Capítulo 81– O Convite de Virgínia

1400 Palavras

A noite chegou vestida de um azul profundo, denso como um segredo. Do lado de dentro da cobertura, o som da chuva suave nas janelas misturava-se ao crepitar da panela elétrica — um ruído doméstico, quase estranho naquele espaço sempre frio e silencioso. Virgínia mexia a colher devagar, observando o vapor subir como um véu. O aroma de alho dourando no azeite se espalhava, misturando-se ao perfume delicado de sua pele e ao medo doce de quem ousava tentar outra vez. Ela suspirou, ajeitou os cabelos e olhou o reflexo no vidro da janela: o rosto ainda trazia os vestígios de uma mulher acostumada a fingir controle, mas que, agora, só queria ser vista de verdade. Quando Rubens apareceu na porta, ela quase deixou a colher cair. Ele estava sem terno, sem o escudo do empresário impenetrável — u

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