15

1106 Palavras
Capítulo 15 Julia narrando Estávamos na casa de Rd e Malu. Maiara estava sentada em um sofá, Bn no outro, e os dois se encaravam o tempo todo. A tensão no ambiente era quase palpável. Ph parecia deslumbrado com o filho, completamente absorvido pelo reencontro, e eu começava a sentir o peso de toda a confusão que a minha volta havia causado. Preciso levar Pedro para dormir, eu e Maiara também — falei, tentando quebrar o silêncio. Vocês podem ficar aqui — Rd respondeu, com um sorriso tranquilo. Nós estamos em um hotel — Maiara falou, preocupada com a segurança de todos. É, acho que preferimos ficar por lá por enquanto — eu acrescentei, lançando um olhar para Ph. Você volta quando? — ele perguntou, a voz baixa, quase um sussurro de preocupação. Em uma semana — respondi. — Tenho minha clínica, não posso deixá-la fechada por muito tempo. Ele ficou pensativo, e eu também. O silêncio entre nós era carregado de lembranças, arrependimentos e um futuro incerto. Precisamos conversar — disse ele, finalmente. — Sobre ele. Sem problemas — eu respondi. — Tem uma semana, a gente conversa… sozinhos e longe daquela garota. Sem problemas — ele disse, aliviado. — Rosa não vai se meter em nada. Obrigada — falei, soltando um suspiro de alívio. Ainda não sabia o que aconteceria dali em diante. Tudo estava confuso; nosso reencontro não foi como eu havia imaginado. Nunca passou pela minha cabeça que ele estaria noivo e esperando outro filho. Fomos para o hotel, eu, Maiara e Pedrinho, que estava exausto. Meu pai estava no céu, ele voltou então? — Perguntou Pedrinho, olhos arregalados de curiosidade. Sim, ele voltou — respondi, sorrindo. Ele se deitou rapidamente, exausto, e dormiu nos meus braços. Eu, apesar do cansaço da viagem e da noite caótica, não conseguia parar de pensar em tudo o que havia acontecido. Cada emoção, cada reencontro, cada lágrima derramada — tudo estava gravado em minha memória. Mesmo amando minha vida nos Estados Unidos, nada se comparava ao morro. Ali eu me sentia viva, completa. Vai dormir — disse Maiara, indo para a sacada do hotel, onde eu estava sentada tomando um café. Não consigo — murmurei. — Minha cabeça não para. Não esperava encontrá-lo com outra, né? — ela perguntou, com um olhar de compreensão. Não — respondi. — Jamais passou pela minha cabeça. Mas você sabia que poderia acontecer — ela insistiu. Eu pedi para ele ir embora comigo, não fui eu que deixei ele. A gente tinha sonhos, planos… e aí, do nada, ele morreu. Eu passei três anos chorando a sua morte, sofrendo. E agora, quando descubro que ele está vivo, ele tem outra… É tudo tão confuso — falei, tentando não chorar. Vocês precisam conversar seriamente — disse Maiara. — Não adianta se acusarem, tentando medir quem errou mais ou quem sofreu mais. Isso não resolve nada. Olhei para ela e soube que ela tinha razão. Ambos estávamos magoados e surpresos. Dois filhos no meio da história, a vida dele com Rosa, o nosso reencontro repentino… tudo parecia impossível de organizar. Mas uma coisa eu sabia: Rosa não merecia perder Ph por causa da minha volta, nem eu queria atrapalhar a vida de ninguém. Eu o amava, sempre amei, e nunca deixei de amar. Sonhei por tanto tempo em vê-lo vivo, abraçá-lo, beijá-lo, apresentar nosso filho… e parecia que todos os meus planos haviam sido destruídos, deixando-me frustrada e confusa. Deitei-me ao lado de Pedro e ele se encaixou em meus braços. Senti o cheiro do meu filho, beijei sua testa e adormeci ao seu lado. Acordei à noite com ele pulando na cama, animado: Podemos sair? — ele perguntava, cheio de energia. Ele está com a corda toda — comentou Maiara, abrindo a boca de sono. Quero ver meu pai! — ele gritava, repetindo diversas vezes. Leva esse garoto para ele e deixa-o lá até a gente ir embora, para eu poder dormir — resmungou Maiara. Se eu for, você vai também — falei para ela, determinada. Ela se sentou na cama, concordando. Você está pensando em ir para o morro agora? — ela perguntou. São 18h de um domingo — eu respondi. — Rola churrasco, pagode… é sério, é muito bom. Você realmente quer subir lá de novo? — ela questionou. Sei que você gostou de ir lá, principalmente do Bruno — respondi, provocando-a. Quem é Bruno? — ela perguntou, curiosa. Bn — respondi, olhando para ela. Ah, aquele insuportável tem nome — ela resmungou. Sorri, jogando o travesseiro nela. Vai se trocar — falei, com um sorriso. Ph narrando Já sabe o que vai fazer? — Rd perguntou, sério. Sobre? — perguntei. A volta da Julia com a criança — ele falou. — Ela vai voltar em uma semana para os Estados Unidos. Você vai deixar? Olhei para ele, pensativo. Merda — falei. — Não sei o que fazer. Estou com Rosa de um lado, enchendo minha paciência, e de outro, Julia com um filho. Sempre soube que deixar ela ir seria um erro. Talvez tenha sido um acerto — Rd sugeriu. — Vai saber o que Kaio seria capaz de fazer se ela tivesse ficado? Precisamos pensar em todas as alternativas. Eu tenho um filho com ela e perdi tudo — falei, a voz baixa. E vai perder de novo se deixar ela ir — ele respondeu, firme. Meu celular tocou. Era Rosa. Preciso ir para casa e falar com Rosa — falei, evitando-a o dia todo. Boa sorte — disse Rd, rindo. — Depois, churrasco lá em casa. Pode deixar, apareço — respondi. Cheguei em casa e encontrei algumas malas prontas. Encarei Rosa. O que é isso? — perguntei. Estou voltando para Brasília — ela disse, fria. — Isso que você precisa saber: essa criança você não vai ver crescer. Você está louca? — perguntei, surpreso. Não vou ficar de escanteio — ela respondeu. — Ver você pensando nela o tempo todo, e estando comigo apenas por obrigação… Eu não tenho culpa de ela ter voltado. A culpa é sua, que me enganou dizendo que me amava, me fazendo sentir amada e especial, quando nunca a esqueceu. Sempre teve esperança de que ela voltaria. Você precisa se acalmar — falei, tentando não perder o controle. — Larga essas malas. Então me diz — ela falou, encarando-me — você vai ficar com ela ou vai ficar comigo? Vai me abandonar grávida agora? Eu não tenho culpa, Ph. Muito menos essa criança. Então? Rosa saiu do quarto, e respirei fundo, entrando no banho. Quando saí, procurei por ela, mas não a encontrei. O silêncio na casa me deixou inquieto.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR