Capítulo 5

1226 Palavras
Rafaella Narrando... Eu m*l tinha dado o primeiro passo fora da boca, quando senti um braço pesado puxando meu corpo de volta pra dentro. O impacto foi tão forte que bati contra o peito dele e, em seguida, minhas costas prensaram na porta já fechada. O ar saiu dos meus pulmões num choque, e antes que eu pudesse reagir, a boca dele já tava na minha. O beijo veio bruto, urgente, cheio de raiva e saudade misturada. Era como se ele quisesse me engolir, tomar de volta algo que ele tinha perdido. E, por um segundo maldito, eu cedi. O gosto dele ainda tava em algum canto da minha memória, queimando, e o corpo traiu a mente. Minhas mãos até chegaram a segurar o braço dele, quase como se fosse resposta, como se eu quisesse ele também. Mas aí veio a lembrança. A imagem dele com outra, bem no dia do meu aniversário, rindo da minha cara, como se eu fosse só mais uma idiøta na vida dele. Mordi o lábio dele com força. Senti o gosto de ferro do sangue na minha boca. Ele se afastou num estalo, os olhos dele faiscando, a boca marcada, o sangue escorrendo pelo canto. Terror — Tá maluca, porrä ____ rosnou, passando a língua no corte. — Tá tirando com a minha cara, filha da putä? — Maluco é você de achar que ainda pode me tocar depois de tudo, Terror ____ respondi, limpando a boca com as costas da mão — Tu não merece nem o ar que eu respiro, quanto mais a minha boca. Ele bufou, deu uma risada seca, sem humor nenhum, e encostou as duas mãos na porta, prendendo meu corpo no meio. Os olhos dele me devoravam, cheios de raiva e desejo ao mesmo tempo. Terror — Tu fala muito, Rafaella... mas na hora que eu te beijei, tu retribuiu porrä... — Cala a boca, Terror! ____ rebati, sentindo meu sangue ferver — Se eu retribuí foi só meu corpo sendo fraco por um segundo. Mas eu não sou mais tua. Tu não manda em mim. Não manda na minha vida, não manda no meu coração, e muito menos no meu corpo. Ele bate com a mão na porta, perto da minha cabeça, o barulho ecoando forte. O peito dele subia e descia, a respiração pesada. Terror — Tu fala como se fosse santa, Rafaella. Mas quem sumiu foi tu, caralhø. Quem me deixou sozinho nessa porrä foi tu. Eu tava no meu corre, errei? Errei. Mas a vida é essa, não tem como voltar atrás... EU SOU O TERROR PORRÄ... — EU NUNCA QUIS ESTAR COM O TERROR! ____ gritei de volta, empurrando o peito dele, mas ele nem se moveu — Eu quis estar com o Douglas, com o homem que eu amava, não com esse macho safadö que acha que pode ter todas ao mesmo tempo. Tu me humilhou, desgraçado! me fez de piada no morro todo, por muito tempo e eu que não acreditava, porque confiava em você... confiava que você não seria um filho da putä comigo.... Ele fechou a cara na hora, o maxilar dele travado. Terror — Porrä, Rafaella... tu sabe que aquilo não significou nada. Aquela mina não é tu. Nunca ia ser tu. Eu fui um vacilão, mas tu não tinha que meter o pé daquele jeito. Tu tinha que ter ficado e resolvido a fita comigo. — Resolvido? ____ soltei uma risada amarga. — Tu acha que eu ia resolver o quê, Terror? Aceitar ser corna calada? Engolir seco enquanto tu se divertia com outras e depois voltava pra mim como se nada tivesse acontecido? Não, meu bem. A Rafaella de cinco anos atrás até podia se iludir com teu papo, mas hoje não mais.... Ele se aproximou mais, o rosto tão perto que eu conseguia sentir o calor da respiração dele. Terror — Tu me chama de safadö, me esculacha, fala que eu não te mereço... mas olha no fundo dos meus olhos e diz que não sente mais nada. Vai, fala, porrä... ____ rosna e eu engulo seco. A raiva ainda queimava, mas no fundo, eu sabia que ele me conhecia como ninguém. E isso me irritava mais ainda. — Quer saber realmente o que eu sinto? ____ pergunto e ele assente — Vamos lá... o que eu sinto é nojo, Terror ____ cuspi as palavras na cara dele. — Nojo de ter te amado tanto, nojo de ter acreditado que tu podia mudar, nojo de ter me entregado inteira pra um cara que não vale um centavo... Terror — Tu até que fala bonito, Rafaella... mas a real é que tu nunca vai sentir por outro o que tu sentiu por mim. Nenhum playboyzinho paü no cu, nenhum caralhø da pista vai te dar o fogo que eu te dei. Tu pode se enganar, mas eu sei... e tu também sabe... — Eu não quero fogo, Terror ____ respondi, firme. — Eu quero paz. E isso, tu nunca vai me dar. Macho safadö tem que se füder, tem que ficar com essas putäs que vivem em volta de ti, por causa do teu dinheiro. Porque mulher de verdade, mulher que te ama, tu não sabe valorizar e nunca vai saber. Ele se afastou um passo, mas ainda me mantinha presa contra a porta com aquele olhar pesado. Ele passou a mão no rosto, como se tentasse se recompor. Terror — Tu fala demais, Rafaella ____ disse, num tom mais baixo, mas ainda carregado. — Se fosse qualquer outra mina falando comigo desse jeito, já tinha ido de arrasta a muito tempo... — Ué, agora vai querer me matar também, só porque te falo a verdade? ____ respondi, sem medo — Porque agora eu sei quem tu é de verdade. E não adianta se esconder atrás desse vulgo de Terror. Pra mim, tu é só um moleque... e não me merece... Ele ficou me encarando, respirando fundo, como se tivesse prestes a explodir ou a me beijar de novo. Terror — Vai achando que eu não te mereço, Rafaella... ____ rosna, por fim, a voz grave. — Mas tu sempre vai ser minha. Aqui ou no inferno, tanto faz. — Ridículo... vai achando que tá fácil assim... Empurrei ele com força, dessa vez conseguindo abrir espaço e saí pela porta, sem olhar pra trás. Meu coração batia descompassado, as pernas trêmulas, mas a certeza dentro de mim era firme. Ele podia ser o Terror do morro, o homem que todo mundo temia. Mas pra mim, ele não passava de um macho safadö que nunca me mereceu. E dessa vez, eu não ia deixar ele me prender de novo. Mosquito — Já tá metendo o pé, patroa? ____ aparece do meu lado e eu concordo — Sobe ai eu te deixo lá na casa dos tiozinhos... — Me salvando sempre... valeu mosquito ____ falo subindo na sua garupa e ele acelera. Mosquito — Eita porrä... ____ fala olhando pelo espelho da moto, e eu fico sem entender. — Paizão lá atrás... agora mermo que ele arranca meu fígado com a mão.... — Credo mosquito... ele não vai fazer nada, porque não temos mais nada.... relaxa, e outra, se ele fizesse qualquer coisa, eu nunca mais olharia na cara dele.... Mosquito — Sei não patroa... depois eu subo trocar uma ideia com paizão... Contínua...
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