Olívia soltou a caneta. O barulho do metal batendo no vidro espesso da mesa ecoou na sala, e eu vi a boca dela se abrir de leve. A pose clínica dela finalmente cedeu espaço pra um choque real, o desespero batendo. — Noah... isso é uma dor incomensurável, eu não pos- — ela tentou falar, a voz saindo trêmula, erguendo uma mão fina na minha direção, como se quisesse me acalmar, como se quisesse usar uma p***a de técnica de empatia barata de consultório pra cima de mim. — CALA A TUA BOCA! — a fúria estourando de vez, a raiva explodindo e ecoando como um trovão letal dentro daquela salinha de merda. Levantei do divã num salto animalesco e cobri a distância até a mesa dela em meio segundo. Bati as duas mãos espalmadas no vidro com uma violência que fez a mesa inteira e os porta-trecos tremere

