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1014 Palavras
Capítulo 14 Maiara narrando Desci do táxi algumas ruas abaixo do morro da Rocinha. Pedrinho já tinha acordado, com os olhinhos curiosos, e caminhávamos de mãos dadas. Eu tentava transmitir segurança, mesmo sentindo meu coração acelerado. Era a primeira vez que eu entrava em um morro. Minha mãe sempre me avisava: “Maiara, nunca pise em um morro. É perigoso, proteja sempre a Julia.” Quem é você? — perguntou um vapor armado, e ao lado dele havia outro homem segurando um fuzil. Sem pensar, coloquei Pedro atrás de mim, protegendo-o. Maiara — respondi firme, sem demonstrar medo. Maiara do quê? O que faz aqui? — perguntou o que segurava o fuzil. Julia está aí dentro. Ele é filho dela — Pedro saiu de trás de mim — Meu nome é Maiara e quero encontrar Julia, sou amiga dela. As armas não me intimidavam, mesmo sentindo o frio na espinha. Amiga da Julia é? — o outro perguntou, com um sorriso irônico. — Meu nome é Bn. Eu o encarei, firme. Preciso ver a Julia — disse. Posso te levar se você pedir, por favor — ele respondeu, acendendo um baseado. Você pode avisar ela que estamos aqui? — perguntei. Posso te levar até lá… está com medo de mim? — Bn provocou, mordendo o canto do lábio. Eu não tenho medo de nada, nem de você — retruquei. O outro começou a rir da cara dele. Afiada a língua, mocinha — ele comentou. Maiara para você — disse, dando um leve sorriso falso. Até que eu gosto de você — falou o outro, Jn, estendendo a mão em um cumprimento falso. Um mero vapor não deveria cantar de g**o — eu falei, encarando-o — que eu saiba, os chefes não gostam disso. Bn, né? — Jn continuou, abrindo um sorriso. Isso mesmo, Bn, um mero vapor — ele respondeu, acendendo outro baseado. — Vamos. Começamos a subir o morro. Pedro ia agarrado em mim, olhando tudo com olhos arregalados. O dia começava a clarear, pintando as vielas com tons de laranja e rosa. Quando finalmente ele avistou Julia, soltou minhas mãos e correu: Mamãe! Eu ia atrás dele, mas Bn me segurou: Deixa que eles têm muito que conversar — disse, firme, sem me deixar avançar. Você acha que é quem para me segurar assim? — perguntei, nervosa. Amigo dele e dela também — respondeu, mantendo firme o seu aperto. Me solta — gritei. Então, desceu um casal pelas escadas da Rocinha. Essa é amiga da Julia — disse a menina, me olhando. Foi para você que enviei mensagem — respondeu. Maria Luiza? — perguntei, surpresa. Maiara, seu nome, né? — ela perguntou. Sim — respondi, olhando-a fixamente. Ela me encarou de volta. Seja bem-vinda — disse, com um sorriso tímido. — Esse é meu marido, Rd. Olhei para Rd e apenas assenti. O Bn você já conhece — ela completou. Sim — disse Bn, levantando a mão. — Um mero vapor do Rd. Revirei os olhos. Tive o desprazer de conhecê-lo — falei, direta. Rd e Malu se entreolharam, sorrindo discretamente. Julia narrando Mamãe? — Ph perguntou, enquanto Pedrinho se aproximava de mim. Meus olhos se encheram de lágrimas. Por mais raiva que eu sentisse dele, tudo o que eu sempre quis foi que eles se conhecessem. Você não sabe o quanto eu sofri porque você estava morto quando descobri minha gravidez do outro lado do mundo — falei, e Ph me encarou, atônito. Ele é a cara do papai! — Pedrinho disse, olhando para Ph. — Ele é igual à foto do papai. Ph colocou a mão sobre o rosto e se abaixou até ele. Não conseguia falar nada, apenas olhava para Pedrinho, que abriu um sorriso enorme e o abraçou. Eu desejei todos os dias que você estivesse vivo, porque queria que conhecesse nosso filho — falei, com a voz embargada. — Sempre deixei fotos suas espalhadas pela casa, pelo quarto, para que ele crescesse reconhecendo você como pai. Ph abraçou Pedrinho com força, os olhos marejados. Você é meu pai? — perguntou o menino. Sim, eu sou seu pai — respondeu Ph, sem acreditar, segurando-o nos braços. Fiquei parada, braços cruzados, deixando as lágrimas escorrerem livremente. Não imaginei que o reencontro seria assim, intenso e emocionante. Era tudo ao mesmo tempo: alegria, raiva, amor e perdão. Rosa narrando Desci e, quando cheguei à boca, encontrei Ph abraçado ao menino, com Julia parada à sua frente. De longe, vi Rd, Malu, Bn e uma garota desconhecida observando tudo. Fiquei paralisada ao ouvir as palavras de Julia: Eu desejei todos os dias que você estivesse vivo, porque queria que conhecesse nosso filho — ela falou, olhando para Ph. — Sempre deixei fotos suas espalhadas pela casa, pelo quarto, para que ele crescesse reconhecendo você como pai. Ph abraçou o menino. Você é meu pai? — perguntou o garoto. Sim, eu sou seu pai — respondeu Ph. Meu coração disparou. Aquela cena era real. Julia voltou com um filho nos braços, e estava ali para mudar tudo. Não podia permitir que isso interferisse nos meus planos. Lembrei do que Ph comentou sobre Kaio estar de volta e que precisaria da minha ajuda para afastar Julia e o garoto do nosso caminho. Ph me encarou, e eu o encarei de volta, desafiadora. O que está acontecendo aqui? — perguntei, tentando manter a calma. É… — Ph parecia procurar as palavras. Esse é Pedro Henrique, meu filho e do Ph — Julia falou, encarando-me. Não tinha como negar: o menino era a cara de Ph. Você fez teste de DNA para ter certeza que ele é seu? — perguntei, tentando manter a voz firme. — Anos fora, e agora volta com um filho? O que você quer dizer com isso, garota? — Julia retrucou, séria. Me perdoe, me expressei m*l — falei, respirando fundo. — Não posso me estressar agora. Vá para casa, depois conversamos — Ph interveio, tentando controlar a situação. Tudo bem, meu amor, te espero na nossa casa — disse eu, forçando um sorriso, e me afastei, sentindo meu coração acelerar.
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