O que Gustavo quer?

735 Palavras
GUSTAVO Se me contassem há dois anos que eu me casaria com ela, diria que não tinha chances alguma. Quando Otávio a trouxe para cá e a apresentou como sua namorada logo vi o quanto ela estava apaixonada por ele. Por isso eu nunca me aproximei dela. Mas como se esperava, o meu irmão fez m***a. É a única coisa que ele sabe fazer. Ele ferra com tudo, sempre. Só que desta vez ele ferrou com a vida dele. Duas semanas que ele já está preso e eu só vejo benefícios nisso. Não tem brigas, não tem notícias ruins, não tem problemas e eu acabei me casando com ela. Eu e Rodrigo nos afastamos da mesa dos noivos para conversar mais em particular. — Como você está conseguindo esconder a felicidade? — Do que você tá falando? — arrumei minha gravata. — Qual é, Gustavo. Você é apaixonado por ela desde que a viu passando por essa porta com seu irmão! — Não era isso. Eu só a elogiava e admirava a sorte que meu irmão tinha em ter uma garota como ela. — Apaixonado. Fala sério. Aposto que você aceitou a ideia do casamento sem pestanejar. O que rolou? — Rodrigo indagou curioso. — Eu não posso contar. Existe uma burocracia por trás. — Ata. Você, assim como o meu irmão Rômulo, adoram uma burocracia... — Não foi minha decisão. Isso é coisa dos nossos pais. — Trinta anos nas costas e deixando os pais decidirem com quem você vai se casar. Óbvio que você está adorando isso. Seu donzelo. — ele me cutucou com o cotovelo. Eu ri. — Tá. O que posso dizer? Estou gostando da ideia sim. Ela é inteligente, parece ser bem diferente da família dela, é educada e gentil e também é muito bonita. — E você estava esperando o dia em que seu irmão a deixaria ou faria algo bem fodido para ter sua chance com ela. Esse momento chegou. — ele concluiu nada surpreso e eu fiquei rindo, apesar de essa conclusão ser bem constrangedora. — Espero que seja feliz com ela. Que os dois sejam felizes. — ele segurou meu ombro. — O tanto de mulher que você dispensou por causa dessa paixão encubada... Ela tem que valer a pena mesmo. — Ela vale. — eu disse com certeza. — Vem cá, mas e o seu irmão? Como foi que aconteceu isso? Não precisa revelar a burocracia, mas eles não estavam juntos? O seu irmão terminou com ela quando foi para a cadeia, é isso? — O meu irmão não termina com ninguém, mas ele ficará um bom tempo na cadeia. — E quando ele sair? Como será? E se ele ainda quiser alguma coisa com ela? Cê já pensou em como ele reagirá ao saber que vocês se casaram? — Estou tentando não pensar nisso, mas o que está feito, está feito. Ele não poderá desfazer o nosso casamento. Eu não deixarei e acho que ninguém deixará também. É óbvio que as nossas famílias gostam mais da ideia de ver a filha comigo do que com o Otávio. — Eu sei. Mas olha, será um problemão. — A gente resolve. Ele tem tantas outras... — Mas ela é ela. Ou você também já teria outras e mais outras. E olha que você nunca se envolveu com ela. Ele sim. Aliás, já? Já deram uns amassos enquanto esperavam o casamento? Eu ri. — Não. Desde que inventaram isso nós só nos encontramos hoje. — Nem uma bitoquinha? — Nada. — eu ri. — Larga de ser lerdo, Gustavo. Nem na hora do "pode beijar a noiva"? — Bem que eu queria, mas Rodrigo, nós m*l conversamos. Hoje foi o dia em que trocamos mais palavras. Não posso meter o louco, né! — Mas você casou com ela. Chega junto, manda o papo. Cê perdeu a manha foi? — Acho que eu nunca tive a manha. — me encostei num móvel e olhei para a mesa dos noivos. Ela não estava lá, mas estava dançando com a amiga. — Hoje é o dia. Espero a notícia ao menos de um beijo. Mas você tem condições de conseguir mais do que isso. Vocês vão dormir juntos... Eu sorri enquanto ouvia meu amigo e olhava ela dançar. Tive a sorte grande mesmo. "Obrigado, Otávio, por fazer m***a e ferrar com tudo. Você me deu a garota que eu queria".
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