Capítulo 6: O acordo

1619 Palavras
Capítulo 6: O acordo — O que ele te propôs? — Chloe perguntou com uma colher de sorvete na mão. No momento mais envolvente da história, para Chloe, Kara iniciou uma crise de risos. Deixando a loira ainda mais curiosa. — Diz, Kara! — pediu, quase implorando. A morena respirou fundo e parou de rir, com um pouco de dificuldade. — Ele me propôs casamento… — Ela disse e esperou a reação da amiga, que olhou para ela paralisada por alguns instantes. E como se fosse algo combinado, as duas gargalharam ao mesmo. Faziam algumas horas desde que o lindo homem de terno, no caso Blake Coleman, havia ido embora da casa de Kara deixando o número de telefone — dele e do advogado — dizendo que esperaria por uma resposta dela o mais rápido possível. No mesmo instante em que fechou a porta  ela ligou para Chloe, e lá estavam as duas sentadas de pijama na cama da Kara com um pote de sorvete. — Calma… — Puxou todo o ar que conseguiu. — O cara que te salvou do ataque do Caleb, apareceu na sua porta?  Chloe estava repassando a história, Kara assentiu levando uma colher com sorvete de baunilha até a boca.  — Aham! — E te pediu para se casar com ele? — Kara afirmou com a cabeça. — Sem mais nem menos? — A loira continuou e recebeu da morena um aceno afirmativo, novamente.. — E você nunca viu ele antes da outra noite? — perguntou com a testa franzida. — Eu nunca vi ele antes daquela noite. Eu estava tão assustada que não prestei atenção quando ele falou o nome, eu só queria sair daquele estacionamento. — Respondeu indiferente. — Então foi amor à primeira vista?   — Claro que não! Ele quer um tipo de acordo matrimonial, pelo que eu entendi. — Kara disse se lembrando da forma como aquelas palavras saíram da boca do homem. Não é um casamento de verdade, seria um acordo matrimonial. Nós nos casaríamos e secretamente teríamos um contrato, confidencial, que validaria a nossa união por um ano… — Eu não tô entendendo absolutamente nada. — Chloe disse com uma expressão confusa. — Afinal, ele quer se casar com você ou não? — Acho que ele precisa se casar com alguém e acabou me escolhendo. — disse com uma expressão tão confusa quanto a da amiga. Kara havia passado o dia inteiro tentando absorver tudo o que Blake disse para ela. — Porque você? E o que ele ganha com isso? — Um filho… — ela contou sem perceber. … preciso que você me dê um filho e em troca eu vou resolver os seus problemas. Todos eles. Não quero que pense que eu sou louco. Kara suspirou, decidida a contar tudo de uma vez. Até porque ela queria ajuda da amiga para tomar uma decisão. “— Eu não estou brincando e muito menos ficando louco. Tudo o que peço é que você me escute, sem me interromper… Kara assentiu ainda confusa e assustada. Ela não estava acostumada a receber pedidos de casamento de completos desconhecidos e mesmo que devesse colocar aquele homem para fora da sua casa, ela preferiu continuar calada e escutar a proposta, mesmo que fosse para recusar. — Você pode fazer algo por mim e posso fazer algo por você. É bem simples, preciso que você me dê um filho e em troca eu vou resolver os seus problemas. Todos eles.  Kara arregalou os olhos e por impulso acabou ficando de pé, fazendo com que o homem também se levantasse com um olhar tranquilo, diferente dela, que estava claramente perturbada com aquela frase. — Vo-você é-é-é lou…  Tudo estava tão atordoado e bagunçado na cabeça de Kara, que ela nem conseguia se lembrar como falar. — Não quero que pense que sou louco. Por favor, se acalme e me escute. — pediu. — Eu sei que você vai perder a casa, trabalho com imóveis e essa casa vai ser tomada pelo banco em alguns dias. Me desculpe, eu não sei como falar, sempre fui péssimo com as palavras. O que estou tentando dizer é que não é um casamento de verdade, seria um acordo matrimonial. Nós nos casaríamos e secretamente teríamos um contrato, confidencial, que validaria a nossa união por um ano e nós determinaremos as regras e os valores através desse contrato. Ele suspirou. — Sei que não é algo convencional, mas é necessário para mim e você não perderia nada…” As duas ficaram em silêncio por um tempo, após Kara repetir cada palavra que ouvira de Blake mais cedo. Até Chloe decidir acabar com aquilo. — Você deveria aceitar! — ela disse antes de enfiar a colher na boca. A morena havia pensado tanto sobre aquilo e sabia que era péssima ideia, algo dentro dela dizia que ela deveria negar, mas todo o resto — as dívidas com o banco, com um casino clandestino e com o hospital — mesmo que fosse financeiro, dizia que ela deveria aceitar. Então ao ouvir sua amiga falar com tanta facilidade que ela deveria aceitar a deixou confusa. — Não me olhe assim, Kara! Você realmente deveria aceitar. É a primeira vez, desde que sua mãe morreu, que você não precisaria parar sua vida pelo seu pai. Eu não sei, parece uma oportunidade de você finalmente ter uma vida para si mesma e ao mesmo tempo salvar a sua casa e a vida do seu pai. Se você está preocupada por ter que engravidar, basta pensar que é um serviço de barriga de aluguel ou algo assim… Kara estava assustada com a franqueza da amiga, que fazia uma pausa para devorar mais uma colherada de sorvete. — E também, olhe para nossas vidas. Parece que nós duas fomos as maiores criminosas na nossa vida passada e estamos pagando agora, não parece justo que todo o mundo seja merecedor de coisas boas e apenas nós duas tenhamos de viver na merda. Não me entenda m*l, apenas acho que deveria fazer isso por você, por tudo que você sacrificou e seria apenas um ano. Como ele disse, você não perderia nada. Kara entendia o que a amiga queria dizer, mas aquela sensação de que não devia continuava em seu peito. Não que ela fosse alguma moralista, mas seu sexto sentido dizia que aquilo não iria dar certo. ••• No seguinte — Já são nove horas, tem certeza que ela vem? — Marcos perguntou indiferente. Blake não respondeu. Nem ele mesmo sabia responder aquela pergunta.  Ele estava jantando na casa dos pais quando recebeu a ligação Kara dizendo que aceitaria a proposta dele, então Blake pediu que ela fosse até a empresa dele às nove. Ele esperava que ela estivesse atrasada. E aquele maldito atraso o deixava como um adolescente, ansioso para que a bela morena atravessasse aquela porta. Marcos estava prestes a falar novamente, mas antes que pudesse o telefone do escritório e Blake o atendeu rapidamente. No viva voz.   — Eu pedi que você desmarcar todas as minhas reuniões desta manhã e não me incomodasse. — Blake disse frustrado. — Tem uma mulher dizendo que é sua noiva, devo deixar ela entrar ou mandá-la embora? A assistente dele tinha uma voz monótona, era uma mulher bonita e inteligente, porém estranha. — Ela é loira ou morena? — Ele perguntou esperando que fosse Kara e não uma brincadeira de Alice. Sempre que Alice queria algo ela conseguia e o fato dela ir até o trabalho dele e inventar todo tipo de história para conseguir entrar o excitava muito, mas naquele momento não. Ele não queria uma brincadeira de Alice, mas sim, a linda morena de olhos verdes.  — Morena! — concluiu a mulher. — Mas não teria sido melhor o senhor perguntar o nome da mulher? Seria o mais sensato. Mas ele dedicava um certo tempo para desejar o cabelo escuro entre seus dedos, em diversas situações diferentes. Blake estava começando a se sentir muito atraído por Kara. — Como ela se chama? — disse fingindo desdém, já que estava sendo meticulosamente observado por Marcos, que se mantinha em silêncio. — Kara Williams. Era ela. Mesmo que ele já soubesse, ou esperasse, a confirmação fez com que ele soltasse o ar que ele nem percebeu que estava segurando.  — Deixe ela entrar. — Tentou não mostrar a animação que sentiu. — Você tinha razão, ela veio! — Marcos disse irônico. Blake não disse nada, nem mesmo quando o amigo parou por uns instantes do meio da sala e gargalhou alto, caminhando novamente para encher seu copo. A atenção dos dois foi para a porta que recebeu uma leve batida, antes de Blake permitir que a morena adentrasse a sala. — Oi! — Ela cumprimentou Blake sem jeito e sem reparar no moreno alto parado do outro lado do escritório.— Eu me atrasei por causa do trânsito, perdão. Blake não teve tempo de dizer nada porque Marcos tomou a frente. — Não se preocupe, ele adiou todos os compromissos, o Blake esperaria por você o dia todo. Kara se assustou, pois não havia notado a presença do homem e se sentiu envergonhada. — Eu sou Marcos Torres, o advogado e cúmplice. — Ele a cumprimentou antes de levar o copo com conhaque até os lábios. — Kara Williams. — Se apresentou notando traços do moreno, impressionada com a beleza dele. Será que é o terno? Kara se perguntou ao notar como os dois homens eram bonitos. — Cúmplice? — Ela perguntou com estranheza. — Ele está brincando com você… Blake mudou de postura, estava sério, frio e com uma carranca. A mudança do amigo causou curiosidade em Marcos. — Vamos começar? — Blake disse.
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