A madrugada nasceu com cheiro de terra molhada e promessa antiga. Na Fazenda das Rosas, o vento trouxe um arrepio diferente — um sussurro que vinha do chão, como se a própria terra respirasse em segredo. Felipe foi o primeiro a sentir. Acordou com o som dos galos antes da hora e um brilho estranho filtrando-se pelas frestas da janela. Levantou-se, o corpo ainda quente da noite anterior com Rosa, e atravessou o corredor em silêncio. A fazenda parecia suspensa entre dois mundos. Quando abriu a porta, o ar o golpeou com um perfume quase impossível: as roseiras, que haviam dormido secas e caladas por anos, floresciam em uma explosão de cor. As pétalas se abriam como labaredas lentas, em tons de escarlate e rubi. O jardim inteiro respirava. O orvalho reluzia como pequenas estrelas pres

