Pré-visualização gratuita 1. O casamento por contrato
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SINOPSE:
“Você se casará com o seu cunhado e diremos que o filho que espera é dele. Assim, todos os problemas serão resolvidos.”
Bárbara tinha um relacionamento bem complicado com o bilionário Otávio, mesmo assim, no meio de tanta toxidade, ela acabou grávida dele.
Como homem problemático que era, ele envolveu-se em coisas ilegais e acabou sendo preso.
Para abafar mais ainda as fofocas, a família de Otávio decidiu esconder que Bárbara teria um filho dele e fizeram um contrato para que ela também falasse sobre isso.
Neste também dizia que o filho seria de Gustavo, o misterioso irmão mais velho de Otávio, o qual Bárbara nunca foi próxima.
Agora Bárbara se casará com o seu cunhado e terá o seu filho como dele, dando um novo e confuso rumo a sua vida.
Tretas familiares é a minha trope favorita!
Prepare-se para embarcar em uma história cheia de confusão.
CAPÍTULO 1 - O casamento por contrato
BÁRBARA
Eu sempre gostei de contos de fadas. Sempre fantasiando o casamento dos sonhos com o meu príncipe encantado.
Contos de fadas deveriam ser proibidos hoje em dia, pois não existe o príncipe encantado.
Pensei que Otávio poderia ser o meu príncipe encantado.
Bonito que dói, podre de rico, tão rico que bem sabe o que fazer com o dinheiro. Ele poderia ter um castelo e poderia colocar dentro dele tudo o que ele quisesse. Ele poderia me dar o mundo.
Mas ele não é bom.
Ele é h******l.
Só pensa nele.
Só pensa nas drogas e festas.
Adora que as pessoas o admirem.
Adora ser bajulado.
Ele nunca será um príncipe.
Ele me fez desacreditar que poderia ser feliz com alguém e o pior de tudo é que eu não consegui terminar com ele porque os meus pais não deixam.
A minha família é rica. É dona de lojas bem famosas, mas grande parte da riqueza se dá pelo Otávio, que já emprestou milhões ao meu pai.
Eles não queriam que eu deixasse o Otávio.
Tive que sofrer nas mãos dele. Sofrer mesmo. Apanhando e ouvindo coisas horríveis que a família dele bem sabe. O que mais me envergonha é responder o porquê eu não o deixava. Dizer que o amo é uma mentira.
Mas enfim, um dia a casa caiu.
Otávio se meteu em coisa muito perigosa e agora está preso. O pior de tudo é que estou grávida de um filho dele.
Não acredito que seja fruto do nosso amor. É mais fruto de um e*****o em alguma noite que eu estava drogada na cama dele.
Meus pais ao saber disso conversaram com os pais dele. Eles sempre buscam um jeito que extorquir a família do Otávio. Eles enxergaram isso como uma grande oportunidade.
Queriam dinheiro para que não contássemos da criança.
Os holofotes estão virados para a família dele, então o que eles menos querem é mais fofoca.
Acabou que o plano dos meus pais não saiu como planejado. Os pais de Otávio ficaram felizes com a criança e ofereceram outra proposta. Que este bebê fosse registrado como filho de Gustavo, o meu cunhado, para que assim como este ele seja querido na família.
Eles não se orgulhavam de seu filho mais novo. Otávio sempre deu muito trabalho. Se um dia ele saísse da prisão, o que era bem improvável, pois ninguém estava fazendo algo para isso, seria um péssimo pai. Ele terminaria de acabar com a minha vida.
Eles queriam que a criança ficasse perto deles e os meus pais não hesitaram em aceitar se livrar de mim.
Agora estou em frente ao espelho, vestida de noiva, para me casar com o meu cunhado. O cunhado que desde que namoro Otávio só troquei 3 frases: Bom dia, boa tarde e boa noite.
Eu não sei o que será depois desse casamento, mas sinceramente espero que não seja pior do que já vivi.
[•••]
O casamento não teve nada de especial. O juiz fez toda a cerimônia e depois disso tudo o que eu queria era tomar uma taça de vinho.
Dizer "sim" para o meu cunhado soou mais falso que os gemidos que eu dava enquanto fazia s**o com Otávio.
E quando trocamos as alianças ele beijou a minha cabeça.
Foi a situação mais constrangedora da minha vida.
Todo mundo ali olhando. Meus pais e os dele sabiam da verdade, o resto das pessoas pareciam muito enganadas, porém todos estranhavam. Ninguém via nada normal ali. Não tinha sentimentos, não tinha uma história por trás. Era só um casamento por conveniência que daqui a algumas semanas levantaria a notícia de uma criança.
Quando assinamos os documentos, todos nos aplaudiram e eu não soube mais o que fazer. A mãe dele me entregou o buquê e agora teria uma breve festa de comemoração.
Os pais dele acreditavam que isso seria bom para o nome da família. Algo bom acontecendo cobriria a notícia do seu filho preso.
Fazia duas semanas que Otávio estava preso e ninguém achava isso r**m. Só era r**m para o nome da família.
Eu não era a namorada famosa que todo mundo conhecia. Eu era a que ele guardava a sete chaves para ninguém roubar ou fazer outra coisa. Soa até romântico, mas ele fazia isso porque não queria que as outras soubessem de mim, nem que a imprensa soubesse de mim.
Ninguém sabia que eu namorava o Otávio além de a família dele e eu não costumava vir para casa dele sempre. Era coisa de duas vezes no mês. Meus pais eram mais próximos deles do que eu.
Colocaram uma música animada e os garçons apareceram com bebidas. Todo mundo começou a nos parabenizar pelo casamento.
Casamento...
Estou casada aos vinte e quatro anos com um cara que eu m*l conheço.
Na verdade, eu não conheço quase nada sobre ele. Ele é do tipo filho intelectual que não compartilha nada com a família. Como eu sempre estava com seu irmão, que é totalmente diferente dele, nunca ouvia nada animador sobre o Gustavo.
Eles eram muito diferentes, mas isso não significava que eu deveria ficar feliz por ter me casado com o irmão quieto.
Ele também pode ser r**m comigo.
A minha sogra, agora sogra mesmo, nos puxou de um lado quando terminamos de cumprimentar todos.
— Sei que isso tudo é novo e estranho para todos, mas vocês poderiam demonstrar ao menos alguma i********e? Conversem! As pessoas estão se perguntando por que vocês m*l se olham!
— Mãe, não queira cobrar mais. Isso tudo já é um absurdo. — ele disse com sua voz grossa e arrumou sua roupa.
Eu nem sei o que falar com ele. É tudo bem estranho.
— Falem sobre algo. Sei lá. Sentem nos lugares dos noivos e conversem sobre dividir o quarto, afinal, esse casamento é real e precisa ser consumado, não é? — ela revesava o olhar entre nós dois e nos deu as costas.
Ela não quer forçar a gente a ter relações sexuais não, né?
Porque é o que parece.
Eu, transando com ele?
— Preciso de um copo d'água. — me afastei dele.
— Aqui. — ele falou e eu olhei para trás. Ele estava segurando um copo d'água. Voltei encabulada e peguei o copo da sua mão.
— Obrigada.
— Não cai na pilha da minha mãe. Ela tá preocupada em convencer todo mundo com isso. — ele pegou uma taça com champanhe e deu um gole.
Tomei um pouco da água. — Eu sei. É que é um pouco novo para mim. Na verdade, muito novo.
— Para mim também. — ele balançou a cabeça olhando para os convidados.
— Hora das fotos. — minha mãe apareceu com o fotógrafo.
— Mãe, não acha que já tem fotos suficientes?
— Não para preencher um álbum. A minha única filha casou! Tenho que guardar recordações disso! — ela estava eufórica. — Vocês dois façam pose.
Que vergonha...
— Mãe, nós estamos bebendo... Dá um tempo. — pedi constrangida.
— Vamos tirar logo. Assim acaba com isso. — Gustavo pegou o copo da minha mão e colocou com a taça dele em cima de uma mesa.
Ele parece ter uma santa paciência.
— Segura na cintura dela. — minha mãe começou a organizar as poses.
Eu não sabia como me comportar diante disso. Não temos nenhuma i********e e ele está segurando na minha cintura!
— Vocês ficam lindos juntos! — uma tia dele comentou toda derretida.
Por essa eu não esperava.
Tiramos algumas fotos, mas não deixei que minha mãe nos colocasse naquelas poses de casal apaixonado que fica se encarando. Não rolava.
— Chega, mãe. Quero sentar e descansar as minhas pernas. — peguei meu copo d'água e fui para a cadeira dos noivos.
Gustavo foi até o pai dele e ficaram conversando.
Não é que ele seja estranho. Ele só é na dele. Não é escandaloso como o Otávio. Ele também é tão bonito que dói, mas ele não tem as mesmas atitudes em público que o Otávio tem. Talvez seja porque ele é mais velho do que o Otávio. Ele é empresário e todo responsável. Nunca soube que ele tinha namorada ou algo do tipo. Otávio o chamava de donzelo e dizia ter quase certeza que a única coisa que o p*u dele conheceu foi sua mão.
Será?
Seria bem estranho.
Acho que ele já deve ter se envolvido com alguém, só é muito discreto para contar ou demonstrar.
— Ele é gato, né! — minha prima Lis sentou no lugar que era do noivo.
— Sim.
— Foi uma ótima troca. Um irmão bilionário por outro ainda melhor.
— Ah, Lis. Você não sabe da metade da missa. — suspirei.
Um garçom chegou com pratos cheios de salgado e nós pegamos.
— Nem quero saber. O que sei já basta. Você ficou 2 anos namorando o Otávio e ele não te assumiu. Tem duas semanas que ele foi preso e você agora tá com o irmão dele e já casaram! Tipo: melhor investimento!
Ela é um pouco escandalosa. Prefiro levar na brincadeira.
— Pois é. Existem homens e homens.
— Como ele é? — ela o observava.
— Ele é do jeito que você está vendo. Discreto e na dele.
Era o que eu sabia sobre ele.
— Na cama. Tô querendo saber como ele é na hora do vamos ver. — ela me encarou com uma cara de gente s****a.
Eu ri. — Não aconteceu.
— Ainda não aconteceu?!
— Fala baixo, Lis. — fiquei com medo de que alguém tivesse ouvido. — Não aconteceu.
— Casaram virgens?
Dei risadas. — Você sabe muito bem do que tô falando.
— Que bonitinho. Quero todos os detalhes da lua de mel.
Lua de mel...
— Eu não vou te contar nada.
— Já vou que ele tá vindo. — ela levantou. — Olha, quando for jogar o buquê, joga para mim. Tá bom?
— Tá bom. — continuei rindo e ela saiu dançando.
Lis é o mais perto que tenho de uma melhor amiga, mas não contei a ela nada do que está rolando, afinal, eu assinei um contrato de casamento que dizia que eu não poderia contar para ninguém os motivos reais.
Deixo ela se iludir.
— Com licença. — Gustavo sentou do meu lado.
Eu ainda não sei lidar com isso.
— Você quer? — ofereci os salgados. Foi a primeira coisa que pensei antes do gelo e constrangimento se instalar.
— Quero. — ele pegou um dos salgados e o fotógrafo tirou fotos disso.
Eu não sei se terei coragem de olhar esse álbum. De verdade, eu não sei.
[•••]
Nós não trocamos muitas palavras, só comemos na companhia um do outro até que a minha sogra apareceu dizendo ser hora de jogar o buquê.
Então pedi licença ao Gustavo e levantei para fazer isso.
Todas as mulheres entraram nessa de pegar o buquê para dar uma animada no momento. Confesso que foi o momento mais engraçado do casamento. Eu até ri. Antes eu estava nervosa com tudo.
Foi bom para quebrar o clima estranho do casamento.
Então fingi que iria jogar umas duas vezes e todo mundo ficou rindo muito. A minha prima Lis e a tia do Gustavo estavam brigando pelo buquê. Então joguei de verdade na terceira vez. Elas caíram em cima do buquê como crianças brigando por doce. Eu estava rindo horrores com isso.
Uma delas saiu de dentro da pequena multidão com o buquê e não era nem a minha prima, muito menos a tia do noivo.
Era outra parente dele. Todos aplaudimos e eu posei o seu lado, depois voltei para a minha cadeira ainda rindo.
O Gustavo também estava rindo disso.
— Elas estão desesperadas para casar. Que confusão!
— Sim. Eu não gostaria de estar ali com elas. Certamente seria esmagada.
— Você não precisa mais disso.
— É. — olhei o anel de casamento na minha mão. — Mas vou demorar para me acostumar com isso.
— Eu também. Aliás. — ele se virou para mim. — Eu não sei se você esperava uma viagem de lua de mel, assim como a minha mãe e a sua queriam, mas eu não posso esses dias, porque tenho muito trabalho.
— Não. Não precisa se preocupar com isso.
— Se você quiser, podemos marcar para daqui a alguns meses. Assim eu me organizo melhor.
— Eu não quero bagunçar a sua agenda. Não se preocupa com isso. Tudo isso é só conveniência mesmo. — fiquei encarando o prato de salgados.
— Eu sei, mas eu não gosto de fazer as coisas de qualquer jeito. Mandarei a minha secretária marcar uma viagem para nós.
— Lembre que estou... Daquele jeito...
— Isso não é um problema. Estamos casados e gravidez é normal num casamento.
— Você está se conformando rápido demais para quem não tinha nada a ver com tudo isso.
— Alguém tem que manter a calma e parece que você não conseguirá fazer isso. Então eu faço. — ele explicou pegando mais uma taça de vinho.
Medo dos bonzinhos... Mas ele tem razão.
E foi assim que me milha lista de frases trocadas com ele aumentou. Foi a conversa mais longa que tivemos desde que o conheço.
— Refrigerante? — o garçom perguntou a mim.
Penso que um gole não deve fazer m*l.
Peguei um copo e coloquei perto de mim, para descer os salgados.
— Filha... — minha mãe cantarolou vindo para perto de mim. — Você não imagina o tanto de presentes que ganhou. Quero estar presente quando forem abrir.
— Mãe, eu nem sei para quê. Onde colocarei tudo isso?
— Mandarei levarem para a minha casa. — Gustavo disse. — Nós não vamos morar aqui.
Ok. Essa é nova. Achei que ele morava com os pais. Ele tem uma casa...
E eu morarei numa casa com ele.
Eu e ele.
A ficha demorará a cair. Com certeza vai.
Continuo naquele período do automático. Tudo automático. Não sinto nada além de estranheza, mas parece que tudo é uma mentira que acabará quando a noite acabar.
Eu não sei quando vou acreditar de verdade que casei com o meu cunhado.
— Bárbara e Gustavo, vocês não dançaram a valsa. — outra tia dele avisou com um sorrisinho. — Vamos. É tradição.
— Vai ficar lindo nas fotos. — minha mãe comemorou eufórica.
Claramente sua maior preocupação são as fotos.
E eu preocupada em como será quando o Otávio for solto e souber que casei com o irmão dele. Ainda por cima, tive um filho...
Ele vai querer m***r todo mundo.
— Vamos. Vamos. — a tia dele apressou.
Tivemos que levantar e dançar a bendita valsa.
— Eu nunca fiz isso. — avisei a ele.
— Eu já fiz algumas vezes. — ele chegou mais para perto de mim e pediu até licença para segurar a minha cintura, depois segurou a minha mão. Ele é alto e forte... E cheiroso. — Siga meus passos.
Olhei para baixo.
— Sem olhar para baixo.
— E para onde olho então?
— Nos meus olhos. Confie em mim e deixe eu te guiar. — ele começou a fazer isso e eu fiquei olhando em seus olhos como se tivesse em transe.
Deixei que ele me guiasse mesmo. Quando me dei conta estávamos dançando uma valsa com o vento nos meus cabelos.
Era como se eu tivesse flutuando. Então olhei para o não e sorri, depois voltei a olhar para ele.
Ele também estava com um leve sorriso.
Dançar desse jeito com o meu cunhado, digo, novo marido, me fez ver o quanto ele é bonito. Ele tem olhos escuros e sobrancelhas grossas, cabelos bem pretos e também tinha a barba que cobria toda a sua mandíbula até chegar ao maxilar. E seus lábios eram carnudos numa boca pequena.
O boy é gato.
E ele não tem aquele jeito arrogante que o Otávio tem sem precisar esforçar.
Eu nem percebi que a valsa acabou, mas notei que assim como eu, ele também estava analisando o meu rosto.
Paramos e ele só soltou a minha cintura, continuou segurando a minha mão e voltamos para os lugares dos noivos.
A mãe dele veio atrás e colocou a cabeça entre as nossas cadeiras.
— Agora, sim, foi convincente. — ela parecia animada. — Mas não querendo deixar vocês nervosos, a notícia do casamento já se espalhou e recebi a ligação de um blog de notícias da cidade. Eles querem entrevistar nossa família na próxima semana. Aproveitei para começar a inventar a história de vocês de hoje. — ela saiu de perto da gente.
Soltou a bomba e saiu.
— Elas inventam tudo e querem que a gente se responsabilize. — comentei sem ânimo algum para inventar mentiras.
— Nem fala. — ele comentou.
— Por mim eu teria meu filho como mãe solo e me afastaria de toda essa história, mas os meus pais que não deixaram.
Querem continuar com o vínculo com esta família. Agora sobrou para mim.
— Você teria essa coragem? Criar um filho sozinha? Sem um pai? — ele enrugou a testa.
— Claro. O pai dele não é lá essas coisas. Se tivesse presente não ajudaria em nada mesmo. Sozinha evitaria problemas para todo mundo.
— Esquece que ele é filho do Otávio. Como você mesma quis dizer, ele não seria um pai. Então já que estamos aqui, temos que aprender a desenrolar isso.
Ele é muito conformado.
— Venha. — ouvimos a mãe dele vindo em nossa direção com um rapaz bem-vestido e todo sorridente.
— Rodrigo! Finalmente! — Gustavo se levantou e foi cumprimentar o rapaz.
— Claro que eu não faltaria no casamento do meu melhor amigo. Desculpa o atraso. Foi o voo, na verdade, que atrasou. Mas cheguei. É o importante.
Eu levantei, pois ele olhou para mim.
— Rodrigo, está é minha esposa, Bárbara. — ele falou na naturalidade e eu fui cumprimentar o rapaz.
— Muito prazer.
— Prazer também.
— Tirou sorte grande casando com o meu amigo. Olha, eu bem que queria casar com ele, mas ele não quis. Casou com você. Então cuida bem dele, senão você vai se ver comigo. — ele ameaçou e nós rimos.
— Tá bom.
Pelo visto o Gustavo é mesmo legal.
Estou começando a me conformar com este casamento.