A manhã amanheceu úmida, embalada por um perfume doce que vinha das roseiras recém-molhadas. O orvalho pendia das pétalas como lágrimas transparentes, e Rosa caminhava entre elas em silêncio, ouvindo o som distante dos galos e o murmúrio dos trabalhadores na fazenda. A brisa tocava-lhe o rosto como uma lembrança. Era uma manhã como qualquer outra — até que o carteiro surgiu ao portão. Ele retirou o chapéu, hesitante, e entregou-lhe um envelope amarelado. — Chegou de longe, dona Rosa. De muito longe. Ela o recebeu com as mãos trêmulas. O papel tinha cheiro de tempo e saudade, um perfume leve de lavanda misturado ao ferro do selo. Na caligrafia reconheceu algo que o coração quis negar, mas os olhos confirmaram: Ana Maria Fernandes. Rosa levou a carta até o quarto. Sentou-se diante da jan

