A noite caiu como um manto de veludo sobre a sede da fazenda. Do lado de fora, o vento atravessava as copas do jardim com um sussurro de seda, espalhando o perfume denso das roseiras que haviam sobrevivido à chuva da véspera. Dentro, a mesa posta cintilava sob a luz morna do lustre: porcelanas brancas, cristais finos, talheres alinhados como soldados à beira de uma guerra íntima. Tudo excessivamente polido, tudo perfeitamente contido; exceto os dois corpos sentados frente a frente, respirando como se cada inspiração pudesse incendiar o ar. Rosa tocou a borda da taça com o indicador. O cristal vibrou levemente, um som fino, quase uma nota de flauta, e ela deixou que o timbre se estendesse, como quem precisa de música para não ouvir o próprio coração. Felipe observou o movimento com a calm

