sem revisão
Mariana acordou com uma terrível dor de cabeça. m*l lembrava como chegou em casa. Depois que seus colegas de trabalho chegaram no bar, a noite se tornou uma criança e ela perdeu as contas de quantas canecas de cerveja bebeu. Não lembrava de quase nada da noite anterior, ficou surpresa de está no seu quarto de pijama e não largada na sala de um de seus colegas. A cabeça latejou com força, o álcool ainda revirava o seu estômago, correu para o banheiro e colocou tudo para fora. Torceu o nariz quando o cheiro de cerveja atingiu suas narinas. Sua alma ainda não havia voltado para o corpo, sequer conseguia pensar direito, não tinha ideia de como foi para casa. Custou perceber que o barulho de coisas quebrando vinha de dentro do seu apartamento. Pensava que era coisa da sua cabeça confusa, correu até a cama e debaixo dela retirou uma caixa onde guardava a 4rma que seu pai Camilo lhe deu na última vez que a visitou na Espanha.
"Sua irmã aprendeu a atirar e acredito que está na hora de você também." — As palavras dele vieram nítidas em sua cabeça, como se ele estivesse ao seu lado. Reprimiu a saudade que se fez presente e foi direto para a sala, de onde estava vindo o barulho. Empunhando a 4rma, caminhou lentamente pelo corredor e ao chegar na sala, se separou com o inesperado. Seu irmão, Valério, estava literalmente caindo no soco com Juan, seu ex-cunhado. Mari inclinou a cabeça para o lado tentando entender o que estava acontecendo e como os dois foram parar na sua sala. Uma sala que estava destruída e que custou uma pequena fortuna para montar. Ficou furiosa ao perceber que acabou de ter um prejuízo de milhares de euros. Apontou a pequena 4rma para um vaso, puxou o gatilho e o projétil acertou em cheio. Clivia, uma de suas exs, deu aquele vaso de presente no dia dos namorados com belas rosas vermelhas que representavam a paixão que sentiam uma pela outra, o relacionamento não durou muito, mas o vaso era bonito. Juan e Valério pararam na hora, assustados. Os olhos de ambos mirraram Mariana que ainda empunhava a 4rma, agora na direção deles.
"Expliquem-se" ordenou num tom de ameaça.
Valério xingou um 'c****e' e Juan não soube como agir. Nunca passou pela sua cabeça que depois de ajudar Mariana a chegar em casa em segurança e garantir que ela não se afogasse no próprio vômito fosse ter uma 4rma apontada para si.
"Pirralha!" O tom de repreensão do irmão fez Mari abaixar a 4rma.
Juan, que conhecia a ex-cunhada a pouco tempo, ficou chocado ao vê-la obedecer rapidamente apenas pelo tom de voz.
"Papai também te ensinou a atirar?" O advogado pegou o revólver das mãos da irmã.
"Não, ele me deu de presente" apontou para o objeto que agora estava nas mãos do irmão " e pagou as aulas."
Então seus olhos foram para Juan, ainda não entendia o que o homem fazia na sua casa, era cedo, e ele estava sem camisa, vestia apenas uma calça jeans rasgada nos joelhos e estava descalço. Ela olhou para a sua camisola, sequer lembrava como a vestiu, uma lembrança repentina veio a sua mente, alguém segurando o seu cabelo enquanto vomitava. Fechou os olhos, não poderia ser o que estava pensando.
"Por favor, me diz que seus vizinhos estão trabalhando?" Valério não estava com paciência para lidar com a polícia naquele momento.
"Não faço ideia, moro aqui há quase dez anos e quase não falo com eles." Mari deu de ombros e Valério respirou fundo, ela e Maria eram tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas.
"Vamos esperar que ninguém tenha chamado a polícia por causa do disparo." O advogado massageou as têmporas e então, lembrou-se da razão daquela confusão. Olhou para o homem semi nu e sem olhar para a irmã, disse:
"Espero que este indivíduo seja gay."
"Ele é irmão da Elena." Mari riu, mais de nervoso. Por mais que fosse durona, conhecia os irmãos muito bem e eles sempre foram muito protetores com ela. Principalmente Valério que foi quem a ajudou a se estabelecer em Madrid.
"E cadê ela?" O advogado ainda não estava convencido.
"Em casa com a nova namorada." Juan respondeu cruzando os braços com os olhos fixos em Mari.
Os olhos de Mariana quase entraram em órbita, se estivesse com seu revólver com certeza teria feito outro disparo. Se Valério descobre que bebeu na noite anterior sem limites e que precisou ser carregada para casa vai ser o fim. Mas ainda assim, nunca se sentiu tão aliviada por não ser Júlio no lugar do irmão, o outro era mais impulsivo e era certeza que aquela confusão já teria se tornado algo de enorme proporção.
Valério olhou de um para o outro, seus olhos pararam por uns segundos a mais na irmã. Mari desviou o olhar, era muito diferente ser rebarbada por telefone, era fácil, não tinha que lidar com a imponência que o irmão transmite. Que ódio! Era uma mulher adulta, independente, não tinha que ficar se sentindo pequena e indefesa diante do irmão mais velho e assustador. Se empertigou, pronta para enfrentá-lo, mas ele balançou a cabeça de um lado para o outro e apontou para o sofá. Obedientemente, ela seguiu até o móvel e sentou-se, ele fez o mesmo com Juan, que não pensou em recusar já que o homem agora estava sob posse daquela maldita arma.
"Explique-se" O advogado ordenou para o homem. Mari congelou. Se ele contasse ela estava perdida.
"Mariana me deu abrigo porque bebi demais na noite passada, eu estava arrumando a bagunça que fiz quando você chegou." Juan não olhou para Mariana, e não estava mentindo porque era um bom moço. Ela iria ficar devendo a ele, sentiu vontade de sorrir, contudo, se conteve. Valério então voltou a atenção para a irmã, que o fuzilava com seus olhos castanhos. No que o pai a mimou, ele e Júlio se tornaram aqueles que a repreendiam e a colocavam na linha. Mas Maria era a pessoa que ela sempre ouvia no final, estava surpreso por não encontrar resistência na pirralha. Talvez, ela estivesse sentindo falta de ser repreendida. Sabia que o homem estava mentindo. Sente cheiro de mentira de longe, afinal, era advogado.
Mas aquela confusão estava indo longe demais, depois lidaria com Juan e descobriria as reais intenções dele com a pirralha, naquele momento, tinham que se preparar para caso a polícia batesse na porta e tinha que lidar com a reação da irmã quando souber que estão vendendo a casa que viveu com a irmã e o pai. Mesmo Mariana não tendo direito por testamento sobre a casa, já que o pai comprou aquele apartamento para ela, os três decidiram que era justo ela receber uma parcela da venda da casa. Mariana estava mansa, mas duvidava que ela fosse permanecer assim por muito tempo.
Desistiu de dizer algo, apenas assentiu para o alívio da irmã.
Mariana olhou para Juan e disse em espanhol:
"Está na hora de ir." Não correria o risco de Valério desconfiar de que o homem mentiu para encobri-la. "Vou acompanhá-lo até a porta." Disse ao irmão, ela seguiu Juan e Valério ocupou o espaço vazio no sofá. Respirou fundo. Como queria que sua esposa conseguisse viajar de avião, ela saberia como lidar com aquela situação.
Pegou o celular e digitou uma mensagem para Júlio.
'Tinha um homem no apartamento da pirralha quando cheguei.'
Rapidamente o irmão respondeu.
'Espero que tenha arrancado as bolas dele.'
'Espera, ela não é lésbica?'
Valério então respondeu:
'Deram a entender que são amigos, ele é irmão da Ivana. Mas a Mari nunca foi amiga próxima de um homem, ela nos odeia. Tem mocotó nessa maniçoba. Cadê a Maria?'
Julio respondeu.
'Quer que eu vá pra ir? Maria pode ficar sozinha uns dias. Ela está fazendo um bolo.'
'Tudo bem, tenho certeza que essa não foi a pior parte da visita. Ela até está tranquila, mas vai surtar quando souber da venda da casa. Bolo de quê?'
'Bacuri' respondeu Júlio.
Valério xingou, ele adorava bolo de bacuri…
Mariana olhou para trás, viu que o irmão estava distraído no celular. Então fechou a porta.
"Minha camisa" Juan lembrou.
"Droga, onde está?" Ela estava ansiosa para se livrar dele.
"Na cadeira da mesa da cozinha"
Mari abriu a porta e correu até a cozinha, onde pegou a blusa.
"Mari?" Valério a chamou.
"Já volto" disse ao abrir a porta e fechá-la.
Jogou a camisa preta ao ex-cunhado.
"Obrigada por tudo, sério, mas tem que ir. Esse cara sente cheiro de mentira de longe. Ah, e desculpa pela 4rma, não lembrava que você me trouxe para casa." Naquele momento sentiu seu rosto corar. Aquilo não estava certo, pensou ela, nunca corava. Que merda estava acontecendo?
"De nada, mas vai ficar me devendo essa." Juan vestiu a camisa. Mari engoliu em seco, somente naquele momento reparou no abdômen do homem. Seu rosto esquentou ainda mais.
"Quanto vai me custar?" Perguntou na tentativa de disfarçar o quanto ficou abalada com o corpo do homem. Céus! Era um maldito homem! Ela nunca babava por homens. Era inadmissível.
"Bom, ainda não sei, mas vou te ligar para dizer quando chegar a hora. Até a próxima, Mari." O homem lhe deu as costas e caminhou rumo às escadas.
"É Mariana!" O corrigiu. Depois pensou no quanto ele era i****a, ela não deu o número para ele.
Respirou fundo, se preparando para lidar com a fera dentro do seu apartamento. Precisava se recompor. Depois de seis anos, havia um motivo para o irmão aparecer cedo na sua porta…