A noite se debruçava sobre a fazenda com a lentidão dos amores antigos. O vento soprava entre as roseiras, arrastando o perfume adocicado das flores que insistiam em viver mesmo depois da última geada. A lua, redonda e cheia, parecia uma testemunha silenciosa, cúmplice do que prestes a acontecer e, ao mesmo tempo, guardiã do segredo que o tempo não conseguiu enterrar. Felipe estava encostado na balaustrada da varanda, os cotovelos apoiados na madeira escura e os olhos perdidos no horizonte. O som dos grilos se misturava ao ruído distante do rio. As mãos dele ainda carregavam o cheiro de terra e tinta , havia passado o dia ajudando os trabalhadores a restaurar o galpão. Era um gesto pequeno, quase banal, mas, para Rosa, era o tipo de cuidado que nunca vira antes naquele homem. Ela sur

