Para apreciar

1512 Palavras
Gabriel Mikeias Subir o morro foi um castigo do meu irmão, quase ninguém tem coragem de desafia-lo, mas honestamente estou pouco me fodendo para isso, ele sabe. Também sabe que é o Don porque eu quero. Mesmo que o direito de nascimento lhe dê esse poder, algumas coisas na máfia são tão importantes quanto, sou eu que faço seus negócios serem mais lucrativos, quem limpo sua b***a quando faz algo errado. Então, quando digo que não quero casar com uma das idiotas que caem aos pés da mulher que ele ainda insiste chamar de mãe, o mínimo que espero é o seu apoio e não um contrato de casamento fechado pelas minhas costas. Recebi seu castigo com tédio, nós dois sabemos bem que ele não conseguiria medir forças comigo caso decidisse cortar suas bolas, os conselheiros viriam me socorrer considerando que sou eu que tenho os seus segredos sujos guardados. Ainda sendo um puto como fui criado para ser, cresci admirando Domenico. Ver os filhos se matando seria o maior prazer de Alessia Mikeias, a mamma da famiglia, viúva de Dante Mikeias, conhecida também como a pior mãe que um filho poderia ter, a minha. Outro motivo pelo qual aturei seu pequeno surto, ordenando que tivesse provas para matar Romarcio. Em qualquer outro momento ele teria pedido a cabeça do homem primeiro, mas a crença de que se agradar a mãe, me convencendo a casar com aquela puttanna, possa o fazer ser amado por ela lhe é muito mais atrativo do que manter o amor de um dos seus irmãos. Bufo a fumaça do charuto pela milésima vez dentro do cubículo fechado por cortinas, percebo a movimentação, mas ajo como se não, deixo Romarcio se sentir ignorado. Ele se movimenta no espaço, chegando próximo, enquanto noto outra pessoa se movimentando, imagino ser alguma p**a devido o mini palco que mandou instalar aqui. Mesmo interessado no perfume levemente adocicado, floral o suficiente para saber que é feminino e suave o bastante para notar que quem usa tem bom gosto, levo o charuto aos lábios tragando. Ignoro sua idiotice em se autoproclamar Azulão, principalmente por querer ser o Rei do morro, quando não passa de um peão dentro do nosso jogo. Ele pode se matar com outros, podem criar guerras entre eles pelo domínio e o poder de uma região, mas no final só fica sentado no trono quem tem o aval do verdadeiro rei, o meu irmão, o Don da Mafia da Calabria a Ndrangretta. É assim que Romarcio está a tanto tempo no poder, o que faz alguns batalhões de forças especiais não subirem o morro para derrubar ele, é o nosso poder dentro da politica do Rio de Janeiro que mantém nossos negócios sob o radar. É mais fácil ter alguém aqui fazendo os repasses, entregas, movimentando todo o armamento e drogas pelo país do que precisar ficar toda semana indo e vindo para garantir o funcionamento do esquema. Mesmo motivo que nos faz ajudar nas campanhas eleitorais de alguns amicos. (amigos) Quando finalmente ajeito a postura, encontro o olhar da mesma jovem que estava incomodada com o assedio dos homens dele, ela se curva sem tirar os olhos dos meus para colocar uma garrafa de vodca barata no chão. Seus lábios inchados,vermelhos e os olhos brilhantes entregam que tomou da bebida. Sinto vontade em provar o gosto do álcool da carne macia que morde enquanto sobe no mini palco, com a luz melhor em cima do seu corpo, finalmente consigo atrelar a face a mesma foto que confiro todos os meses. Lua Alcantara, filha de Romarcio da Silva e Dacia Alcantara, me incomoda a maneira como ele trouxe a própria filha para esse encontro, queria apenas matar ele, colocar fogo no morro e ir embora. Agora, sinto essa sensação pinicando a minha nuca para instigar o homem a agir como planeja. Não dou atenção as suas palavras, e observo os movimentos da garota no pole, precisos ao se apoiar no metal, ritmados com a batida grave das caixas de som dentro do ginásio do lado de fora dessas cortinas. O único momento em que interfiro é quando vejo que irá bater na garota, fazendo o meu sangue ferver, quando noto um brilho de admiração nos olhos pequenos, resolvo apagar o charuto na mão dele que se contorce em dor. A pequena mulher parece gostar da violência que causo e isso me instiga. Aproveito para soltar algumas pequenas verdades deixando o homem atordoado com o medo do qual não consegue disfarçar em nenhum momento, até mesmo sua filha parece notar, quando faz uma volta no pole girando. Encantado com os seus passos suaves, sem fazer nenhum barulho com os saltos, se encaixando em movimentos lentos, precisos mesmo com uma batida forte. Quero apagar a imagem que criei na mente dela de joelhos enquanto torturava seu pai com a brasa do charuto, ergo o corpo do lugar em um passo já estou pegando a vodca, quando vou oferecer a ela, parece ficar incomodada com medo, por isso faço o sacrifício de provar do álcool barato, mas sou pego de surpresa quando não sinto a queimação da bebida, mas do olhar dela percorrendo meu corpo. “Faz o show completo para o gringo, filha.” Tenho a atenção tomada para o i****a sentado tentando controlar o próprio medo “O homem quer ver o melhor das mandadas do morro.” Noto a maneira como ela recebe suas palavras como uma ordem a ser seguida e por isso ergo a sobrancelha curioso para entender essa relação entre pai e filha. Dante Mikeias não foi só um Don impiedoso, foi um pai severo que nos obrigou a estudar a história de cada país nos quais seus negócios reinavam. Por isso acho tão estranho a maneira como ele trouxe a garota aqui a oferecendo como um presente, quando havia estudado a maneira como vários traficantes protegem suas mulheres. Sou pego de surpresa quando a pequena coisinha leva a mão até o botão da calça jeans, abrindo a mesma, admiro a pele dos seus quadris se revelando conforme se agacha no chão, num rebolado lento. A calça jeans colada vai saindo sem dificuldade, exibindo as tiras da calcinha vermelha que usa, seu olhar não sai do meu, como se transformasse a ordem do pai em um show exclusivamente meu. “Vá aproveitar o baile, Romarcio.” Minha voz sai mais grave do que desejava e sei que é por causa do desejo se acumulando nas bolas junto com o nojo por perceber a maneira como o homem estava cobiçando a própria filha. Quando percebe a saída dele, Lua se senta no chão como se estivesse esperando uma ordem, volto para o sofá abrindo as pernas com a bebida na mão, seus s***s fartos sobem e descem rapidamente. Ela está embriagada, de álcool e t***o. Me pergunto se é t***o por mim ou por ter visto a maneira como torturei seu pai, é fácil perceber que ela sofre nas mãos dele. “Quer voltar para o baile com ele?” Questiono, pegando um novo charuto de dentro do bolso do blazer. “Não.” Responde curiosa observando a maneira como corto as pontas antes de pegar o isqueiro para acender. “Preciso tirar a roupa?” “Quer fazer o show ?” Ergo uma sobrancelha. Ela morde os lábios olhando para as cortinas. “Ninguém vai entrar aqui.” Afirmo, ela parece confiar nas minhas palavras. Porque se levanta descendo o restante da calça jeans, exibindo a calcinha minúscula que não cobre sua pelve fazendo os lábios grandes ficarem apertados, ela calça o salto e desliza no pole sorridente, usando apenas isso, saltos, uma blusa minúscula e calcinha enfiada nas bandas da b***a de pele n***a brilhante. Abro um meio sorriso diante da sua diversão alcoolizada. “Qual gosto isso tem?” Sua voz mansa soa curiosa entre o segundo e terceiro giro da sua perna presa no metal. Quero perguntar senão irá vomitar, mas ignoro ao levar o charuto para os lábios admirando sua b***a balançando no ar. “Não fede como cigarro” Continua falando. “Quer provar?” Finalmente falo, com a voz rouca de t***o atraindo sua atenção, ela balança a cabeça afirmando. “Então precisa ser uma bêbada obediente.” “Eu não estou bêbada!” Exclama fazendo as bochechas ficarem em um tom quente, se fosse branca provavelmente estaria feito um camarão. “Não?” Ergo uma sobrancelha. Ela se solta do pole, tropega, percebo que completamente tonta, mas não a ajudo, continuo no meu canto, o que parece a deixar com raiva ao mesmo tempo em que percebe estar bêbada. “O que quer?” Questiona finalmente voltando ao assunto do charuto. “Senta na minha coxa.” “Você é como os outros mesmo, um pervertido.” Travo a madibula com raiva e ela parece perceber que falou algo errado, seus olhos se enchem de medo, incomodado com isso retruco: “Charuto foi feito para se apreciar, iria ensinar como se faz e não me aproveitar de você.”
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