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1198 Palavras
sem revisão "Tira a mão" Maria deu um tapa na mão de Júlio que colocou o dedo no recheio do bolo de chocolate que estava montando. Um pedido do marido para comemorar uma parceria importante que o banco fechou com uma grande empresa. "Mas é o meu bolo" resmungou como uma garoto de dez anos viciado. Ela sorriu. Às vezes os maridos eram piores que crianças. Faziam uma birra digna da framboesa de ouro. "Se ficar fazendo drama eu largo isso de mão e de quebra vai ficar sem sexo está noite." Ameaçou o marido que balançou a cabeça de um lado para o outro, preferia perder o bolo ao ficar sem t*****r com a esposa. "Tú já foi mais boazinha." Júlio disse manhoso. "Tem razão, eu piorei, me tornei um carrasco que impede um homem de quase quarenta anos de agir como um garoto de dez, lembrando que nem uma criança de dez anos faz tanta birra como tu e o teu irmão fazem às vezes." Disse tudo com um sorriso no rosto. Uma maneira de puxar a orelha sem parecer uma megera. "Que m*l humor, será que isso é sinal de…" "Se falar gravidez vou enfiar essa colher onde você não vai poder alcançar." Maria ameaçou o marido que correu da cozinha com um sorriso no rosto. Ele adorava provocá-la apesar daquela palavra ser um tabu para a esposa. Decidiu ligar para o irmão e saber como estavam indo as coisas com a pirralha. Contudo, apenas chamou até cair na caixa postal. Optou por não comentar com a esposa, provavelmente o irmão e a pirralha tinham muito o que conversar… Maria foi para o quarto de Mariana. Deitou-se na cama da irmã. Júlio estava assistindo futebol na sala com alguns amigos que apareceram de surpresa. Ele ia manda-los embora mas ela não permitiu. Sabia que apesar dele adorar a vida a três que tinham, os maridos também precisavam de convívio social, a própria às vezes pegava o carro e ia visitar Clara ou a chamava para ir passar o fim de semana com ela. Desde que perdeu Sirius, se tornou ainda mais próxima da mulher que literalmente salvou a sua vida ao convencer o falecido marido a levá-la para casa. Seu telefone começou a tocar, para sua surpresa era uma chamada de vídeo da irmã. Sorriu, aquilo era um milagre que não iria recusar. Aceitou a chamada. "Eu odeio ox teux maridox" Mari reclamou assim que viu a irmã na tela do celular. "Está bêbada?" Maria perguntou sentindo a preocupação tomar conta de si. "Como não extaria depoix de xaber que você e meux irmãox quaxe morreram?" Mari estava muito bêbada. "Porque exconderam de mim? Não xou maix uma crianxa." A mulher reclamou. Ver a irmã bêbada e desolada acabou com Maria. Depois de contar algo tão pesado, que aconteceu num momento tão delicado de suas vidas, o marido deveria ao menos está ao lado da irmã para que pudesse assimilar tudo da melhor forma possível e não enchendo a cara em algum lugar. "Sinto muito" a mulher disse sabendo que não adiantava dizer qualquer outra coisa, a irmã só iria ficar naquilo que foi omitido de si durante todos aqueles anos. "Mas não pode lidar com isso bebendo até cair. Por favor, se tem alguma consideração pelo coração preocupado da sua irmã, vai pra casa, melhor, liga para Valério ir buscá-la." Maria pediu mantendo o tom calmo de sua voz. Anos lidando com a irmã para saber que gritar, ordenar, ameaçar não vai surtir o efeito desejado. "Não vai rolar não" A irmã disse fazendo bico e com o celular bem próximo do rosto vermelho do álcool. "Porque não?" Maria ficou em alerta. Mari levou o dedo indicador aos labios. Pedindo para ela ficar em silêncio e como se fosse contar um segredo, se aproximou ainda mais da tela do aparelho e falou baixinho: "Coloquei umax gochinhax de clonaxepam na cerbeja dele. O coitado tá apagado." Mari começou a rir, como se fosse divertido dopar o irmão. Maria respirou fundo. Não sabia o que fazer com aquela informação. Lembrou então de Ivana, a ex da irmã. Mas o quanto sua irmãzinha estava magoada para aceitar ou não a ajuda de ex? Então, Mari sumiu da tela e um teto apareceu. Escutou a irmã pedi mais cerveja em espanhol. Sentiu-se aflita. Beber mais só pioraria as coisas. Foi então que escutou alguém dizer em espanhol,idioma que não dominava muito bem, mas que conseguia entender. "Não" uma única palavra dita firmemente. Sua irmã protestou, mas a voz mantevesse firme. "Você chegou no limite, vou levá-la para casa." A voz rouca e sensual não deu espaço para a irmã dizer não. Maria inclinou a cabeça para o lado, confusa, eles se conheciam? Normalmente sua irmã daria um chilique se um homem ousasse dizer o que deveria fazer, mesmo em uma situação como aquela. Mariana bêbada era pior do que quando estava sóbria. Lembrou-se de quando foi expulsa da escola por bater nas partes íntimas de um professor que descobriu que os amigos e ela estavam bebendo escondido numa sala da escola. Ele a repreendeu e acabou sendo agredido. Camilo precisou desembolsar um bom dinheiro para não ser processado, mas não conseguiu impedir que Mari fosse expulsa. "Mari?" Maria tentou fazer sua voz se sobressair com a música alta do bar "Mari?" Nada, não houve uma única resposta que não fosse a voz forte e alta do homem que se recusava a dar mais bebida a sua irmã e ela agradecia muito por isso. Maria ficou um tempo ouvindo a conversa dos dois, até riu ao perceber que a irmã estava lidando com alguém tão teimoso quanto ela. Sentiu-se aliviada quando o homem disse que a levaria para casa e que teria uma conversinha com Valério por ele permitir que ela saísse e ficasse naquele estado. Mari riu, provavelmente lembrando que dopou o irmão para fugir. O teto deixou de ser a única visão que tinha. "Vou guardar seu telefone… ah, oi?" O homem perguntou em espanhol. "Hola" María respondeu sem jeito com a beleza do homem que surgiu na tela. Ele olhou para a frente, pôde ouvi-lo perguntar à irmã quem era a mulher no telefone. "Ih, minha irmã, esqueci dela." Mari começou a rir ao lembrar que não encerrou a ligação. "Sinto muito, sua irmã está um pouco alta, prometo levá-la em segurança para casa. Espero que o irmão de vocês ainda esteja dormindo porque é capaz de eu levar um soco na cara." O homem falou em espanhol com um sorriso que faria qualquer uma arriar as calcinhas, inclusive Maria. O homem era bonito, muito bonito! Pena que ela não entendeu quase nada do que ele falou. Frases curtas ou diálogo mais lento, até entendia. Agora frases longas com diálogo rápido, fica perdidinha. "Ela não entendeu i****a" o telefone passou para as mãos da Mari, mas algo aconteceu porque nitidamente ele caiu no chão e a ligação foi encerrada. Maria ficou ainda mais preocupada. Ligou para o Valério. O telefone chamou e chamou, mas apenas isso. E agora? Como poderia ter certeza que o homem bonito levaria sua irmã em segurança para casa?
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