A chuva caía grossa sobre a cidade, como se o céu lavasse os últimos vestígios de dor. O carro deslizou pela avenida iluminada, e o reflexo dos faróis no asfalto criava pequenos rios de luz. Rosa olhava pela janela, o coração acelerado, o perfume das rosas que Felipe havia deixado no banco traseiro ainda perfumava o ar do carro — doce, envolvente, quase embriagante. Ele não dizia nada. Apenas dirigia. As mãos firmes no volante, o maxilar tenso, os olhos atentos à estrada. Mas no silêncio entre eles, havia um diálogo inteiro — o tipo que só dois corpos apaixonados conhecem: um idioma feito de respirações, de lembranças, de promessas que o tempo não conseguiu quebrar. Quando estacionaram diante do hotel, Rosa sentiu as pernas fraquejarem. A fachada era moderna, o mármore branco brilha

