A manhã amanheceu preguiçosa, vestida de bruma. O orvalho ainda escorria das folhas como pequenas promessas de um dia que começava devagar. Rosa caminhava pelos corredores do casarão em silêncio, os pés descalços tocando o chão frio, o coração leve pela primeira vez em muito tempo — e, ao mesmo tempo, inquieto. Felipe havia dito apenas: — Venha comigo quando o sol nascer. Quero te mostrar algo. Não explicou mais nada. Não precisou. Rosa seguiu o som dos passos dele até o jardim, o vento brincando com os fios soltos de seu cabelo, o perfume das rosas misturando-se ao aroma terroso da manhã. O céu, ainda em tons de pêssego e lilás, parecia respirar junto com eles. Felipe estava à frente, usando uma camisa branca com as mangas dobradas, e havia algo de garoto em seu sorriso — aquele mes

