Seu smoking estava impecável para a festa daquela noite. Feito a mão, para suas medidas. James penteou e prendeu o cabelo rente a nuca. Seu gostou de ter o cabelo cumprido. Isso era uma característica dele, não uma imitação do falecido Mateo. Se alguém dissesse o contrário, ele mataria a pessoa. James pegou a larga caixa de veludo e colocou-a na frente de Brianna. Ela estava sentada em frente ao seu espelho de maquiagem, terminando de ficar bela para ele. Porque ela era dele. - Feliz aniversário de casamento, meu amor. – Ele desejou, sorrindo. Estava empolgado pela dedicação dela a festa e, por isso, resolveu que ela merecia uma boa joia. – Abra. Você vai gostar. Brianna estava perdida em seus pensamentos quando surgiu a caixinha a sua frente. Olhou dela para James, um tanto desconfiada. Hesitante, pegou a caixinha e abriu. Era um colar de prata brilhante, com um pingente de diamante pequeno que brilhava muito com as luzes do seu quarto. Ela abriu a boca, mas não saiu nenhuma palavra. O dia todo, ela evitou James. Fingiu estar ocupada o dia todo para não ter que olhar para o rosto dele. James esperava que ela fosse a esposa perfeita para ele, mas nos cinco anos de casamento, tudo o que Brianna viveu foi um inferno. Aquele homem tentava conquistá-la, mas como ela poderia amar alguém que matou toda a sua felicidade? Ele era o assassino de Mateo, ele tirou Joanne de seus braços, ele ajudou afundar tudo o que ela mais amava... Como pudera aceitar ser esposa daquele homem? Era essa pergunta que Brianna se fazia todos os dias, mais em específico a cada ano que passava de seu casamento com ele. O que fizera para receber um castigo como aquele? Ela era apenas uma pessoa que queria ser feliz. Se levantou e virou-se para o homem, decidida a fazer algo. Entregou o colar a ele. - Pode colocar para mim, por favor? – Disse séria, mas em tom suave. O pingente combinava com seu vestido cinza grafite com pedrinhas brilhantes. James m*l coube em si de alegria quando Brianna não recusou o presente. Será que finalmente ela havia entendido que nada no mundo os ia separar? Com cuidado, ele tirou o colar da caixa e colocou no pescoço da esposa. Olhou para ela pelo reflexo do espelho. - Sem dúvidas, a verdadeira rainha dessa cidade. – James depositou um beijo no ombro de Brianna. – Hoje, você irá brilhar para todos verem que ninguém pode mais do que você. Brianna refletiu sobre aquela frase de James. Por incrível que pareça, ela já ouvira antes, saindo da boca de Mateo. Levantou o queixo, olhando seu reflexo no espelho. Com um suspiro, ela se virou para James, o encarando. - Escuta James, eu andei pensando muito bem sobre esses últimos cinco anos. – Começou a dizer. – Eu sei que não tenho sido uma boa companhia para você devido a muitas coisas que aconteceram. – Ela pausou, esperando que James começasse a explodir, mas ele continuou a olhá-la, esperando. Ela respirou fundo. – Acho que hoje, eu quero dar uma trégua para nós. É um dia especial e quero que tudo dê certo. Quero que seja diferente dos últimos anos. Sempre brigamos, sempre discutimos na frente de toda aquela gente, mas hoje... Eu quero que seja diferente. James estreitou os olhos, desconfiado. - Você está falando sério? – Ele perguntou, tomando as mãos dela nas suas. Seus olhos buscando nos da esposa qualquer brilho de mentira, qualquer máscara de falsidade. Mas, não achou nada. – Brianna, eu preciso saber se está falando de coração. Porque não há nada mais no mundo que eu deseje do que ter seu amor. Ela respirou fundo. - Eu ainda não me acostumei a essa vida, mas talvez eu só tenha que aceitar. – Falou, abaixando a cabeça. – Isso não quer dizer que eu tenha que aceitar certas coisas, James. Eu só estou levantando a bandeira da paz. Ainda vou continuar confrontando você se for preciso. Apenas isso. Agora será que podemos ir receber nossos convidados da nossa festa? - Claro, claro que sim. – Ele se apressou em concordar. Beijou as mãos dela e sorriu. – Eu te prometo que essa noite será muito especial. James estendeu o braço para Brianna, disposto a cumprir sua promessa. *** O vestido que Brianna enviou para ela, definitivamente, valia cada dólar que Garret fosse pagar por ele. Era longo, prateado e brilhos, o decote em V exibia seus s***s, sem ser vulgar. Depois de descobrir que Mateo estava vivo, Lilith sentiu uma força crescer dentro de si. Se antes começava a entregar os pontos e aceitar os mandos e desmandos de Garret, agora ela tinha decidido voltar a ser a velha Lili. Na noite passada, Garret chegou ao apartamento bêbado e ela fingiu estar dormindo. Durante o dia, deu o tratamento do silêncio a ele. Esperou a hora da festa e se arrumou. Dessa vez, querendo mesmo se maquiar e se arrumar para se sentir bonita. Sentir-se como a verdadeira Lilith Savóia. Não a boneca que Garret Ottman achava que possuía. Enquanto descia as escadas, recusou a ajuda de Garret e nem mesmo esperou ele abrir a porta do carro. Foi quando sentiu seu captor segurar-lhe o braço. Ela não gemeu, não fraquejou. - Me solta ou vamos chegar atrasados na festa. – Falou, com os dentes cerrados e sem olhar para Garret. Garret estava odiando aquele silêncio e ele sabia muito bem por que daquilo. Lilith o evitou o dia todo e aquilo deixava-o irritado. Por que ela não podia aceitar o destino dela, que era pertencer a ele? Malditos irmãos! - Eu acho que antes de chegar à festa, teremos que conversar um pouco, minha querida. Eu não quero que as pessoas achem que eu e você estamos em crise. – Ele apertou o braço dela, não tão forte pois não queria deixar marcas para falarem. – Eu quero muito que hoje tenhamos paz, mas você não está colaborando, Lilith. Vai me ignorar até quando? – Perguntou, rente ao rosto dela. – Se você não se comportar, eu juro que vou fazer você pagar muito caro. - E vai fazer o que, Ottman? – Rebateu Lilith, sem aumentar o tom de voz. Era a primeira vez em meses que ela o encarava, olhos nos olhos. – Vai tirar mais o que de mim? Vai me proibir de fazer mais o que? – Ela empinou mais o queixo e puxou o braço, se soltando. – Eu estou cansada de ser seu brinquedo. Aquela rebeldia... Garret ficava louco, mas ele sabia colocar a ruiva no seu lugar. - Ah... Eu posso tirar muita coisa de você, Lili. Por exemplo, uma festa seria perfeita para apresentar a fita do assassinato que Jackson cometeu. – Ele viu a ruiva ficar pálida e surpresa. Ele sorriu. – Imagina, todos da alta sociedade na festa e sabendo que Jackson matou um homem por simplesmente nada. Ou eu posso fazer um combo, eu poderia dar um tiro na cabeça dele, salvar essa cidade do resto da escória. – Ele se aproximou mais dela. – Vai escolher qual, meu amor? Podemos ser um casal tranquilo e feliz ou hoje, o seu ex-namoradinho sai da festa direto para a cadeia ou para o túmulo. Lilith queria gritar na cara de Garret que os dias de chefia dele estavam contados, mas lembrou-se de Mateo lhe pedindo paciência. - Seremos o casal mais apaixonado do mundo na frente de todos. Mas, sabe de uma coisa Garret... – Lilith sorriu. Não por deboche, não para fingir uma alegria. Ela realmente quis sorrir, porque havia enxergado uma coisa importante. – Jackson tem razão. – Ela deu um passo encurtando a distância entre eles. – Quem se humilha aqui é você. Eu nunca serei sua de verdade, porque eu sempre serei de Jackson e de Chuck. Garret continuou a olhá-la, de olhos cerrados. - Você pode amar a quem quiser, mas é a mim que você vai pertencer até o dia em que morrer. – Foi até o carro e apontou para dentro. – Agora entre e vamos a festa. A propósito, você está linda nesse vestido. Brianna realmente tem bom gosto. Lilith virou o rosto e entrou no carro. Para Garret, era uma vitória. Para ela, era só mais um dia de farsa. Era engraçado Garret citar sua morte.... Em breve, a previsão dele se concretizaria. *** Todos os convidados estavam chegando ao grande salão da prefeitura de Royal Echo. A festa de casamento de James e Brianna McLean era considerada a festa do ano na cidade. Todas as pessoas da alta sociedade, estavam presentes, sejam elas os sócios, conhecidos, políticos ou qualquer outra pessoa. Todos queriam tirar uma lasquinha daquela festa de gala. Brianna, Joanne e James estavam felizes recebendo as pessoas, que vinham cumprimentá-los ou mesmo trazer presentes aos anfitriões da festa. A maioria ali, Brianna e Joanne torciam o nariz, mas no fim dava tudo certo. Brianna andava pelo salão, sendo bem elogiada por seu traje, além de ter a filha por perto. James estava entre os homens de negócios dele, por isso resolveu andar pelo salão. Quando olhou para a porta e viu Garret e Lilith chegando, elas correram para a porta. - Até que enfim vocês chegaram. Eu achei que ia precisar socorrer a minha amiga para vir a minha festa se não aparecesse. – Disse Brianna, encarando Garret. O homem simplesmente riu. - Por mais que ela não mereça, eu precisava vir a essa festa. Devo muito ao seu marido, Brie. – Disse ele, olhando pela festa. – Bom, vou aproveitar para conversar com ele. – E olhou para Lilith. – Se comporte e não esqueça de nossa conversa antes vir. Lilith continuou com seu tratamento de silêncio e esperou Garret se afastar, contrariado, engolindo quaisquer outras ameaças para não causar um vexame. Então, abraçou a amiga. - Eu o odeio. – Sussurrou no ouvido de Brianna. Não queria que Joanne ouvisse. – Eu quero que ele morra do jeito mais c***l que existir. Havia uma linha muito tênue entre o bem e o m*l. Crueldade e justiça. Lilith não era uma criança. Crimes, drogas e armas não eram desconhecidos para ela. Quando chegasse a hora, ela exigiria para si o direito de vingança. - Não se preocupe, tia Lili. – Joanne falou, também abraçando Lilith. – Vamos ficar com você a noite toda. Esse i****a não vai fazer você chorar hoje. Não é, mamãe? - Exatamente, meu amor. – Falou Brianna, envolvendo o braço de Lilith de um lado, enquanto Joelle envolveu do outro. – A propósito, eu posso comprar mais vestidos para você. Esse ficou maravilhoso, meu Deus. As duas se afastaram da porta e foram para a mesa dos canapés, a tempo de Brianna se virar para a porta e ser surpreendida por uma cena. Jackson havia acabado de chegar e não estava só. Ele estava com uma mulher loira, mais baixa que ele, vestindo um vestido preto e bem decotado, seu cabelo loiro tinha coloração rosa nas pontas e ela sorria, parecendo muito feliz. Assim que viu a cena, ela olhou para Lilith, que se virou ao perceber os olhares. Joanne, por sua vez, achou a cena estranha. - Ahn... Não sabia que o tio Jackson conhecia a Lexi. – Comentou, olhando para Brianna e Lilith. Foi como se parte da sua autoconfiança se reduzisse a **. Lilith nunca viu Jackson acompanhado por outra mulher e não estava pronta para aquilo. Por mais que fosse Lexi Cabrera, uma amiga dela e de Brianna. Por mais que ela não pudesse exigir fidelidade dele. - Pelo visto, eles são mais que conhecidos agora. – Falou, notando Jackson beijar a testa de Lexi. – Oh Deus, Brie! Diga que ela não está vindo para cá. – Lilith pediu, se virando de novo para a mesa de canapés. Brianna olhou de uma Lilith triste para uma Lexi superfeliz se aproximando. Logo, olhou para a filha, que deu de ombros. - Meninas, que saudade de vocês! – Disse Lexi, abraçando Brianna primeiro, logo indo para Joanne. – Menininha, como você cresceu. – Disse, bem surpresa. Ela olhou para Lilith, que continuava de costas. – Oi Lili... Espero que você esteja bem. "Eu estou ótima vendo você do lado do homem que eu amo, Lexi. Ótima!" Lilith fechou os olhos por um segundo, mordendo a língua para não descontar em Lexi seu ciúme. Não fazia nenhum sentido Mateo ter dado esperanças para ela vinte e quatro horas antes, se Jackson já tinha uma namorada. E logo uma de suas amigas! Lilith abriu os olhos, decidida a enfrentar a situação. Não sem antes perceber que James e Garret acompanhavam tudo do fundo do salão. A ameaça de Garret a fez estremecer, mas Lilith sabia esconder bem seus sentimentos. Se virou, com um sorriso estampado. - Lexi, querida. – Ela aceitou o abraço da loira e se afastou, pronta para elogiar o vestido dela. – Você está maravilhosa. Lexi sorriu, bem feliz com o elogio. - São seus olhos, minha querida. – E virou-se para Brianna. – Parabéns pela decoração, Brie. Está tudo muito maravilhoso. Brianna não sabia o que fazer, pois conhecia a sua melhor amiga. Ela estava se mordendo de ciúmes por dentro e queria avançar em Lexi, mas com todos, principalmente Garret e James apontando na direção delas, as coisas poderiam saie do controle. Então, decidiu fazer o melhor para todos. - Obrigada, Lexi e eu espero que você aproveite. Bem, eu preciso ir receber mais convidados, acho que seria legal você ficar aqui com a Lili e a Joanne, o que acha? Lilith a olhou de olhos arregalados, enquanto Brianna sorriu e foi na direção da porta. Quando esta estava longe, Lexi se virou para Lilith e se aproximou dela. - Eu espero que não tenha ficado brava por ter chegado com seu homem, amiga. – Falou ela, disfarçadamente. – Acredite, eu não estaria aqui se não fosse preciso. – Olhou pelos lados. - Eu estou aqui para ajudar. Planos. Lilith não queria saber de planos que seu homem tivesse que estar abraçado com outra mulher. - Esqueça, está tudo bem. – Apontando a mesa atrás de si e louca para mudar de assunto, Lilith emendou: - Canapés? Enquanto Lilith e Lexi começaram a conversar sobre tipos de patê e qual deles era menos calórico, Joanne estava intrigada. Odiava que os adultos deixassem ela fora das conversas importantes. Não que houvesse muitas outras crianças da sua idade na festa, mas as que estavam presentes era muito infantis para Joanne. Ela era uma adolescente. E das mais espertas. Ela se aproximou de Jackson, que cumprimentava o assessor do prefeito, ao mesmo tempo que era servido por um garçom. A garota não perdeu tempo. Tinha feito uma promessa a tia. Ela não ia chorar naquela noite. - Tio Jackson. – Ela parou na frente do homem vestido de preto da cabeça aos pés, com braços cruzados e olhar crítico. – Eu gosto da Lexi, mas vou deixar de gostar dela se for sua namorada. Jackson olhou para a sobrinha de coração e quis rir. Pegou a mão dela e a levou para um lado do salão aonde ninguém os visse. - Eu esqueço que você é uma garotinha esperta até demais, JoJo. – Falou ele, rindo depois. – Mas para sua informação, não... Lexi não é minha namorada. Ela só está aqui para nos dar uma ajuda muito essencial. – E se abaixou, ainda olhando pelos lados. – Logo, logo, ele vai estar aqui e vamos precisar muito da sua ajuda. Sabe de quem estou falando, não é? Os olhos de Joanne se iluminaram. - É sério, tio? – Jackson confirmou e Joanne começou a procurar pelos convidados, se "ele" já estava por ali. – Ele vai chutar a b***a do James hoje? Não, não. Já sei! Tio Chuck também está aqui e vocês vão cortar a cabeça de todo mundo que machucou a mamãe e a tia Lili? – Ela falava sem parar. – Eu não gosto muito de sangue, mas não vou fechar os olhos. Prometo. Jackson olhou surpreso para a menina. - Não, ninguém vai ter cabeça cortada. Me lembre de perguntar a sua mãe onde você está aprendendo essas coisas. – Ele se recompôs. – Bom, eu vou te falar o que deve fazer, ok? É o seguinte... E assim, Jackson começou a passar as instruções para Joanne, que ouvia tudo de olhos brilhando. Já havia se passado duas horas de festa. James, volta e outra, vinha até ela e perguntava como estava. Respondia que estava bem, com um sorriso no rosto. Quando olhou para os lados, viu vários olhares neles, muitos se perguntando se estava tudo bem. *** Quando teve um tempo para ficar sozinha, olhou a todos no lugar. Todos ali conheciam sua vida antiga e nenhum estendeu a mão para ela quando precisou, aquilo a deixou desanimada. Pegou um champanhe de um dos garçons que passava e bebeu a metade. Ela queria jogar fogo ali e salvar quem realmente interessava a ela. Se livrando dos pensamentos, Brianna resolveu tomar um ar. A prefeitura tinha um belo jardim nos fundos, com uma fonte maravilhosa, que naquela noite, estava iluminada. Se lembrou de vários momentos com Mateo e Joanne ali. Ainda com a taça na mão, bebeu mais um pouco do champanhe. Era bom respirar um pouco sozinha. Keith Speno era um homem amargurado. Amava alguém que não lhe amava. Traiu um homem que não merecia. Dinheiro, carros, luxo... Nada disso tinha sentido para ele. Ele nasceu e cresceu em Royal Echo. Herdou do pai os negócios ilícitos e da mãe os princípios. Do caixão, ela devia odiar o filho agora. Por inveja, pela loucura de um amor impossível, ele enganou e foi o culpado da morte de um homem. Mateo Hale. Speno viu quando Brianna pegou a taça e se esgueirou para os fundos da prefeitura. James estava todo pomposo, falando com o prefeito e sua primeira-dama. Dois fantoches que aceitavam qualquer quantia para fingir que mandavam em Royal Echo. Speno seguiu Brianna, encontrando-a na fonte. Sua namorada de infância era tão linda que ele m*l podia guardar para si seus sentimentos. - Brie. – Chamou, baixo, tentando não a assustar. – Posso me juntar a você? Eu vi quando passou e me perguntei se não seria bom lhe fazer companhia. Você sabe... Pelos velhos tempos. Brianna olhou para Keith chegar e estranhou que ele não viesse falar com ela antes. Não que ligasse, mas ela sabia muito bem o que ele carregava. - Às vezes, é bom tomar um pouco de ar fresco. – Falou, voltando a olhar a fonte. – Achei que não fosse vir, James disse que a reunião foi meio conturbada ontem. Ele não entrou em detalhes, mas soube que foi r**m. Speno levou as mãos ao bolso da calça. - Juntar na mesma sala O’Brien e Ottman é como ter canhões prestes a disparar. – Falou, se aproximando mais dela. Seus olhos pequenos estavam fixados em Brianna. – Nada é mais perigoso no mundo do que a guerra de dois homens pelo amor de uma mulher. Brianna ficou surpresa com o que ele havia contado. - Meu Deus. Eu nem sei o que falar. Ela trocou olhares com ele, achando todo aquele momento estranho. Speno foi seu namorado na adolescência e mesmo depois que terminaram, ele continuou por perto. Apoiou seu casamento com Mateo e pior, apoiou seu casamento com James. E lá estava ele, olhando para ela, sozinhos. James não iria gostar nem um pouco daquela proximidade. - Por que eu sinto que quer me falar alguma coisa, Keith? – Disse, quebrando um longo silêncio entre eles. Speno engoliu seco. Era um maldito covarde. - Eu só estava pensando se tudo fosse diferente. – Começou, sem graça, tentando parecer natural. – Se você não tivesse me trocado por Mateo. A gente tinha planos, lembra? – Speno olhava para o chão. A vergonha de guerra o causador da maior perda que Brianna sofreu na vida, pesava sobre seus ombros. – Eu achei que fossemos nos casar, ter filhos. Você até queria ser professora. Aí veio o Mateo. O homem da zona norte da cidade. Capitão do time de futebol... Todo mundo sabia que ele nasceu para ser líder. Até a Lili ficou muito mais amiga dele do que minha. Logo ela que sempre foi tão protetora com você, ela... – Speno riu, sozinho. – Ela deixou o Mateo se aproximar tão rápido de você, que quando eu percebi, você estava me dando o fora para ficar com ele. Ah, era aquilo. Brianna ficou muito surpresa com todo o comentário de Keith sobre o passado deles. Ela sorriu. - Você sabe que não foi bem assim, Keith. Nós fomos imaturos demais, éramos crianças ainda. – Falou ela, tentando escolher as palavras certas para que ele não ficasse magoado. – Mateo chegou muito depois de terminarmos, você era amigo dele. – Ela suspirou, passando a mão na testa. – Eu as vezes me pergunto sobre muitas coisas na minha vida... Até mesmo o que tenho feito com ela nos últimos anos. E abaixou a cabeça, perdendo o sorriso. - Você não ama o James, não é? – Perguntou Speno. Dentro do peito, uma chama se acendeu, teimosa e imprudente. – Eu sei que não ama. Para ser sincero, quando Mateo morreu, achei que fossemos ficar juntos. Eu era sua escolha óbvia e ainda posso ser, Brie. Eu posso te ajudar a se separar de James. Eu só preciso de uma chance para... Quando ela ouviu, Brianna levantou a cabeça e o olhou, mas outra coisa lhe chamou a atenção. Um vulto atrás de Keith, ao longe, um garçom, passando. Os olhos dela arregalaram ao ver quem era o garçom. Não era possível. Era Mateo. Ela estava ficando louca, na festa de aniversário do casamento dela. Seu coração bateu forte, sentiu o peito arfar. - Keith... – Ela o chamou, antes de ele terminar a frase. – Me perdoa, mas eu... Eu preciso ir... Eu tenho que... Tenho que ir... – E passando por ele, Brianna foi na direção daquele garçom. Ela não poderia estar tendo visões. Ela tinha certeza de que tinha visto Mateo. Speno não entendeu nada. - Brianna. Ele a chamou, mas a mulher andou rápido e Speno ficou na dúvida se devia segui-la. Será que foi ousado demais com as palavras e ao invés de convencer Brianna a reviver seus sentimentos, ele a afugentou? No mínimo, devia um pedido de desculpas a ela. Speno balançou a cabeça e decidiu retornar a festa, indo pelo caminho que Brianna seguiu. Tinha que encontrá-la antes que James pudesse interrompê-los. m*l cruzou as portas de vidro do salão, Speno se chocou com uma mulher pequena e loira, com mechas rosas no cabelo. A taça de champagne que ela segurava, derramou por completo e bem em cima do vestido dela. Olhando bem, ele a conhecia. Vira a mulher uma ou duas vezes, há muito tempo, com Lilith. Qual era mesmo o nome dela? Lexa... Lexindra... Lexi. - Perdão, senhorita. – Speno pediu, tentando ajudar a Lexi, mas olhando para os lados em busca de Brianna. – Se machucou? Eu não tive a intenção. - Meu vestido! – Lexi fez um muxoxo. – d***a, eu gostei tanto dele. E agora? Você não olha por onde anda? Estragou tudo. Uma verdadeira cena se formou entre os convidados. Muitos murmuravam comentários, sob os pedidos de desculpas de Speno. Outros escondiam risos abafados da situação constrangedora. Tom passou por Lexi e lançou um olhar na loira. Até que a mulher baixinha era esperta. Atraiu a atenção para si e deixou Brianna livre para sumir do salão. Outros olhos, menos treinados, não perceberiam, mas, Tom tinha uma missão em sua vida: guardar os passos da senhora McLean. *** A noite estava perfeita. Tudo na festa caminhava muito bem. James gostou de ver Brianna flutuar pelo salão, cumprimentando os convidados, sorrindo para os presentes que recebia e até Joanne se comportava. A única coisa que estava tirando o humor de James era a rabugice de Garret Ottman. O sócio não parava de reclamar da presença de Jackson O’Brien. - Ottman, estou perdendo a paciência. – James reclamou, devolvendo uma taça de champagne a um dos garçons. – Você não para de falar do O’Brien. Ele veio acompanhado. Além do mais, Martinez não vai deixá-lo chegar perto de Lilith. Garret estava de olho em Jackson o tempo todo. O homem nem olhava para ninguém, apenas bebia e conversavam com algumas pessoas. Com o que James falou, ele respirou fundo. - Eu poderia tê-lo matado ontem... Eu poderia ter arrancado os miolos dele. – Falou, entre dentes. Respirou fundo. – Aliás, Lexi está realmente linda. Não deveria ter vindo com ele. James não tinha tempo para as birrinhas de Garret. A cena do dia anterior tinha sido o estopim para ele querer resolver a situação de uma vez por todas. - Venha comigo até o escritório do prefeito. – Disse James, mas não era um pedido. Quem o conhecesse bem, sabia que ele nunca pedia nada. Conforme, foram se afastando da festa, James começou a cobrar uma postura mais séria de Garret. – Se quer se livrar do O’Brien e, de quebra, do irmãozinho drogado, você precisa ser mais inteligente, meu amigo. A única coisa que você ganhar matando os dois é o desprezo de Lilith. Eles saíram do salão de baile e tomaram o corredor que dava acesso ao segundo andar do prédio. Ninguém ia questionar que aqueles dois homens tivessem autorização para usar mais dependências da prefeitura. Quem bem tinha juízo, sabia que o verdadeiro dono de Royal Echo era o próprio McLean. - Mas, como eu sou um ótimo amigo e sócio, tenho a solução para esse impasse. – James respirou fundo, dando uma pausa dramática. – Lilith não poderá culpá-lo da morte de O’Brien, se outro matá-lo. Quem sabe, Speno? Garret seguiu James até a sala do prefeito, ouvindo todas as suas palavras. Quando escutou o plano, ele franziu o cenho. - O que? Você está louco? – Perguntou, se sentando em uma das cadeiras. – Speno é um dos nossos melhores sócios que temos, se ele m***r Jackson, vão acabar com ele... - Não seja burro, Garret. – James ocupou a cadeira principal da sala. – Você tem uma percepção muito limitada das coisas. Se eu fosse como você, não estaria onde cheguei e ainda seria só um segurança limpando a b***a do maldito Hale. James tinha raiva do passado. Raiva de ter engolido tantos meses, agindo como um subalterno. Ele nunca seria um relês funcionário, ele era um rei, seu sangue irlandês não aceitava outra posição. - Preste atenção. – Ele apontou para Garret. Em seu cérebro, todo o plano já tinha se criado. – Tudo o que temos que fazer é colocar um contra o outro e esperar que eles se matem. Sem Speno ou O’Brien, a cidade poderá ser dividida apenas por nós dois. O que significa mais dinheiro, é claro. Garret sorriu ao escutar sobre mais dinheiro, mas para ele, só importava uma coisa. - Você sabe que seu plano é muito bom, mas também muito arriscado. – Disse, se levantando e caminhando pela sala. – Keith não é nada bobo, ele pode querer dar com a língua nos dentes sobre tudo o que sabe. Se você quer que ele mate os gêmeos, alguém terá que matá-lo também. Garret viu James balançar a cabeça, pensativo. Ele ia abrir a boca, mas Garret levantou a mão. - Acho que eu já sei. – Cortou. – Você já fez isso antes, James. Nada melhor do que uma bela armadilha dizendo ao Speno que Jackson andou extraviando algumas mercadorias. Sabe o quanto ele odeia ser enganado. – Suspirou. – Eu só queria que a Lilith estivesse lá para ver seu amado morrer. James se encostou na cadeira. - Infelizmente, nem sempre podemos ter tudo. – Comentou, lembrando que ele também não teve o prazer de ver seu inimigo morrer, nem de Brianna testemunhar tudo. Então, sorriu. – Por experiência própria, posso lhe dizer que contar a Lilith sobre a morte do seu queridinho vai ser tão bom quanto. James se levantou. Lá embaixo a festa continuava e ele não podia deixar que sua ausência fosse sentida. Afinal, todos estavam na festa por ele... Para ele. - Vamos voltar a festa. – Decidiu, ajeitando a lapela do smoking. – Aproveite para já conversar com Speno que sentiu falta de algumas mercadorias. Isso vai acender a luz de aviso para ele. Garret revirou os olhos quando escutou James chamá-lo de volta para festa. - McLean, aquela festa está um saco. – Falou, voltando a se sentar na cadeira. – Aqui deve ter bebida, abra uma garrafa para nós e eu acho melhor nós discutirmos esse plano melhor. Temos que ser bem minuciosos para que não desconfiem novamente de nós. James sorriu e voltou a se sentar na cadeira alta e eles começaram a conversar. Estavam tão distraídos que não desconfiaram em estar acompanhados. Em um dos armários dentro da sala, uma portinha estava semicerrada. Dois olhinhos castanhos observavam e gravavam tudo em um celular o que os homens falavam. Joanne só torcia para que eles não desconfiassem que ela estava ali. ***
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR