_ O que foi? _ sorriu Douglas.
_ Isso é loucura.
_ O que?
_ Isso. Nós dois, assim.
_ Mas foi bom? _ pediu confirmação.
_ Foi... Está sendo.
_ "Está sendo"? Quer dizer que você vai passar a noite?
_ Por que não? É sexta a noite.
Douglas a beijou, feliz por ter ouvido isso. Retribuindo, a garota fez o beijo se prolongar. Douglas serviu mais vinho para ambos e devolveu sua camisa sobre o corpo dela, vestindo-a. Admirava-a sem pudor e ela sorria da situação. Conversaram sobre ela e sua família que mora na região mais remota daquele bairro. O vinho acabou. Cordialmente, o rapaz lhe ofereceu um banho que ela aceitou e foi, deixando-o a sós naqueles outros cômodos solitários que ele tão bem conhecia.
Quase esqueceu que ela estava alí. Para matar o tempo, pegou o violão do canto da sala, e dedilhou olhando a lua alaranjada, através da ampla janela. O céu de Parelheiros é o mais estrelado da cidade de São Paulo, pensava nisso como uma verdade absoluta, pois já havia comparado pelos lugares por onde passou.
Tocava e cantava a música do Paralamas do Sucesso, Seguindo Estrelas. Gostava de cantar, não porque gostava da sua voz, mas por sentir-se bem quando fazia. Porém sabia que tocava bem, o violão foi sua paixão desde muito cedo. Realmente esqueceu da garota, ou não teria se empolgado na música como fez. Ela o surpreendeu quando ele se virou da janela e a viu de toalha, no meio da sala, olhando para ele. Encabulado, parou. Ela sorriu, gostou do que ouviu.
Deixando o violão no canto de sempre, ele se apressou em pegar, no seu armário, uma camisa mais cumprida pra ela, que o seguiu de vagar.
_ Por que parou?
_ Ninguém nunca me ouviu tocar... Além dos vizinhos que devem se incomodar _ entregou a camisa para ela.
_ Você não tem vizinhos residências, sabia?
Pensou nisso por um segundo e viu que era verdade. Ninguém queria morar no centro, ou achava muito mais lucrativo, alugar o imóvel para comerciantes. Sorriu, dando razão para ela, antes de ir tomar banho. Seu banho, no entanto, foi bem mais breve que o dela.
Com uma toalha ao redor da cintura, flagrou a garota com três dos seus livros favoritos, deitada na sua cama, com a tevê do quarto ligada numa série de época da Netflix. A cena foi estranha para ele. A princípio, sentiu-se nú, como se ela olhasse para sua alma. Vestiu cueca e camiseta, estava frio.
_ Leitura gótica. Você lê muito, se realmente leu todos estes livros.
_ Eu leio _ retrucou aquilo que pareceu querer provoca-lo, por causa da dúvida ecrustada na segunda frase _ Por que eu teria livros, se eu não lesse?
_ Para impressionar as garotas.
A risada dele ecoou pelas paredes e escapou pela janela, para o deleite de qualquer um que passasse na avenida, por volta das oito da noite, naquela sexta. Riu gostoso, como não fazia há tempos longínquos. Era engraçada a suposição da bela moça, engraçada de um jeito irônico e até triste. Não que Douglas se sentisse triste, ele só era excêntrico. Escolheu não ser tolerante ao ponto de querer ter companhia a qualquer custo. Pessoas sabem ser muito desagradáveis, e o são. Desagradáveis demais. De várias formas. São como vampiros sugando sua paciência, tempo, sugam você de si mesmo, até te transformar em um zumbi que age como a massa em busca frenética por um celular novo, a roupa da moda, mais um like no insta. Douglas não queria isso, nunca quis. Mas garotas, garotas como a Tessa, lhe interessaram no passado, lhe interessa no presente, lhe interessará no futuro, pois o rapaz se conhecia bem. Só por isso, era um pouco triste.
_ O que você acha que sou, um tipo popular com uma garota em cada esquina? _ se divertia com a ideia de que alguém errasse tanto sobre ele.
_ Não sei. Você é lindo. Pode ser possível.
Foi pego de surpresa agora. "Lindo"? Pensou em dúvida. Ninguém nunca lhe disse algo assim, nem sua mãe, nos momentos mais melosos. A graça fugiu. Agora, a garota parecia bem s*******o, como se zombasse dele. Como se não fosse mais a Senhora de Ferro. O pensamento o incomodou, pensar que influênciou a garota ao ponto dela perder sua personalidade excitante.
Na falta do que falar, agiu. Pegou as toalhas pra levar até a máquina de lavar que ligou. Foi para a cozinha, arrumar a bagunça. Lavou as mãos na pia ao terminar, o que não levou mais que três minutos. Tessa o observava quando ele levantou o olhar, secando as mãos no pano de prato próximo.
_ Não sabe receber elogios?
_ Não sou "lindo", você precisa de óculos, ou está me iludindo.
_ Acha que eu estou seminua no seu quarto para te iludir? _ tinha um riso na fala.
Realmente, o pensamento do rapaz não fazia nenhum sentido. Será que ele era tão imaturo emocionalmente que não conseguia receber elogios? Sentiu-se bobo e, como reparação, se achou na obrigação de faze-la entender o quanto ela era especial para ele, para justificar sua reação, talvez.
Segurou a cintura dela com uma mão e o seu queixo com a outra.
_ Você que é linda, Tessa. Nunca estive com alguém tão linda.
Ela corou com um olhar diferente e Douglas notou que não era o único que não estava acostumado com elogios, afinal.
Chegando mais perto, beijou a testa da moça um tanto mais baixa, segurando sua mão, a levou até a cama, onde deitou com ela. Era uma cama de solteiro maiorzinha, mas ainda assim, só funcionava se eles ficassem juntinhos como estavam.
Do jeito que estavam deitados, Douglas era um muro de leves relevos de músculo, aprisionando a jovem na cama, do outro lado, a parede. Beijou a boca dela do seu jeito, primeiro chupou sua língua apertando os lábios dela com seus lábios, depois sentiu os lábios dela com os seus, ela suspirou, ele voltou a entrar em sua boca explorando, chupando sua língua e lábios em um beijo infinito, beijos sobre beijos.
A mão de Tessa as costas do rapaz, puxando-o, incentivando. Uma mão de Douglas apalpou o seio sob a camisa, o bico se fez notar com o toque, ele sentiu um arrepio de excitação. Concentrou as carícias que fazia com as pontas dos dedos, sobre os pontinho protuberante na camisa por um tempo, dentro do beijo. Quando ela estava ofegante, ele desceu a mão pela barriga dela e parou no sexo nú apertando de leve umas vezes. Com o dedo médio e o anelar, explorou a f***a para cima e para baixo, a umidade concentrada na entrada da v****a foi espalhada por todo lugar, nestes movimentos. Uma massagem efetiva lhe rendeu maiores ofegos dentro do beijo. Tessa abriu mais a perna, expondo-se.
Douglas parou de beijar, queria vê-la. Uma olhada em como a garota estava, o deixou totalmente à fim. Tessa retirou a camisa dele e depois a sua, queria vê-lo. Ela retirou a cueca dele, agora ambos estavam nus. A antes prisioneira, levantou de joelhos e segurou na cabeceira de madeira da cama. Douglas ficou em pé ao lado da cama, entendendo a sua posição de quatro.
Segurando o bumbum da moça, penetrou seu sexo começando a se mover. Totalmente dentro dela, aumentou os movimentos curtindo como queria, sentindo toda extensão cedendo sobre seu m****o, era como se a usasse de tão bem que se sentia, apenas o seu prazer. Só na cabeça do Douglas era assim, pois Tessa estava a caminho do êxtase.
Sentiu os espasmos musculares da v****a de Tessa, apertando e molhando mais, soube que ela estava iniciando um orgasmo, mas não queria parar. Os gemidos delas, deliciosos, tomaram conta do ambiente. Ele continuou no mesmo ritmo, até eles amenizarem. Agora que ela havia terminado ele mudou o movimento e intensificou, procurando o seu êxtase, show foi quando ela embarcou em um novo orgasmo em meio a nova pegada do rapaz. Douglas gozou gostoso entre gemidos e fortes espasmos vaginais da garota que gozava junto.
Ofegantes deitaram na cama lado a lado. Era incrível essa química entre eles, o fato de chegarem ao ápice juntos, de dar certo em cada posição. Douglas contabiliza essas transas com ela como as melhores da sua vida. Tessa o abraçou, deitada sobre o peito dele e adormeceram como estavam.
O barulho de algo batendo acorda Douglas. Ao abrir os olhos vê a garota nua aninhada em seu peito. Os cabelos se espalham sobre ele, ela e a cama. O barulho incide novamente e ele nota o céu cinza e n***o, ventos agitam as cortinas e derrubam coisas leves, dentro da casa. Precisa fechar as janelas antes que a tempestade chegue. Com jeito, sem pressa, ele sai de baixo da moça sem acorda-la.
Fechou as janelas e voltou para o quarto, sua cama nunca esteve tão convidativa, mas tirou uma foto com o celular antes de deitar. Não ficou obscena, a posição e o padrão dos fios de cabelos compridos sobre o corpo contribuiram para uma foto sensual sem ser vulgar. Será que ela aprovava isso? Sabia que somente ele veria a foto, mas nem todos são assim, o w******p deixa isso bem claro.
Deitou ao lado, para não acordar a garota, mas ela o agarrou assim que ele deitou, na mesma posição em que estavam antes. A chuva começou forte com os relâmpagos estridentes, a garota acordou.
Estava uma penumbra, iluminada somente pelo poste da avenida lá fora, o moreno desligou todas as luzes da casa quando fora fechar as janelas. Lá fora, a chuva caía com estrondo e fúria. Na cama, a garota procurou pelos lábios macios do corpo acolhedor que ela abraçava. A mão do rapaz deslizou pela pele nua da sua cintura causando desejo instantâneo. Mas ela queria algo antes. Desceu abaixo da cintura do rapaz, na cama. Notou que ele parou de respirar por um segundo ao perceber o que ela iria fazer.
Passou a mão pelo comprimento estimulando, o que nem era necessário, já que o beijo já havia feito um bom serviço. Passou a língua com carinho, molhando a glande e a ponta. Douglas ofegou, atento, desejava não ter desligado todas as luzes, queria ver cada detalhe, mas não interromperia aquilo por nada. Sua língua era certeira, o deixou pronto para a sua boca que o tomou todo, impressionante. Ficou imaginando onde o seu pênis poderia estar batendo quando ela foi fundo nele, mas esqueceu de qualquer pensamento quando ela deslizou lentamente, saindo, apertando o seu m****o entre o céu da boca e língua, a língua o friccionava de um jeito gostoso demais. Douglas se perdia no prazer da sensação tentando se segurar, mas era bom e um gemido ou outro escapava.
Foi assim lento no início, depois ela pegou o jeito e começou a chupar com força no movimento de vai e vem. Logo voltava a cadtiga-lo lentamente de novo. Ela não o deixou gozar até quando quis. Teve o controle o tempo todo. Quando enfim, Douglas chegou ao ápice, seu prazer foi incrível e pareceu levar toda sua energia.
_ Você gostou? _ a garota sabia a resposta, perguntou só por charme de um jeito meigo que o fez rir muito brevemente.
_ Você acabou comigo _ completou o que o riso evidenciou.
_ Mas eu quero mais _ beijou o maxilar do rapaz.
_ Só preciso de uns minutos, tá? _ viu ela acenar a cabeça numa afirmativa _ Está com fome? _ outra afirmativa.
Douglas alcançou sua cueca vestindo e levantou indo para a cozinha. Tessa o seguiu vestida na camisa com o símbolo hippie de cessar fogo na estampa frontal.
_ Tenho iorgute _ falou com a porta da geladeira aberta, depois de checar o prazo de validade, foi fazendo o mesmo com cada item que pegava _ Suco de laranja, pão, presunto e queijo fatiado... Quer um sanduíche?
_ Eu faço _ ela tomou o controle deixando o rapaz mais aliviado.
Ele sentou à mesa, observando os gestos, jeitos e manias da moça que pela manhã pareceu tão dura e impossível de se lidar. Ela era bem maleável, em comparação, mas ainda deixava o Douglas bugado. Queria saber mais sobre ela e quanto mais sabia, mais se perdia nela.
_ Por que você parece tão sozinho?
_ Por que acha isso?
_ Não sei. Só sinto isso.
_ É r**m? Te incomoda a minha solidão?
_ Tenho vontade de te tirar daí.
Achou graça da moça _ Você vai fazer o que se conseguir?
_ Te mostrar o mundo. Um mundo cheio de pessoas. A maioria é legal.
_ Eu sei. Só não sei se eu sou legal.
_ Por que não seria?
_ Sou chato.
_ Não é.
Deu um sorriso tímido e se fechou. Ela não queria ouvir. Tinha uma idéia torta sobre ele que não era real, nem chegava perto de quem ele era de verdade. Se calou e torceu para que ela não notasse rápido. Fez isso por medo de que ela se afastasse se percebesse que ele nunca seria sociável como ela imaginava.
Em um acesso de curiosidade, ela abriu a porta do armário abaixo da pia e viu o estoque de bebidas secreto do moreno.
_ O que temos aqui? Meu Deus! Tem de tudo. Por que não me mostrou isso antes?
_ Sei lá. Para evitar um coma alcoólico? Não me diz que você vai beber agora. São duas da madrugada.
_ E daí? Eu não trabalho amanhã.
_ Mas eu sim _ preocupou-se.
_ É só não exagerar. Vamos de tequila?
Ela disse não exagerar usando tequila como exemplo?! Pensou no absurdo que isso lhe parecia. Mas garotas sempre conseguem o que querem. Depois do lanche eles beberam tequila e conversaram sobre as aventuras amorosas do passado.
Douglas notou que apesar de solitário, sua vida amorosa foi bem movimentada no colegial. Já a vida amorosa da Tessa eram altos e baixos de rejeição e carência em meio a muitos encontros de uma noite só.
Será que era o que ela queria de mim?
Pensou.
Douglas se viu dizendo _ O que você espera de mim?
_ Podemos ser amigos de f**a.
_ Isso seria muito bom? Um sonho realizado, na verdade. Você tem certeza de que é isso o que você quer?
_ Sim, por que não?
_ Sei lá. Já pensou que talvez você seja mais feliz em um relacionamento fixo?
_ Não tem ninguém que pensa que eu sou de relacionamento fixo.
_ Que coisa horrível de se dizer!
_ Mas é verdade.
_ Você se limita a nunca encontrar alguém que te faça feliz por toda a vida, por que os outros pensam que você não consegue? Percebe o quanto isso é masoquista?
_ O que há de tão bom na sua vida para me criticar assim?
O ataque de Tessa deixou claro que aquilo doeu e se doeu era verdade, ela queria mais, pensou Douglas.
_ Não foi uma crítica, só uma curiosidade. Você tem razão, minha vida só é boa pelos presentes que o acaso me dá.
_ Presentes! _ achou graça e desdenhou _ Quais presentes?
_ Você, por exemplo.
A garota emudeceu com a chocante descoberta de que alguém a queria de verdade naquele momento. Ele a tinha como um presente do acaso e não só mais uma f**a.