6

1536 Palavras
sem revisão A polícia bateu a porta de Mariana minutos após a saída de Juan. Ela, tranquilamente explicou o que havia acontecido e que foi apenas um m*l entendido, mentiu que o disparo foi dado pelo susto de encontrar o irmão na sua sala. "Eu não sabia que ele tinha a chave do meu apartamento e ainda derrubou sem querer um abajur, foi automático, disparei pensando que meu apartamento havia sido invadido por um ladrão." Os policiais então pediram a documentação da 4rma, prontamente, deixou o irmão fazendo companhia a eles que perguntaram a Valério a razão da sala está uma zona. O advogado disse que a irmã bebeu na noite anterior e levou uma visita para casa, se é que eles entendiam. Um dos policiais sorriu ao entender e o outro ficou vermelho. Mariana voltou com a documentação, entregou aos policiais que verificaram que estava tudo devidamente legalizado. No fim, pediram para os irmãos terem mais cuidado, uma 4rma em casa era perigoso e que Valério fosse mais cauteloso e avisasse a irmã quando estaria de visita. Foram embora. Mari olhou para o irmão, que sorriu e a puxou para um abraço. Ela era menor que os irmãos, parecia que estava sendo abraçada por um urso grande e assustador. "Sentimos sua falta, pirralha." Ele disse por sobre a cabeça da irmã. Aquela palavra despertou um gatilho nela, não tinha certeza se realmente os irmãos sentiam. Os três seguiram a vida juntos sem importa-se com as consequências. "Pirralha?" Valério a chamou sem a soltar. "Hum" Mari murmurou. "Sabe que te amo muito, não é?" Perguntou. "Sei não" sabia que tantos anos separados foi por causa do seu preconceito. Mas não podia afirmar ou negar nada. "Sabe sim, só está se fazendo de difícil. Contudo, pirralha, por te amar que vou te dizer isso… você está fedendo a álcool e vômito." Mari o empurrou, esperava uma declaração de amor fraternal, não… ela cheirou sua camisola e o odor forte invadiu suas narinas com força. Torceu o nariz e sem olhar para o irmão, disse: "Você faz o café, vou tirar essa catinga." A mulher correu em direção ao banheiro… Valério preparou ovos mexidos enquanto a cafeteira fazia o seu trabalho. Precisava levar a pirralha com urgência no supermercado para fazer compras. Não havia quase nada nos seus armários, na geladeira encontrou água, cerveja e mais nada. Café e ovos eram a única coisa que tinha. Contudo, lembrando do tempo que morou sozinho não pôde nem julgar a irmã. Ele mesmo raramente ia ao supermercado pois quase não parava em casa. Passava mais tempo na biblioteca da universidade que qualquer outro lugar. E nos fins de semana saía para conhecer algum lugar da Espanha com alguma garota ou amigo da faculdade. Nunca precisou se preocupar com dinheiro naquela época, o pai supria tudo, tanto para ele quanto para o irmão em Portugal. "Liguei para a padaria e vão entregar algumas coisas." Mari avisou ao entrar na cozinha com uma toalha enrolada no cabelo. "Já faz semanas que digo que vão ao supermercado e nunca tenho tempo." Valério sorriu, parecia que a irmã estava ouvindo seus pensamentos. "Preparei ovos mexidos. Come enquanto está quente." Ordenou como se ela ainda fosse uma criança. "Obrigada." Mari puxou o banco que fica ao redor da ilha e sentou-se. O café estava pronto, ele desligou a cafeteira e pegou a jarra, servindo uma boa quantidade na caneca da irmã. E mais uma boa quantidade na sua caneca. Mari fechou os olhos ao dar um longo gole no líquido quente. Puro e sem açúcar, do jeitinho que ela gostava. Julio odiava o café deles, Maria apenas adoçava ao seu gosto sem reclamar e acrescentava o leite para ela e o pai. Lembrar do pai fez o amargo do café se sobressair. A irmã tinha todo o direito de seguir em frente, mas tinha que ser justo com os filhos do homem que lhes estendeu as mãos quando mais precisaram? "O que te traz aqui? Não se atreveu a vir me ver durante todos esses anos e agora do nada aparece na minha casa e quebrar tudo?" Mari soou rancorosa, mesmo tendo consciência de que foi ela quem afastou-se dos irmãos. "Vamos vender a casa do papai, mesmo que pelo testamento você não tenha direito sobre a casa, Maria e nós decidimos dividir o valor da venda em quatro. Afinal, você cresceu naquela casa e tem todo o direito." Valério aguardou ansioso pela reação da irmã, que pela expressão, não seria nada boa. Os ovos ficaram com um gosto amargo igual o café. A cabeça latejou com força. Tudo que Mariana queria era aproveitar a visita do irmão que jamais imaginou que sentia tanta saudade. Mas como conseguiria faze-lo agora que ele estava avisando que iriam se livrar do lugar que detém todas as lembranças boas da sua vida, lembranças de quando tinha uma família feliz com o pai Camilo e a irmã? Eles seguiram a vida deles, tomaram decisões sem pensar nas consequências e agora, com certeza por culpa, remorso, sabe-se lá o que, iriam se livrar da maior lembrança do homem que a livrou de uma vida de miséria. Sua irmã deveria ser mais grata. Contudo, se dissesse não, pouco poderia fazer. O apartamento foi sua parte da herança. A casa ficou para os três. "Se eu disser 'não', vai fazer alguma diferença?" Mari perguntou tentando conter sua fúria e decepção. Valério percebeu que a pirralha cresceu, em outro tempo, teria levantado, feito um escândalo e o colocado para fora. Esperava ser tratado assim, era uma surpresa o esforço que a irmã estava fazendo para manter o controle de suas emoções. "Não" decidiu ser sincero. Naquele momento, Mariana levantou, tentava respirar fundo, precisava se acalmar. Começou a andar de um lado para o outro, usando a técnica de respiração que aprendeu na yoga. Ainda assim, suas palavras saírem cheias de mágoa pelos irmãos tomarem decisões sem pensar nela. A casa era importante, tinha um valor sentimental. Mesmo que no passado tenha planejado se mudar com a irmã, iria fazer isso apenas para o seu bem estar e a casa ainda estaria lá, sabia que poderia ir ao lugar de suas memórias quando quisesse, porque os irmãos postiços sempre a receberiam de braços abertos. Contudo, tudo mudou. Tudo. "Conviver com a culpa por nem terem esperado o corpo do papai esfriar para seduzir a mulher dele foi demais para a consciência de vocês? Aposto que essa culpa os corrói por anos." Ela foi dura em suas palavras. Mas não teve o êxito desejado, o de machucar o irmão. "Você não sabe o que aconteceu para nos julgar." Valério não gostou do tom da irmã. Ele e o irmão erraram no início da relação deles com Maria, mas quase terem perdido a vida e a mulher que amavam foi punição o suficiente pelos erros que cometeram. "Ah, eu sei o que aconteceu, uma pandemia aconteceu e vocês se aproveitaram disso e da fragilidade da minha irmã para seduzi-la e a tornarem o brinquedo s****l de vocês. Aposto que se divertem com outras na rua enquanto a b***a…" "Chega!" Valério bateu com força na mesa, fazendo a irmã ficar em silêncio pelo susto. "Durante todos esses anos a protegemos das coisas que aconteceram. Maria não queria te preocupar, mas ainda assim, tem coragem de ofender a pessoa que sempre te protegeu de tudo?" Aquela pergunta foi um soco na boca do estômago de Mari. Um gatilho que a transportou para quando ainda era uma menina e vivia com medo do pai entrar no quarto. Ainda lembrava de como ele apertou sua i********e com força e a irmã o chamou, ela sempre o chamava quando chegava perto demais de fazer algo com ela. Maria só pedia que Mari fizesse uma coisa. "Fecha os olhos com força, e não abre por nada, não importa o que escute. Não vou deixá-lo machucá-la nunca mais." Sentiu a dor daquelas palavras. A culpa que carregava por ter sido incapaz de ajudar a irmã. Os lágrimas começaram a descer sem aviso prévio. Quando ele ia embora, a irmã dizia. "É seguro agora, pode dormir sem medo." Mari não escutou o irmão a chamar, as lembranças eram duras e dolorosas. Sem perceber, estava envolvida no abraço de urso do irmão, forte e apertado. Desabou de vez ali, no calor acolhedor da família que Camilo lhe deu. Da segurança que o pai adotivo construiu para ela e a irmã. "Pirralha" Valério sussurrou sabendo que havia provocado um gatilho. Maria sempre deixou claro que apesar da irmã ser uma pessoa forte, determinada a viver sua vida sem a sombra do que aconteceu no passado, era uma pessoa com traumas e que sentia muita culpa por algo que não tinha controle. "Precisa saber, minha pequena, que não foi minha intenção. Só queria que entendesse que o que aconteceu naquele ano, quase a deixou sozinha no mundo." Aquelas palavras ditas num sussurro quase inaudível fizeram Mari despertar. Um frio percorreu sua espinha quando um medo de ficar sozinha sem ninguém para voltar, tomou conta de si. Não sabia o que aconteceu, mas abraçou o irmão com toda a sua força… Amores, estou sem internet, tá sendo uma
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR