O asfalto úmido refletia o fim da tarde. As árvores, cansadas de tanto vento, pareciam rezar silenciosamente, inclinando-se uma para a outra. Felipe dirigia em silêncio. A mão firme no volante, o olhar fixo na estrada, mas a mente longe — talvez nos anos que haviam ficado entre as palavras não ditas, entre as culpas que o tempo não apagava. Rosa estava ao lado, o rosto voltado para a janela. O vidro frio contra a pele quente, o cheiro de terra molhada misturado ao perfume das flores que ela carregava no colo. Flores vermelhas. Rosas, sempre rosas. Era o que levava ao hospital. Não como símbolo de maldição — mas de um amor que resistira à destruição. — Está nervosa? — perguntou ele, com voz baixa. Ela assentiu, sem desviar o olhar. — É estranho. A vida inteira eu fugi desse encontro

