A lua estava alta quando Antenor entrou na fazenda. O rangido dos portões de ferro ecoou na noite como aviso de tormenta. Rosa, sentada na varanda de pedra, sentiu o ar ficar mais pesado antes mesmo de vê-lo surgir. Havia um cheiro que o precedia — mistura de fumo barato, suor adocicado e o perfume caro que usava apenas para encobrir a podridão que carregava na pele. Ele desceu do carro em passos firmes, a poeira da estrada ainda colada às botas lustrosas. Sua presença parecia encher o espaço, não por grandeza, mas por sufoco. Rosa respirou fundo, tentando conter o tremor que já se espalhava em seu corpo. — Está ainda acordada, mulher? — a voz dele soou como ferro batendo em ferro. — Ou será que me esperava como deve? Ela não respondeu. Apenas manteve o olhar no horizonte, como se a noi

