Capítulo 20 - A Solidão das Rosas

1364 Palavras

O silêncio da fazenda pesava mais do que as paredes de pedra. Era um silêncio que cheirava a ferro e rosas secas, impregnado nos corredores, nas cortinas, nas lembranças que insistiam em se pendurar no tempo. Rosa caminhava entre os aposentos como se deslizasse sobre um cemitério invisível, cada passo rangia no assoalho, cada janela deixava entrar uma brisa que trazia recordações em forma de perfume. Ela sabia: se fugisse, perderia o único pedaço de chão que ainda lhe restava como raiz. A fazenda, seu nome, seu sangue. Era dela por direito, mas estava sob o jugo de Antenor, que a usava como se fosse mais um título em sua coleção. Fugir seria abdicar daquilo que ainda a ligava à memória dos pais, ao primeiro beijo, ao amor proibido. Então, suportava. Antenor era violento, c***l, e o que

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