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1148 Palavras
sem revisão Juan sentiu sua presença mesmo de costas, estava fritando os ovos para o café da manhã. Ela não disse nada, apenas ficou parada, podia sentir a intensidade de seus olhos contra sua pele. Enquanto Mariana observa Juan, ela percebe o quão tranqüilo e atencioso ele é, era a segunda vez que ele cuidava dela depois de passar dos limites com álcool. Ele se vira e sorri para ela, sem julgamento. Mariana se sente culpada, há um sentimento de incerteza pairando no ar. Na última vez que Mariana bebeu até não suportar mais, ele jurou que seria a primeira e a última vez a ajudar a ex da sua irmã. Contudo, não poderia ignorar o fato já que a mesma insistia em encher a cara no seu bar. Ele poderia chamar um táxi e levá-la para casa, poderia até mesmo chamar Ivana para cuidar da ex que beirava ao alcoolismo. Mas não era capaz de fazer nada disso, ele sentia a necessidade de ter certeza que ela estava em segurança. "Sinto muito" , escutou-a dizer envergonhada. "Sinto muito mesmo." Pelo tom de sua voz, soube que segurava o choro. "Enquanto fizer isso no meu bar, posso cuidar de você." O que mais ele poderia dizer, não volte ao meu estabelecimento e se f**a em um bar qualquer. "Você não me deve nada e eu só te causo problemas." Céus! Ela só causava problemas às pessoas, principalmente à sua família. Ainda não acreditava que havia drogado o irmão por não conseguir lidar com as verdades que lhe disse e ela não foi capaz de suportar. "Vamos comer" Juan apontou para a mesa que já estava posta. Apesar de sentir que a cabeça estava prestes a estourar, ela assentiu, não poderia se dar ao luxo de ser arrogante com alguém que só estava sendo bom para si. Claro que sabia que a conta por que tinha com Juan só aumentou, temia o preço que teria que pagar por sua ajuda… Após um café da manhã silenciosamente constrangedor, eles finalmente se sentam para conversar. Juan é o primeiro a quebrar o silêncio. "Eu não entendo você, Mariana", ele diz, olhando diretamente nos olhos dela. "Você é tão incrível, tão cheia de vida, mas parece que está determinada a se destruir." Mariana abaixa o olhar, sentindo-se incrivelmente vulnerável. "Eu sei e sou grata por mais uma vez cuidar de mim, mas o que faço da minha vida é problema meu." Ela não sabia lidar com suas emoções. Não sabia lidar com todo aquele mar de sentimentos de culpa, traição, impotência. Seu erro do passado quase custou a vida de seus irmãos, da única família que tem e que abandonou por não entender a forma de amar deles. Juan coloca a mão dela sobre a mesa, segurando-a com carinho. "Eu quero ajudar você, Mariana. Mas, para isso, você precisa estar disposta a se ajudar também. Você precisa parar de se castigar e começar a buscar ajuda. Eu estou aqui para apoiá-la, mas não posso fazer isso sozinho. Eu quero ser seu amigo." "Não tenho amigos e não quero ter" recusou mesmo sabendo que a solidão era uma das coisas que mais a estavam afetando. Seus casos de uma noite, seus colegas de bebedeira, seus breves relacionamentos, nenhum deles era capaz de aplacar a solidão que a abraçava todas as noites quando chegava em casa e a obrigava a lidar com seus demônios. As palavras de Juan tocam profundamente Mariana. Ele percebe que ela é uma pessoa muito sozinha, que não sabe como confiar em alguém além de si mesma. "Eu não quero mais ser essa 'garota problema'", diz ela, com lágrimas nos olhos. "Eu quero ser alguém que se ama e se respeita, que respeita a decisão dos outros mesmo que eu não consiga entender." Mariana desabou, baixou a cabeça envergonhada por ser tão fraca e acabar tirando aquilo de dentro de si para um estranho Juan sorriu compreensivamente. "Eu estou aqui para você, Mariana. Vou ajudá-la se me permitir, falar com a sua família e procurar ajuda, não deve ser fácil está longe da sua família e não ter ninguém a quem recorrer" "Valério vai me arrastar para casa depois do que fiz noite passada." Mari lembrou que deixou o irmão caído no sofá em um sono profundo depois de batizar a sua bebida. "Vamos começar por partes, que tal ligar para a sua irmã que está muito preocupada com você?" Ele sugeriu lembrando do desespero da bela mulher que era uma cópia perfeita da que estava à sua frente. "Maria? Porque devo ligar pra Maria?" A mulher tinha até medo da resposta. "Porque ligou para ela bêbada e esqueceu dela ao telefone. Prometi que levaria você para casa, mas não houve resposta e você não sabia dizer onde estava a sua chave. Então a trouxe pra casa e espero que seu irmão não me receba com outro soco. Sou bonito demais pra ficar servindo de saco de pancada." Juan brincou no final para tentar amenizar o clima que ficou tenso. "Preciso do meu celular, ela deve está desesperada. Não posso causar mais dano a minha irmã, não posso." Mari levantou, começou a caminhar pelo apartamento em busca do seu aparelho. "Está carregando no quarto, ao lado da cama " Juan avisou tranquilo. "Sugiro que tome primeiro um banho para ficar apresentável, você está com uma cara péssima." Mari não disse nada, apenas correu para o quarto e pegou o celular, desblugou do carregador e ligou, foi o tempo que correu até ao banheiro, lavou o rosto, ajeitou o cabelo para parecer um ser humano decente. Voltou para o quarto, pegou o celular e não se surpreendeu com a quantidade de ligações perdidas e de mensagens enviadas pelo aplicativo. Pediu mentalmente que sua irmã estivesse bem, e que seu sumiço após a ligação bêbada não tenha provocado uma crise. Desde que se entende por gente só tem sido fonte de preocupação e problemas para a irmã. Era um milagre Maria ainda querer manter algum contato depois de tudo, principalmente depois de ter sido tão dura com ela por causa do seu relacionamento anormal com os enteados a quem Mariana considerava como irmãos. Depois de muito postergar, ligou para a irmã… Maria saiu de casa às pressas, esquecendo o celular desde que recebeu a ligação da clínica veterinária onde Sirius estava internado depois de passar por uma cirurgia. Chorou durante todo o caminho, com medo, já havia sido bem difícil deixá-lo sozinho. Mas a clínica era o melhor lugar para sua recuperação caso ele tivesse alguma complicação. Lembrou-se do seu remédio somente quando parou no estacionamento da clínica e travou ao ver um grupo de pessoas ao redor. Gritou, batendo no volante histérica. Não tinha notícias da irmã, Júlio viajou com eles brigados e agora Sirius, em meio a tudo isso sua mente doente tornando tudo pior. Estava tão cansada. Tão cansada…
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